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Alcance limitado

Passados dez anos da criação dos remédios que vieram com o intuito de, principalmente, baratear os custos aos consumidores de…

29 de maio de 2009 - 20:47

Da Redação

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Passados dez anos da criação dos remédios que vieram com o intuito de, principalmente, baratear os custos aos consumidores de produtos cujo prazo de patente se encerrou – o que legamente tornaria a fórmula de “domínio público” -, os genéricos ainda encontram dificuldades para se difundir e mesmo se diferenciar.

Isso ficou evidente com os resultados apresentados pela Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos (Pró-Genéricos), que, apesar de indicarem uma economia geral de R$ 10,9 bilhões por parte dos consumidores ao longo dos últimos dez anos, os mesmos representam apenas 18,2% do mercado farmacêutico brasileiro.

A avaliação, conforme o vice-presidente do Sindicato dos Farmacêuticos de São Paulo (Sinfar) e professor de Deontologia e Legislação Farmacêutica, Marco Aurélio Pereira, é de números abaixo do que se poderia alcançar. “A comparação é complicada, mas se tomarmos como base alguns países da Europa, vemos que o consumo de genéricos chega a 50%, ou mais, mas, claro, devemos lembrar que eles possuem esse medicamento há mais tempo”, explica.

Pelo que indica a Lei 9.787/99, os produtos dessa natureza devem custar, no máximo, 65% do valor daquele do qual ele é genérico. Ou seja: o Itroconazol deve ser, pelo menos, 35% mais barato que o Itramax, o “original”. No entanto, mesmo com essa facilidade, os genéricos ainda não alcançaram o patamar esperado, e a previsão para 2012, de que esses medicamentos já alcançassem ao menos 33% do mercado, já começa a ser revista.

Para Pereira, compreender isso demanda entendimento das diferenças entre a chegada dos genéricos e o momento em que a lei em questão foi homologada. “No primeiro momento, as pessoas iam procurar os tais remédios mais baratos, mas não os encontravam. As farmácias diziam não ter recebido e as fabricantes falavam ter enviado. Resultado, ninguém tinha acesso, e já surgia uma desconfiança. Além disso, houve certo preconceito, algo que ainda ocorre, por não se acreditar que o medicamento mais barato fosse ser útil”, relembra.

O vice-presidente da Sinfar adiciona, ainda, a questão dos custos como fator prejudicial ao alcance dos genéricos no princípio. Segundo ele, as despesas para que determinado produto farmacêutico seja feito são elevadas e com as medicações em questão, isso não seria diferente.

“Você também tinha que lidar com o fato de que havia poucos centros de pesquisa no Brasil que pudessem fazer tal trabalho. Associando isso tudo ao preconceito e ao medo de falsificação, que sempre foi algo forte no Brasil para esse campo dos remédios, dá para compreender o porquê de os genéricos ainda não terem ampliado a participação”, resume.

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