Saúde

Santos registra 26 casos de meningite com três vítimas fatais em 2019

A morte de uma mulher de 44 anos na semana passada residente no São Bento, mesmo bairro onde residia um jovem falecido por meningite, preocupa moradores

18 de novembro de 2019 - 21:15

Da Redação

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A terceira morte por meningite ocorrida em Santos neste ano, segundo informações da Secretaria de Saúde da Cidade, colocou em alerta munícipes, especialmente moradores do Morro São Bento.

Nas redes sociais, moradores apelam por atenção por parte das autoridades da área da saúde em relação às semelhanças dos casos que vitimaram dois moradores do bairro em cerca de três meses.

Afinal, duas das três vítimas fatais da doença residiam no São Bento e a poucos metros de distância – ao contrário do divulgado pela Secretaria de Saúde ao Boqnews na semana passada.

A diferença é que as mortes ocorreram em datas diferentes.

Um dos casos foi de um adolescente falecido em agosto.

A outra vítima foi uma mulher, de 44 anos, que morreu na última quinta (14).

Ao todo, 26 casos de meningite já foram registrados na Cidade neste ano – com três mortes (11,5% da letalidade).

Segundo a Secretaria de Saúde, os casos de meningite foram distintos e nenhum do tipo meningocócico.

Tais casos necessitam a adoção de profilaxia nas pessoas próximas.

Dos três óbitos registrados este ano, um foi do tipo bacteriana (da mulher de 44 anos), um pneumococo e o terceiro não especificado.

 

Em Santos, 26 pessoas foram vítimas de meningite – com 3 mortes neste ano. Foto: Divulgação

 

Morte em menos de uma semana

Irmão de Joelma Meneses da Cruz Cardoso, Joelson Cruz relembra a velocidade com que a doença atingiu sua irmã até sua morte – ou seja, em menos de uma semana.

“Foi tudo muito rápido”, enfatiza, ressaltando que os primeiros sintomas surgiram no dia 8, uma sexta-feira.

“Ela se queixava de dores no ouvido e de cabeça. Por volta das 11h15 daquele dia, fui buscá-la no serviço e a levei até a UPA Central”, lembra Cruz.

A paciente foi medicada, mas o remédio não fez efeito.

Assim, ela fez exame sanguíneo e tomou soro.

A dor no ouvido diminuiu, mas não a da cabeça – um dos principais indicadores da doença.

Dessa forma, a médica indicou quatro medicamentos (dois para ouvido, um para enxaqueca e dipirona para febre, caso tivesse).

Foram liberados à 1h40 do sábado, dia 9.

Pela manhã, Joelson voltou a se encontrar com a irmã, que vomitava muito.

Ela tomou banho por volta das 9 horas, ingeriu os remédios e voltou para a cama.

“Aí não acordou mais”, relata.

Por volta do meio-dia, Joelson tentou acordá-la, sem sucesso.

“Presumi que devia ser efeito do remédio. Mais tarde, vi que ela não acordava e chamei uma enfermeira, que constatou que os batimentos cardíacos e a pressão estavam em ordem, mas as pupilas da minha irmã estavam dilatadas”, recorda.

O Samu foi acionado e Joelma deu entrada na UPA Central em estado grave.

No mesmo dia, foi feita tomografia e houve suspeita de um possível tumor, algo descartado no domingo (10).

A suspeita recaiu para uma outra grave doença: meningite.

 

Quadro gravíssimo

O quadro era ‘gravíssimo’, conforme o divulgado pelos médicos a Joelson.

Assim, lembra ele, o desafio era conseguir uma transferência para uma vaga hospitalar.

Depois de muitos contatos feitos pela família, Joelma foi internada na UTI municipal da HPP – Hospital de Pequeno Porte localizado no imóvel do antigo PS, ao lado da Santa Casa.

Enquanto isso, o quadro só agravava.

Assim, na quarta-feira, uma junta médica com três profissionais constatou a grave situação e a morte cerebral da paciente.

Na quinta (14), pela manhã, a família foi oficialmente comunicada.

Joelson reconhece que não houve negligência nem mau atendimento médico.

“Não houve descaso”, reconhece.

“Só peço que as autoridades vejam isso. Afinal, são duas mortes de pessoas que residiam a 20/30 metros uma da outra. Hoje foi minha irmã. Quem será amanhã ou depois? Espero que ninguém”, desabafa.

Ele disse que os profissionais de saúde informaram que o tipo de meningite que vitimou sua irmã não é transmissível.

Ele não imagina onde e como sua irmã pegou a bactéria letal.

 

Nota

A Secretaria de Saúde de Santos informa que os resultados dos exames de Joelma Meneses, que deixou um filho de cerca de 4 anos,  “apontaram meningite bacteriana do tipo que não requer quimioprofilaxia (adoção preventiva de antibióticos) em pessoas que tiveram contato próximo”.

Em nota, também ressalta que não há relação entre o caso de Joelma e do adolescente de 14 anos morador do mesmo bairro, “pois são moradores de áreas distintas e ocorreram num intervalo de mais de quatro meses”.

(Nota da Redação: ambas as vítimas – conforme relatos de diversas fontes consultadas – moravam a poucos metros de distância. Além disso, o jovem morreu em agosto e Joelma na semana passada – ou seja, três meses de diferença).

 

Vigilância

O médico infectologista Evaldo Stanislau destaca que a Vigilância Sanitária atua de forma efetiva nessas situações para evitar riscos de ampliação no volume de casos.

“Meningite é uma ocorrência relativamente corriqueira. Não creio que tenha risco ou relação entre os casos. Mas deve-se atentar daqui para a frente”, informa.

E destaca que, se houver necessidade dependendo do tipo de meningite, deve-se fazer o bloqueio em pessoas próximas à vítima com uso de antibiótico oral.

“No mais, apenas vigilância”.

 

 

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