Ficar parado no trânsito, mesmo que por três minutos, é estressante para qualquer motorista. Em Santos, cenas de congestionamento acontecem com maior frequência. O que pode ser analisado de acordo com o número da frota da Cidade, que alcança hoje 241mil veículos.

Para os motoristas que estão indo ou voltando do trabalho, este tempo é irritante, mas no fundo não representa grande impacto. Agora imagina esta mesma situação com um motorista de carro de resgate do Corpo de Bombeiros ou de uma ambulância, onde um minuto pode ser o tempo necessário para salvar uma vida?
Sem saber quem é a vítima, eles agem da mesma maneira como se fosse para salvar um familiar. "Não sabemos quem está a nossa espera e o quanto está sofrendo. Sempre vou como se fosse para salvar minha mãe. No caso de uma parada respiratória, por exemplo, os segundos são decisivos", revela o motorista soldado Luciano de Araújo Moreira, que dirige carros de resgates há cinco anos.
A corrida contra o tempo começa quando a sirene de emergência é acionada. A partir daí, o carro de resgate tem a obrigação de já estar na rua em menos de um minuto. Em horários normais, o trajeto até o local do acidente é feito em, no máximo, três minutos. Porém, o tempo pode até quase triplicar em horários de pico, chegando a 8 minutos.
Nestes momentos, o tempo é relativo. Para quem está em direção ao acidente, estes minutos a mais passam rapidamente e para muita gente pode não representar nada, mas "para quem não consegue respirar, parece uma eternidade e pode ser fatal", lembra o sargento Fernando Antonio Rodrigues Ribeiro.
De acordo com o médico e chefe do Departamento de Atenção Pré-hospitalar e Hospitalar de Santos, Décio de Queiroz Telles Filho, muitas vidas que são salvas decorrem principalmente do tempo que se consegue prestar o primeiro atendimento.
"Vítimas que ficam presas em ferragens, que sofrem traumas cranianos, hemorragias, por exemplo, precisam do atendimento o quanto antes. Ato que segue três prioridades: salvar a vida da pessoa, depois minimizar as sequelas e manter todas as funções e, por último, a parte estética", ressalta Décio.
Corrida contra o tempo
A primeira impressão é que os veículos - seja do resgate ou de ambulâncias - vão a um milhão por hora, porém - segundo o motorista Luciano - a velocidade das vias é respeitada. "Temos que dirigir com cautela até para não causar um acidente no caminho", explica.
A adrenalina destes herois aumenta quando o fluxo está congestionado, algo que só tende a piorar. "Nas principais avenidas, como Ana Costa, Conselheiro Nébias e em ruas como a Goiás e a Carvalho de Mendonça, quando acontece algo nos horários de pico, o tempo do trajeto se prolonga", explica.Uma saída, de acordo com o militares, é utilizar cada vez mais o primeiro atendimento em motos, enquanto chega o resgate.
E não pense que tudo se acalma quando se chega até a vitíma. No local, são realizados os primeiros atendimentos de maneira precisa. Depois, existe um outro trajeto, a remoção da pessoa para o pronto-socorro municipal mais próximo ou, dependendo do caso, direto para Santa Casa de Santos.
Só então, o atendimento estará completo. Neste último trajeto, dependendo do caso, o veículo se dirige ao hospital de forma mais tranquila, sem ligar sirene nem a luz, porém, se forem casos graves, o estresse é o mesmo da primeira corrida.
Além do trânsito, outra questão importante, levantada pelo sargento Fernando e pelo soldado Luciano, é que muitas pessoas agem de maneira incorreta na hora de dar passagem à viatura. "Muitas se desesperam quando ouvem a sirene e ficam sem reação. Já tivemos que descer para falar com um senhor para ver se estava tudo bem, pois ele ficou paralisado no volante", lembra o sargento.
Trânsito
Segundo a chefe do Departamento de Regulação do Sistema de Saúde (Dereg), o comitê gestor funciona por meio da SAMU (sistema que ainda não tem operação completa na Cidade, e envolve segmentos como Corpo dos Bombeiros, hospitais, Ecovias, CET, para que medidas sejam tomadas a fim de minimizar o problema do tempo causado por conta do trânsito). "Uma das ideias é organizar um corredor, organizado pela CET, para facilitar a movimentação tanto dos veículos de resgate como das ambulâncias".
Como ajudar?
Um dos problemas, de acordo com o soldado Luciano e o comandante Fernando, é que muitas vezes as pessoas não sabem como agir ao ouvir a sirene. "Tem gente que sobe o carro na calçada, faz coisas absurdas. O importante é dar passagem, mas com cautela", explica Luciano. "Até porque não queremos causar outro acidente", acrescenta.
Liberar a pista da esquerda - O ideal é sempre dar passagem na pista da esquerda, pedindo espaço para os carros da direita e não ao contrário.
Ficar atento no trânsito -Às vezes, há a necessidade de se passar o sinal vermelho ou fazer ultrapassagens, mas o motorista, por conta do som alto no carro, acaba não ouvindo a sirene, contribuindo para atrasos e até riscos de acidentes.
Sinal vermelho - Nesta situação, a pessoa deve passar o sinal, mas com cautela. Caso tenha radar e a ambulância passar logo atrás, a multa é automaticamente cancelada. Se no momento que o resgate tiver passando, o sinal já estiver verde, a multa irá para o motorista, mas é possível recorrer. De acordo com o comandante Fernando, a pessoa pode vir até a corporação dos Bombeiros para verificar se a ocorrência procede para a elaboração de prova que inocente o motorista da multa.
"Samu regional ainda não funciona"
A Seção de Serviço Móvel de Atendimento de Urgência (Samu) - Regional Centro Norte (Santos, Guarujá e Bertioga) ainda não está em funcionamento pleno. Para a vereadora Cassandra Maroni (PT), as razões apresentadasa pela Secretaria de Saúde de Santos não explicam o motivo do sistema ainda não funcionar de maneira integrada.
De acordo com a chefe do Departamento de Regulação do Sistema de Saúde (Dereg) - o qual a Samu está subordinada - Maria Ligia Lyra Pereira, o sistema ainda não funciona de maneira completa, pois não foi concluído o processo de capacitação dos funcionários que trabalharão no local.
A central de chamada (192) já funciona no andar térreo do prédio (foto) da Rua Barão de Paranapiacaba, na Encruzilhada, mas não de maneira total. "A Samu é muito mais ampla do que as pessoas imaginam. No local, haverá um médico de plantão 24 horas para fazer a primeira triagem e decidir qual tipo de viatura será enviada ao local da ocorrência, por exemplo", ressalta.
Veículos parados
Em razão do impasse, as ambulâncias e as motolâncias disponibilizadas pelo Ministério da Saúde continuam paradas desde março do ano passado e estacionadas em uma área da Prefeitura, ainda sem data prevista para começarem a circular pela Cidade. Em relação as motolâncias, Maria Lygia explica quejá foi feito um recurso pedindo ao Ministério da Saúde mais três motos para que o atendimento possa ser realizado. "As motolâncias funcionam em dupla, não há como ter apenas uma por município.", revela. E elas só começarão a circular quando o o sistema for implantado, o que, segundo Maria Ligia, demanda tempo para completar a capacitação.
"Achamos as ambulâncias estragando num estacionamento perto da Santa Casa. É uma situação lamentável para a saúde da região e de Santos", adverte Cassandra. De acordo com Maria Ligia, esta situação reclamada pela vereadora não aconteceu, pois as ambulâncias não eram da Samu.
Minutos preciosos
Ficar parado no trânsito, mesmo que por três minutos, é estressante para qualquer motorista. Em Santos, cenas de congestionamento acontecem com maior frequência. O que pode ser analisado de acordo com o número da frota da Cidade, que alcança hoje 241mil veículos.

Para os motoristas que estão indo ou voltando do trabalho, este tempo é irritante, mas no fundo não representa grande impacto. Agora imagina esta mesma situação com um motorista de carro de resgate do Corpo de Bombeiros ou de uma ambulância, onde um minuto pode ser o tempo necessário para salvar uma vida?
Sem saber quem é a vítima, eles agem da mesma maneira como se fosse para salvar um familiar. “Não sabemos quem está a nossa espera e o quanto está sofrendo. Sempre vou como se fosse para salvar minha mãe. No caso de uma parada respiratória, por exemplo, os segundos são decisivos”, revela o motorista soldado Luciano de Araújo Moreira, que dirige carros de resgates há cinco anos.
A corrida contra o tempo começa quando a sirene de emergência é acionada. A partir daí, o carro de resgate tem a obrigação de já estar na rua em menos de um minuto. Em horários normais, o trajeto até o local do acidente é feito em, no máximo, três minutos. Porém, o tempo pode até quase triplicar em horários de pico, chegando a 8 minutos.
Nestes momentos, o tempo é relativo. Para quem está em direção ao acidente, estes minutos a mais passam rapidamente e para muita gente pode não representar nada, mas “para quem não consegue respirar, parece uma eternidade e pode ser fatal”, lembra o sargento Fernando Antonio Rodrigues Ribeiro.
De acordo com o médico e chefe do Departamento de Atenção Pré-hospitalar e Hospitalar de Santos, Décio de Queiroz Telles Filho, muitas vidas que são salvas decorrem principalmente do tempo que se consegue prestar o primeiro atendimento.
“Vítimas que ficam presas em ferragens, que sofrem traumas cranianos, hemorragias, por exemplo, precisam do atendimento o quanto antes. Ato que segue três prioridades: salvar a vida da pessoa, depois minimizar as sequelas e manter todas as funções e, por último, a parte estética”, ressalta Décio.
Corrida contra o tempo
A primeira impressão é que os veículos – seja do resgate ou de ambulâncias – vão a um milhão por hora, porém – segundo o motorista Luciano – a velocidade das vias é respeitada. “Temos que dirigir com cautela até para não causar um acidente no caminho”, explica.
A adrenalina destes herois aumenta quando o fluxo está congestionado, algo que só tende a piorar. “Nas principais avenidas, como Ana Costa, Conselheiro Nébias e em ruas como a Goiás e a Carvalho de Mendonça, quando acontece algo nos horários de pico, o tempo do trajeto se prolonga”, explica.Uma saída, de acordo com o militares, é utilizar cada vez mais o primeiro atendimento em motos, enquanto chega o resgate.
E não pense que tudo se acalma quando se chega até a vitíma. No local, são realizados os primeiros atendimentos de maneira precisa. Depois, existe um outro trajeto, a remoção da pessoa para o pronto-socorro municipal mais próximo ou, dependendo do caso, direto para Santa Casa de Santos.
Só então, o atendimento estará completo. Neste último trajeto, dependendo do caso, o veículo se dirige ao hospital de forma mais tranquila, sem ligar sirene nem a luz, porém, se forem casos graves, o estresse é o mesmo da primeira corrida.
Além do trânsito, outra questão importante, levantada pelo sargento Fernando e pelo soldado Luciano, é que muitas pessoas agem de maneira incorreta na hora de dar passagem à viatura. “Muitas se desesperam quando ouvem a sirene e ficam sem reação. Já tivemos que descer para falar com um senhor para ver se estava tudo bem, pois ele ficou paralisado no volante”, lembra o sargento.
Trânsito
Segundo a chefe do Departamento de Regulação do Sistema de Saúde (Dereg), o comitê gestor funciona por meio da SAMU (sistema que ainda não tem operação completa na Cidade, e envolve segmentos como Corpo dos Bombeiros, hospitais, Ecovias, CET, para que medidas sejam tomadas a fim de minimizar o problema do tempo causado por conta do trânsito). “Uma das ideias é organizar um corredor, organizado pela CET, para facilitar a movimentação tanto dos veículos de resgate como das ambulâncias”.
Como ajudar?
Um dos problemas, de acordo com o soldado Luciano e o comandante Fernando, é que muitas vezes as pessoas não sabem como agir ao ouvir a sirene. “Tem gente que sobe o carro na calçada, faz coisas absurdas. O importante é dar passagem, mas com cautela”, explica Luciano. “Até porque não queremos causar outro acidente”, acrescenta.
Liberar a pista da esquerda – O ideal é sempre dar passagem na pista da esquerda, pedindo espaço para os carros da direita e não ao contrário.
Ficar atento no trânsito –Às vezes, há a necessidade de se passar o sinal vermelho ou fazer ultrapassagens, mas o motorista, por conta do som alto no carro, acaba não ouvindo a sirene, contribuindo para atrasos e até riscos de acidentes.
Sinal vermelho – Nesta situação, a pessoa deve passar o sinal, mas com cautela. Caso tenha radar e a ambulância passar logo atrás, a multa é automaticamente cancelada. Se no momento que o resgate tiver passando, o sinal já estiver verde, a multa irá para o motorista, mas é possível recorrer. De acordo com o comandante Fernando, a pessoa pode vir até a corporação dos Bombeiros para verificar se a ocorrência procede para a elaboração de prova que inocente o motorista da multa.
“Samu regional ainda não funciona”
A Seção de Serviço Móvel de Atendimento de Urgência (Samu) – Regional Centro Norte (Santos, Guarujá e Bertioga) ainda não está em funcionamento pleno. Para a vereadora Cassandra Maroni (PT), as razões apresentadasa pela Secretaria de Saúde de Santos não explicam o motivo do sistema ainda não funcionar de maneira integrada.
De acordo com a chefe do Departamento de Regulação do Sistema de Saúde (Dereg) – o qual a Samu está subordinada – Maria Ligia Lyra Pereira, o sistema ainda não funciona de maneira completa, pois não foi concluído o processo de capacitação dos funcionários que trabalharão no local.
A central de chamada (192) já funciona no andar térreo do prédio (foto) da Rua Barão de Paranapiacaba, na Encruzilhada, mas não de maneira total. “A Samu é muito mais ampla do que as pessoas imaginam. No local, haverá um médico de plantão 24 horas para fazer a primeira triagem e decidir qual tipo de viatura será enviada ao local da ocorrência, por exemplo”, ressalta.
Veículos parados
Em razão do impasse, as ambulâncias e as motolâncias disponibilizadas pelo Ministério da Saúde continuam paradas desde março do ano passado e estacionadas em uma área da Prefeitura, ainda sem data prevista para começarem a circular pela Cidade. Em relação as motolâncias, Maria Lygia explica quejá foi feito um recurso pedindo ao Ministério da Saúde mais três motos para que o atendimento possa ser realizado. “As motolâncias funcionam em dupla, não há como ter apenas uma por município.”, revela. E elas só começarão a circular quando o o sistema for implantado, o que, segundo Maria Ligia, demanda tempo para completar a capacitação.
“Achamos as ambulâncias estragando num estacionamento perto da Santa Casa. É uma situação lamentável para a saúde da região e de Santos”, adverte Cassandra. De acordo com Maria Ligia, esta situação reclamada pela vereadora não aconteceu, pois as ambulâncias não eram da Samu.