Pandemia

Ansiedade e depressão, sintomas cada vez mais frequentes nos consultórios

Psicológa relata aumento significativo de pacientes com sintomas de ansiedade e depressão em razão da pandemia.

08 de abril de 2021 - 19:01

Fernando De Maria

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Psicóloga Mariângela Fortes: registro de alta de casos de ansiedade e depressão no consultório. Foto: Reprodução

O que inicialmente era visto como algo passageiro tem se tornado perene no controle emocional das pessoas em tempos de pandemia.

Passado mais de um ano do seu início e com a explosão de casos em ascensão, além da falta de leitos e problemas no abastecimento de oxigênio e medicamentos ganhando os noticiários, a chamada 4ª Onda já é uma realidade.

“Há um ano pensávamos como sair desta pandemia na 4ª Onda. Mas ela já está aí e sem perspectiva de acabar”, explica a psicóloga Mariângela Fortes.

“Vivemos um tsunami da pandemia. No fim, haverá um rescaldo, mas não será fácil. Vai afetar a estrutura, finanças, o que demandará muito tempo”, salienta.

Ansiedade e depressão

Atuando em rede particular, ela lista o aumento significativo de pacientes com sintomas como ansiedade e depressão que lotam os consultórios psicológicos.

Somente nesta quinta (8), ela tinha 32 pacientes conveniados para atender, das 8 às 19 horas.

“E uma fila de espera enorme”, acrescenta.

Mariângela participou do Jornal Enfoque – Manhã de Notícias de hoje, onde relatou como a pandemia tem afetado o psicológico das pessoas, de todas as faixas etárias e classes sociais.

“As pessoas que tinham ansiedade leve no início da pandemia, hoje tem um quadro agravado, com surtos de ansiedade. Não bastasse, a depressão também tem crescido”, salienta a profissional.

Não é à toa que cresce também o número de psicólogos que atendem, muitas vezes gratuitamente, os pacientes que buscam apoio, particularmente pelas redes sociais.

A profissional elenca alguns fatores que contribuem para o cenário: privação do contato com outras pessoas, overdose de noticiário sobre a pandemia, com falta de vagas, oxigênio e medicamentos.

“As pessoas se alimentam destas notícias. ‘Se ficar doente, vai ter vaga para mim? Vou entubar?’ Isso tudo é um desastre na cabeça da pessoa”, salienta.

Além disso, ela tem notado uma preocupação crescente entre os homens, ainda vistos como os provedores da casa em muitos lares.

“Muitos estão em casa, pois estão desempregados. E isso afeta diretamente o psicológico deles”, acrescenta.

 

Crianças

A profissional também falou do impacto que a pandemia tem provocado no psicológico das crianças.

“Elas temem que os pais saiam de casa e não voltem, com medo que  se contaminem. Além disso, há ausência de contato com os coleguinhas da escola e isso preocupa”, diz.

 

Relação com o luto

Não bastasse, a profissional analisa como a pandemia tem afetado até a relação das pessoas com o luto.

Afinal, em razão do vírus, não há velório, féretro nem sepultamento tradicional, em razão das limitações impostas.

“O luto está no ar”, lamenta Mariângela, que perdeu dois cunhados para a Covid-19 em um intervalo de quatro dias.

“Temos uma família inteira enlutada. E são muitas que estão nesta situação. Isso irá acarretar problemas emocionais”, antecipa.

Ela lamenta que as autoridades nada fizeram, como uma campanha de acolhimento às pessoas que perderam entes queridos nesta guerra viral.

Ao contrário. A tragédia foi até motivo de troça presidencial.

“Como não há este acolhimento, é a hora das pessoas usarem as redes próprias de amizade e se apoiarem uns aos outros”, diz.

Confira a entrevista completa.

 

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