Mar de oportunidades | Boqnews
29 de janeiro de 2010

Mar de oportunidades

As 118 velinhas que o Porto de Santos apaga nesta terça (2) traduzem motivos de muita comemoração. A começar pelos resultados para a economia brasileira – os municípios portuários, como é o caso de Santos, representam 19% do PIB do País.

A importância do cais santista para a economia nacional, estadual e regional pode ser mensurada pela  representatividade na economia brasileira em relação ao comércio exterior: em 2009, o porto santista respondeu por 26,37% do volume de mercadoriasmovimentadas no País. Em 2008, as exportações por Santos representaram 25,27% do total nacional. Ou seja, houve um incremento de 1,1 ponto percentual na movimentação de cargas e negócios.



Além disso, os resultados de investimentos a médio e curto prazo com perspectivas a partir deste ano agregaram um cenário significativo – especialmente no tocante ao movimento físico do Porto, justamente no aspecto das trocas comerciais. As modalidades a seguir mostram as perspectivas e projetos portuários que devem ser feitos para os próximos anos.

Cargas
De acordo com a Companhia de Docas do Estado de São Paulo (Codesp), a operadora portuária do cais santista, de janeiro de 2009 até janeiro deste ano, o Porto movimentou 83 milhões de toneladas (cargas), o que significa um aumento de quase dois milhões de toneladas em relação a 2008 (o número total foi de 81.058.492). Esses números trazem a uma das principais discussões que vão contextualizar as perspectivas nos próximos 15 anos.

É o caso do Plano de Expansão e Estudo de Acessibilidade do Porto de Santos, que será realizado na terça (2), a partir das 8h30, no Terminal de Passageiros Giusfredo Santini – Concais (Av. Cândido Gaffreé, s/nº). Com a participação de autoridades, além da presença do ministro de Portos, Pedro Brito, o seminário integra a projeção de demandas de cargas – que equivale a um dos pontos principais para a realização de reformas de infraestrutura na Cidade, com a finalidade de acompanhar a expansão portuária.

Isso porque a expectativa é de que, em 2024, serão movimentadas 230 milhões de toneladas de cargas – praticamente o triplo da atualidade. “Em função da diversidade de cargas que passam em Santos, o crescimento do PIB brasileiro e da competitividade entre os portos, esse número estimado para 15 anos é uma perspectiva significativa para planejarmos a expansão portuária da cidade com antecedência”, explica o diretor de planejamento da Codesp, Renato Barco. “Só que mais importante do que saber que vai aumentar o número de cargas é tomar conhecimento do tipo de produtos que podem ser exportados por aqui”, salienta, ressaltando que este será um dos temas mais discutidos do evento.

O que o diretor da Codesp se refere com a última declaração tem relação com a realidade das atividades e a complexidade de produtos que passam pelo cais santista. Muitas das movimentações do Porto de Santos são ligadas à exportação – para provar essa afirmação, para cada produto importado, são exportados três.

Dessa forma, em função da geografia e infraestrutura atual do cais santista, parte dos navios que atraca nos berços traz cargas a granel (que correspondem a produtos sólidos e líquidos, como açúcar e óleo combustível, por exemplo) ou em contêiners (como automóveis). E com o aumento de cargas, será preciso mais áreas de arrendamento para terminais, estaleiros, entre outras atividades econômicas.

Uma das discussões para os próximos anos é a exploração da área conhecida como Barnabé-Bagres (que se refere às duas ilhas de mesmo nome, junto a uma área do estuário que delimita a Área Continental de Santos), onde se é possível construir mais um espaço equivalente ao tamanho do Porto de Santos.

“O certo não seria falar em ‘projeto’. A área, em específico, vai poder ser usada para o aumento de cargas que projetamos. Isso significa que não será construído um porto a mais, e sim, aos poucos arrendar áreas de acordo com a necessidade. Se for preciso um estaleiro, primeiro será construído um estaleiro. Se forem necessários terminais que atracam navios de comportamento de cargas mais complexas, serão construídos se preciso. Se construímos a área por completo, podemos cair no erro de gastarmos milhões de cifras sem atender proporcionalmente toda a demanda”, explica Barco.

Acessibilidade
Ainda para atender o programa de expansão e acessibilidade, existem três pontos relacionados para o crescimento da demanda, todas elas sobre transporte e tráfego. Um deles refere-se às obras da Avenida Perimetral, que tem por objetivo facilitar o tráfego de caminhões na zona portuária com a construção de viadutos – afinal, a estimativa é de 80% da movimentação de mercadorias seja feita pelo modal rodoviário. Atualmente, falta concluir o traçado da margem direita (Guarujá) – que já deveria ter sido concluído, mas o cronograma atrasou devido às chuvas.

O segundo ponto é uma discussão que será pautada neste ano, tanto na terça (2) quanto no segundo semestre de 2010 – visando o Plano de Desenvolvimento e Zoneamento (PDZ), que será revisto esse ano (o último PDZ é do ano de 2006). Trata-se de projetos que possam estimular o equilíbrio de movimentação das mercadorias, uma vez que somente 20% da movimentação é feita por transporte ferroviário. “Outras alternativas são estudadas como o tráfego de produtos como o álcool, por meio de dutos”, explica Renato Barco.

Mas são as obras no canal de navegação entre a margem direita (Santos) e a margem esquerda (Guarujá) no Estuário, além da dragagem, são uma das obras mais importantes para este ano. Segundo o secretário de Assuntos Portuários e Marítimos, Sérgio Aquino, já foi aberto o licenciamento ambiental e a Prefeitura só aguarda a chegada das dragas especiais.

Com essas obras, que vão ampliar a largura do canal (que, atualmente, é de 150m) para 220m, será possível transitar duas embarcações ao mesmo tempo pelo contorno do Estuário. Junto com a dragagem, que vai aumentar de 14m para 15m de profundidade, isso significa que a eficiência do trânsito de cargas será melhor – mais um ponto positivo para o crescimento contínuo do comércio exterior no Porto de Santos.

Segurança
Outro investimento será na área de segurança – o chamado VTMS (Vessel Traffic Management System). Trata-se de um sistema que controla o tráfego de navios e, de quebra, ainda dificulta a ação de piratas no Porto de Santos, orçado entre R$ 8 R$ 9 milhões.
Serão adaptadas câmeras, que ajudarão as autoridades a impedir ataques piratas a embarcações cargueiras e até práticas ilegais, como o contrabando de mercadorias. “Pode-se dizer que equivalem a um GPS”, indica Renato Barco, diretor de planejamento estratégico da Codesp. Esse controle vai ser partilhado junto à Capitania dos Portos.

Criação de fundo
Não propriamente um investimento exclusivo para Santos, mas um possível avanço para os portos brasileiros: uma criação de fundos foi discutido ano passado, no Congresso Nacional de Municípios Portuários, que foi sediado em Santos.

Essa quantia destinada às cidades portuárias seriam para custear sistemas de limpeza, infraestrutura urbana e garantia de preservação do meio ambiente, responsáveis pela Prefeitura.

A proposta já tramita no Governo Federal, mas o próximo passo dessa discussão será no 2° semestre, com um novo encontro de congressistas portuários, de acordo com Sérgio Aquino. A Associação Brasileira de Municípios Portuários (ABMP) é a responsável pelo avanço da proposta.


Investimento de R$ 58 mi


Prestes a liberar, também, a pista de contorno de Outerinhos, além da passagem de acesso à margem esquerda (Guarujá),  o valor das obras da Avenida Perimetral é estimada em cerca de R$ 58 milhões. Os recursos são garantidos pois estão incluídos no Programa de Aceleração do Crescimento – PAC do governo federal.

Após uma série de intervenções nos corredores principais de acesso aos terminais, otimizando o sistema viário existente, a CODESP, sem prejuízo ao escoamento das safras de soja e açúcar, iniciou, em março último, a Perimetral na região do Paquetá-Outeirinhos.

As obras estão programadas de forma coordenada entre os setores de engenharia, operações e fiscalização da empresa em conjunto com arrendatários e operadores, a fim de eliminar transtornos às operações. A iniciativa permitirá melhorias significativas ao longo da margem direita, através da reorganização do sistema viário e ferroviário, atendendo à crescente demanda de fluxo de veículos, trazendo, inclusive, benefícios para a própria cidade.

A primeira etapa concentrou-se na demolição dos antigos armazéns na região Paquetá-Outeirinhos, próximo aos muros que dividem as zonas portuária e urbana da cidade. As obras foram divididas em duas etapas neste trecho.

Da Redação
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