Alimentação

Obesidade infantil: por que o Brasil precisa ligar o sinal de alerta

Crianças obesas têm mais chance de se tornarem adultos obesos. E assim desenvolverem doenças que prejudicarão a qualidade de vida.

24 de setembro de 2019 - 22:33

Publieditorial

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Segundo dados divulgados em 2018 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), no mundo, um em cada oito adultos é obeso.

Projeções feitas pela mesma OMS indicam que, em 2025, 2,3 bilhões de pessoas ao redor do planeta vão sofrer com sobrepeso e problemas relacionados à obesidade.

No entanto, além dos adultos, a expectativa é de que a obesidade também aumente consideravelmente entre crianças e adolescentes.

No estudo feito pela OMS, a expectativa é de que, em 2025, 75 milhões de crianças ao redor do mundo tenham sobrepeso ou obesidade.

No Brasil, o cenário não é muito diferente: 35% de nossas crianças têm sobrepeso e 16% já apresentam quadros de obesidade, segundo apontamentos da Universidade de São Paulo (USP).

Entre os grandes vilões desse quadro está a alimentação rica em calorias e pobre em nutrientes.

Qual criança troca um pratão de batata frita e hambúrguer por outro com um filé de frango e arroz com feijão?

Além disso, a pouca carga de atividade física também contribuiu para a piora do quadro.

Os especialistas já ligam o sinal de alerta.

 

Da desnutrição à obesidade: por que o Brasil mudou tanto?

Na década de 1960-1970, um dos principais problemas do Brasil era a desnutrição infantil.

Estados do norte e nordeste do Brasil eram os principais centros do problema.

Nas outras regiões do país, a desnutrição era uma constante entre a população mais pobre.

A situação começou a mudar com ações realizadas pela sociedade civil em conjunto com governos estaduais e federal.

Vale destacar a ação, por exemplo, da Pastoral da Criança, criada pela médica Zilda Arns, e programas governamentais como o Bolsa Família.

Somente em 2014 o Brasil conseguiu sair do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

De forma irônica, atualmente o Brasil começa a enfrentar o problema “oposto” ao que tinha décadas atrás: a obesidade infantil.

 

Consumo de fast food entre crianças é crescente, o que preocupa especialistas. Foto: Arquivo/Agência Brasil

Consumo de calorias vazias

Segundo alguns especialistas, o quadro de saúde dos brasileiros mudou, principalmente, porque a população brasileira passou a ingerir mais calorias vazias, isto é, alimentos que até têm uma boa quantidade de calorias, mas não de nutrientes importantes para o organismo.

Os fast food são o melhor exemplo disso.

Hambúrgueres, pizzas congeladas, batata-frita e refrigerantes estão cada vez mais comuns nas mesas dos brasileiros, e muitas crianças são acostumadas desde cedo com esse tipo de comida.

Ironicamente, muitos dos pequenos podem continuar desnutridos, mas, ainda assim, com um peso muito alto para o padrão da idade.

População cada vez mais sedentária

Além disso, somado a essa alimentação mais pobre em nutrientes e rica em calorias, os brasileiros estão cada vez mais sedentários, ou seja, estão se movimentando menos ao longo do dia.

Portanto, isso também acontece entre as crianças que, muitas vezes, não fazem mais atividades como jogar bola, correr, etc.

Muitas ficam “presas” às tecnologias, como os smartphones e videogames, e passam a se movimentar menos durante o dia, o que é um prato cheio para o avanço da obesidade.

Consumo de alimentos, como saladas, arroz e feijão, e outros nutrientes, ao invés dos fast foods é fundamental para uma alimentação saudável. Foto: Divulgação

Por que se preocupar com a obesidade infantil

Os pediatras e endocrinologistas apontam que as crianças obesas têm 80% de chance de se tornarem adultos obesos.

Ou seja, a chance dessas crianças reverterem o quadro de obesidade e, na vida adulta, terem um peso saudável é de apenas 20%.

Além da possibilidade de sofrerem com questões estéticas e serem alvos de bullying, as crianças obesas podem acabar desenvolvendo outras doenças relacionadas à obesidade.

 

Desenvolvimento de doenças crônicas

Considerada uma doença crônica, pois dificilmente tem cura, o excesso de peso está relacionado também a outras doenças de difícil tratamento, como o aumento da pressão arterial e a diabetes do tipo 2.

Problemas relacionados às articulações, como artrose e artrite, também são muito comuns entre os obesos.

 

Como lidar com a obesidade infantil

Segundo os pediatras, é essencial que os pais, ao perceberem que as crianças estão ganhando muito peso em um curto período, procurem ajuda médica para iniciar o tratamento.

Assim, os próprios pediatras e os endocrinologistas especializados em saúde infantil podem ser consultados para avaliar qual será a melhor abordagem e o melhor tratamento para cada caso.

Além disso, eles também terão mais ferramentas para especificar quais as causas do desenvolvimento da obesidade.

De forma geral, no entanto, a grande razão é o estilo de vida da criança e de seus pais e, mais especificamente, a alimentação e a falta de atividades físicas.

Por isso, os pais e responsáveis devem, eles próprios, dar início a uma reeducação alimentar de toda a família, incluindo à mesa alimentos mais saudáveis, como frutas, verduras e carboidratos integrais.

Por fim, os pais também devem incentivar a prática de esportes.

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