Foto: Divulgação/ Zoonoses de Cubatão Legislação

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29 DE DEZEMBRO DE 2017

Dicas para os animais sofrerem menos com os fogos no Réveillon

A luz e o impacto dos fogos, comuns no Réveillon, costuma afetar principalmente animais noturnos, como morcegos e gatos.

Por: Andreia Verdélio
Agência Brasil

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A queima de fogos na virada de ano é tradição em muitas cidades do país.

Mas o que é motivo de alegria e deslumbramento entre as pessoas, acaba sendo um momento de desespero para os animais, silvestres e domésticos. Além de idosos.

É possível, entretanto, criar um ambiente seguro para os animais de estimação, para minimizar os riscos de fuga ou para evitar que eles se machuquem.

“A nossa capacidade humana de perceber o mundo não é a mesma dos animais. A sensibilidade de audição e visão pode ser mais ou menos apurada para cada espécie”, diz a médica veterinária Vânia Plaza Nunes.

Ela é diretora técnica do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal e especialista em comportamento e bem-estar animal.

“Nós temos uma capacidade de um gradiente de cores muito mais complexo que a maioria dos animais, mas a percepção auditiva deles é mais apurada que a nossa”, explica

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Animais sofrem com os estampidos dos fogos lançados no Réveillon. Foto: Divulgação/PMCubatão

 

Riscos para os animais

Os riscos para os animais, segundo Vânia, são vários.

A luz e o brilho dos fogos de artifícios podem causar mais impacto nos animais noturnos, como, por exemplo, os morcegos e os gatos.

“Eles têm uma acuidade visual muito grande, então pouca luz já é suficiente. Então aquilo [fogos] causa pânico, porque foge ao padrão normal a que eles estão acostumados”, explicou.

Para o olfato, as bombas e fogos também são prejudiciais, pois liberam pólvora e outras substâncias químicas e metais.

Mesmo quando os fogos são disparados de balsas no mar, como no Rio de Janeiro e em Santos, as substâncias se depositam na água.

Isso pode afetar espécies marinhas de animais.

“Com o som, o problema é mais grave ainda”, disse a especialista.

Isso porque  eles captam os infrasons e os ultrasons, que não são percebidos pelos humanos.

“Os morcegos usam isso para se orientar. Se você solta fogos em área perto de mata, eles vão perder a capacidade de voar, podem cair, entrar na casa das pessoas”, explica Vânia.

“Para os cães e gatos, aquilo também não faz parte do comportamento normal, eles ficam muito assustados”, acrescenta.

Segundo a veterinária, nesses momentos, os animais têm o chamado comportamento de luta e fuga.

Isso é instintivo a todos os seres vivos ao tentar se defender.

Ela explicou que, assim como os animais, pessoas com autismo e crianças pequenas também se incomodam com os efeitos dos fogos.

 

Preparando o ambiente

Vânia dá dicas que podem ser adotadas para amenizar o estresse e evitar que os animais fujam ou se machuquem.

Nas horas mais próximas à virada, para quem ainda tem aves em gaiola, ela orienta a deixá-las em um ambiente fechado e supervisionar os animais.

“Deixar água suficiente apenas para beber, mas sem risco de se afogarem caso sofram uma queda”, disse.

Para cães e gatos não é recomendado administrar calmantes, mas, se ministrados uma semana antes, é possível usar florais de Bach.

Eles são  extratos naturais que ajudam a acalmar.

“E sempre que possível procurar orientação do veterinário”, disse Vânia.

Segundo ela, com antecedência, é possível preparar um ambiente confortável para o animal de estimação.

E, aos poucos, ir acostumando-o com esse ambiente.

É importante não deixar objetos que ele possa derrubar.

E não deixar portas ou janelas abertas, mas evitar que o ambiente fique excessivamente aquecido.

Também existem os feromônios de apaziguamento, que podem ser colocados no ambiente para deixá-lo mais harmônico.

Essas substâncias podem ser encontradas nas boas casas de produtos veterinários.

A especialista recomenda ainda colocar uma música ambiente em uma intensidade que vai competir um pouco com o som externo.

“E, se possível, a pessoa pode ficar junto, porque a companhia acalma o animal.

Mas tomando cuidado para não reforçar o comportamento de medo para o animal”, explicou.

Existe ainda uma técnica de enfaixar o cachorro, que funciona como um abraço, e pode trazer tranquilidade nos ambientes hostis.

Segundo Vânia, a faixa levemente elástica deve passar pelo peito do cão e cruzar e amarrar nas costas.

Fogos de artifício, comuns no Réveillon, trazem impactos no cotidiano dos animais. Foto: Divulgação

Mudança de comportamento

Para Vânia, as pessoas poderiam abolir os fogos de artifício como forma de diversão.

“Talvez usar os recursos de uma forma melhor, empregar o dinheiro para minimizar os danos ambientais e criar outros mecanismos de celebração social”, disse.

“Mesmo estando no século 21, continua-se reforçando esse tipo de prática. Está na hora de mudarmos esse marco civilizatório”.

Segundo a especialista, cidades estão conseguindo avançar em projetos de lei que regulam a comercialização e queima de fogos de artifício, como Campinas, Santos e Sorocaba.

“Tem uma minimização, mas não resolve o problema”, disse

Em Santos, a queima de fogos durará 16 minutos e será a segunda maior do País, atrás apenas do Rio de Janeiro.

 

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