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Vida marinha

18 DE JUNHO DE 2019

A sabedoria dos animais reverencia Gastone Righi

Aldo Neto é jornalista especialista em Redes Sociais e Marketing Político

Por: Da Redação

No dia 16 de junho deste ano, Santos foi surpreendida com a presença de uma jubarte no mar nas proximidades do Canal 4, registrada por dois pescadores.

Se hoje somos agraciados com a presença deste animal nas nossas águas devemos a um grande santista que nos deixou outro dia e que foi essencial para termos ainda hoje jubartes no mar: Gastone Righi Cuoghi, um político cuja contribuição à Região, ao país e ao meio ambiente jamais deve ser esquecida.

A participação de Righi na defesa das baleias resultou na lei 7.643, de 18/12/1987. Nesta data, foi promulgado uma lei do então deputado Righi, que proibia a caça e a pesca das baleias nos mares brasileiros.

Desde 2014, as jubartes não estão mais em extinção, mas não era essa a realidade de 1987.

A caça dessas baleias no país era feita por duas empresas nos anos 80: Uma de Cabo Frio (RJ) e outra em Cabedelo (PB). A empresa da Paraíba chamava-se Companhia de Pesca Norte do País (Copesbra), tinha capital nacional e japonês e abateu em 75 anos de atividade cerca de 22 mil baleias, que acabaram virando carne e muito óleo pra vida predatória humana.

Nos anos 80, segundo o Ministério do Meio Ambiente, existiam apenas 500 jubartes em mares brasileiros. Após a Lei Gastone Righi, os números aumentaram para 9 mil (2008), 15 mil (2012) e mais de 16 mil em 2014, quando este animal saiu da lista de espécimes ameaçadas de extinção.

Uma vitória conquistada por lei de um santista que foi copiada por dezenas de países e que salvou inúmeras vidas de baleias.

Questionado uma vez por mim em reportagem para o Boqnews sobre a motivação desta lei, Righi disse ter se encantado com a dança do acasalamento de jubartes que viu no Litoral de Santa Catarina e que depois, em Cabo Frio, foi convidado por um amigo a embarcar em um navio baleeiro e viu de perto a morte de uma baleia e o choro do filhote que foi abandonado a morte certa sozinho no mar.

E ainda viu cobrarem 20 dólares de turistas para participar da cerimônia de esquartejamento do corpo da baleia.

Disse ele ter sentido uma emoção brutal com a cena, que o levou a pesadelos seguidos. Graças a Gastone por seres que sequer tem direito a voto, nossos filhos poderão ver as jubartes no mar. Uma ação em prol da vida em respeito que temos que ter pelas outras vidas que dividem conosco o planeta. E dizem que política não serve pra nada…

Muito antes de Greenpeace, de luta pela Defesa da Via Animal (que rende votos para diversos políticos), existiu um santista que fez a diferença pela vida na terra e pouco foi reconhecido por isso. Fazem dois meses de sua partida. A

té hoje, a Cidade ainda não definiu uma homenagem a Gastone, que salvou as baleias no mundo, devolveu a autonomia de Santos e ainda conquistou direitos trabalhistas como a redução da jornada semanal, o aumento para 40% do FGTS, e o terço a mais das férias para os trabalhadores, entre outros méritos de sua atividade política.

Nem mesmo uma estátua no jardim sua ou de uma baleia existe em sua homenagem.

A sabedoria dos animais é encantadora pois é muito superior à nossa. Com certeza, essa jubarte esteve em nossos mares para agradecer a vida à Gastone quando ainda estamos em luto por sua partida. Uma homenagem única, pura e de valor inestimável!

Um agradecimento que com certeza, esteja onde estiver, Gastone Righi viu e ficou feliz!! Graças a um santista as baleias ainda existem e estão se salvando da extinção. Um orgulho que nem todos podem ter!

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