R$ 21 milhões. Esse foi o investimento que a Prefeitura de Santos realizou com a compra do antigo colégio Marista (antigo colégio Santista), em agosto de 2009.
A infraestrutura da escola é considerada uma das melhores da Cidade: 11.800m2 de área construída, três quadras e quatro andares com mais de 30 salas, além de laboratórios com equipamentos novos.
No anúncio da compra, a intenção da prefeitura era ampliar a oferta de vagas no Ensino Fundamental em período integral, instalar um curso técnico na área de petróleo e gás, abrir uma escola de música e transformar o espaço em um local de uso comunitário para a região do Centro, com opções de atividades educacionais, esportivas, culturais e de lazer.
No dia 26 de janeiro passado, a prefeitura inaugurou no local o Centro de Atividades Integradas – Cais, que atualmente atende alunos de Ensino Fundamental das escolas Avelino de Paz Vieira e José Bonifácio, no contraturno – período em que não estão em aulas regulares.
Os estudantes do período matutino são levados aos Cais no vespertino e os que estão na escola à tarde vão ao Centro pela manhã. No local, as crianças têm aulas complementares, como caratê, informática, música, dança, xadrez, dentre outras atividades recreativas.
Atualmente cerca de 200 crianças – que representa 10% da capacidade do local – são atendidas, mas a responsável pela gestão do espaço, Denise Albino, afirma que até o meio do ano o objetivo é que os restantes das crianças que estudam nas duas escolas sejam atendidas, totalizando aproximadamente mil estudantes.
“Quando os trabalhos com o Cais começaram, trouxemos apenas algumas crianças para experimentar o projeto. Agora que estamos preparados iremos trazer os demais alunos das duas unidades”, explica.
Segundo a secretária de Educação de Santos, Suely Maia, as dependências do Avelino e José Bonifácio não têm estrutura para abrigar os alunos durante todo o dia, por isso as dependências do Cais estão sendo utilizadas como apoio – já que a intenção é oferecer aos alunos de Ensino Fundamental do município educação no período integral. “O Cais é usado para as aulas complementares dos alunos dessas duas escolas, ampliando o tempo de permanência dessas crianças”, confirma a secretária .
Ao contrário da intenção da prefeitura no período de assinatura da compra do Marista, o colégio não será utilizado para a abertura de uma nova escola, logo, o número de vagas não será ampliado (pois os alunos atendidos serão apenas o das duas escolas próximas). “A intenção não é utilizar as dependências para uma escola nova em período integral. A ideia é utilizá-la como apoio às outras unidades de ensino daquela região”, afirma.
A assinatura do contrato de compra entre a instituição e o município rende algumas comparações com outras escolas de Ensino Fundamental integral já construídas em Santos. A Professor João Papa Sobrinho comporta cerca de 500 alunos e teve um investimento aproximado de R$ 5 milhões. Mantendo o raciocínio, o investimento de R$ 21 milhões realizado com a compra do Marista seria o suficiente para construir quatro escolas e atender a 2 mil crianças em período integral. “No Cais conseguiremos atender, no máximo, cerca de mil crianças. Porque, quando falamos em educação integral precisamos de salas extras”, afirma Denise.
Além de atender os alunos do Fundamental que estão no contraturno das escolas Avelino e José Bonifácio, os laboratórios de química e física do Cais são utilizados pelos alunos do Ensino Médio da escola Técnica Acácio de Paula Leite Sampaio, às quintas e sextas-feiras à noite.
O projeto Guri , montado em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura, desenvolve um trabalho socioeducativo que oferece cursos de iniciação e teoria musical, instrumentos de cordas, madeiras, sopro e percussão, e ocupa cinco salas,atendendo apenas alunos. “A intenção é abrir também para a comunidade, mas ainda não há previsão para que isso aconteça”, afirma Denise.
O espaço do Cais também abriga aulas da Universidade Aberta da Terceira Idade da Unifesp às terças e quintas à tarde, além de algumas salas que foram destinadas à Secretaria de Educação de Santos.
Seis salas são utilizadas para cursos e atividades profissionais da área. “Queremos transformas o Cais em um Centro de referência em Educação. Os cursos são para professores e funcionários da rede municipal de ensino”, ressalta Denise.
A infraestrutura que o local dispõe também poderia ser dividida com outras escolas municipais próximas. Como, por exemplo, a escola de educação infantil Maria Helena Roxo, próxima ao Mercado Municipal, que atende cerca de 120 crianças de 4 a 6 anos. Sem área de recreação, elas passam o dia todo dentro de salas de aulas, repletas de grades nas janelas.
A estrutura do antigo Marista dispõe de ampla área de recreação. Além do ginásio, há um pátio coberto, outro aberto e três quadras, sendo uma aberta. Atualmente, todo esse espaço, abriga apenas algumas aulas de educação física para as crianças que são atendidas no local.
Segundo a secretária de Educação, Suely Maia, aos finais de semana o local é aberto à comunidade para esportes. Na prática, não é isso que acontece. As quadras são utilizadas pelo Centro Social Lar Feliz, instituição mantida pelos Maristas, que realiza um trabalho esportivo com jovens e adultos, cadastrados, que residem na região dos cortiços.
Segundo a secretaria de Esportes não há projetos definidos sobre a utilização do espaço esportivo da instituição. A intenção é desenvolver escolas esportivas durante a semana. Porém, não há nada concreto sobre o assunto.