Os bairros que apresentam maior número de casos, coincidentemente, também são os que mais apresentam recusa aos agentes de saúde. “Não há focos da dengue aqui”. “Estou ocupado”. “Volta mais tarde”. Essas são as desculpas mais comuns que os agentes da dengue da prefeitura de Santos recebem durante o trabalho de combate à prevenção do mosquito.
Realizando uma busca minuciosa de casa em casa por sinais das larvas do mosquito, eles têm enfrentado dificuldade para inspecionar as residências. Em dois bairros específicos essa dificuldade aumenta ainda mais.
Ponta da Praia e Embaré são regiões onde a equipe raramente consegue ter acesso às residências. Esses bairros estão entre os cinco que apresentam maiores índices de casos de dengue confirmados no Município. “Algumas pessoas têm medo que seja um assalto e receiam em deixar o agente entrar na casa”, explica o chefe de seção de controle de vetores de Santos, Marcelo Brena. “Além de uniformizados, os nossos agentes estão com crachás e há um número para qual o munícipe pode ligar confirmando se aquela pessoa é realmente um agente”, complementa.
Esse alto índice de recusa reflete diretamente no aumento do número de casos na região, pois, segundo Brena, 80% foco do mosquito é encontrado em residências e imóveis comerciais. “Ao contrário do que muitos pensam, não é em terreno baldio ou canais que o mosquito predomina, mas em áreas intra-domiciliares”, afirma.
O grande vilão, indica Brena, são os ralos pluviais, encontrados em quintais e edifícios, utilizados para a coleta de água de chuva. Os vasos de planta também têm importância, assim como materiais inutilizáveis encontrados em casas e terrenos.
Os 110 agentes da prefeitura são divididos por áreas e grupos. Com uma carga de 40 horas semanais, eles batem de porta e porta em busca do foco do mosquito. Além de residências, eles visitam obras em andamento, comércio e terrenos abandonados (quando os mesmos não estão trancados).
O material que cada um possui consiste em lanterna, para melhor visibilidade no escuro, picadeira para furar, inutilizar objetos e levantar tampas de ralos, e larvecida, utilizado apenas em locais onde o foco do mosquito não pode ser eliminado totalmente, como em calhas, por exemplo.
Quando conseguem convencer o morador de abrir a porta, eles realizam uma busca detalhada em vários locais da casa e, quando encontram foco, colhem uma amostra para análise. “O local onde mais encontramos foco do mosquito é em ralo e em vaso de planta. Quando chove, a pessoa esquece de verificar se há sobra de água”, comenta a agente encarregada do bairro do Embaré, Viviana Aloise Ferreira.
Além das visitas rotineiras às residências, os agentes também realizam um trabalho chamado de “bloqueio”, que consiste na visita à casa de pessoas que desenvolveram a doença. Esse controle é feito pela Vigilância Epidemiológica de Santos, que recebe de todas as unidades de atendimento médico da Cidade, seja ela municipal ou particular, uma notificação dos casos da doença. Essas notificações são distribuídas aos agentes, em suas respectivas áreas de atuação.
Após visitar a casa do paciente, os agentes precisam percorrer as nove quadras ao entorno da residência para verificar se há, ou não, possíveis focos de dengue naquela proximidade. “Fazemos uma entrevista com o morador para saber se ele visita outros lugares com frequência, como o trabalho ou escola, por exemplo. Caso positivo, o bloqueio também é feito nessas localidades”, explica Brena.
Essas visitas são ainda mais dificultadas pelos moradores que, em sua grande maioria, não aceitam que o foco do mosquito possa estar dentro de sua própria residência. “Eles falam que o foco está na casa do vizinho. Quando entramos na casa da pessoa, o foco estava lá e o vizinho não tinha indício algum. Isso acontece com certa frequência”, comenta Viviana Ferreira. Segundo a agente, isso ocorre principalmente em áreas onde o índice de recusa às visitas é alto, como nos bairros do Embaré e Ponta da Praia.
Por questão de segurança, a prefeitura disponibiliza o número 3225-2680, para que os munícipes confirmem se o agente é realmente da prefeitura. A informação é fornecida pelo próprio agente, na tentativa de facilitar a visita.