Por que o sr. quer ser prefeito?
Sou um cara movido a desafios. Comecei a lecionar aos 19 anos em uma escola pública de Cubatão. Mas, quando tive o sucesso eleitoral na eleição de 2000, saindo por aí com uma bicicleta, vi que as pessoas perceberam esse diferencial que quis trazer para a política. Sempre fiz campanhas simples porque acredito que temos que desconstruir a relação candidato-produto / eleitor consumidor. Fui eleito três vezes para vereador, fiz mais de 17 mil votos na eleição para deputado estadual em 2006 e agora, com 46 anos, estou em um momento muito zen na minha vida. Estou preparado para enfrentar os desafios que um gestor público tem que enfrentar. Primeiro, de montar a equipe e, depois, envolver, de fato, a sociedade na governança. A governança difere do governo justamente pelo nível de participação da sociedade. O santista tem um estilo, uma característica. Conheço cada canto da cidade, da favela até o setor da construção civil. Além dos meus alunos, que são mais de 27 mil só aqui na cidade. Se as pessoas souberem quem eu sou e não votarem em mim, eu entendo. O que não concebo é que não conheçam o Fabião e deixem de votar. A escolha do santista vai refletir o momento que vivemos: se vai ser alguém com perfil mais conservador ou arrojado.
Qual será a bandeira da campanha?
A justiça social. Não existe felicidade se não for coletiva. Temos um nível de desigualdade gritante na sociedade, em uma cidade que já chegou aos 6% de nível de desemprego recentemente, algo muito bom. Essa multiplicação do emprego foi baseada na questão dos serviços, a qualificação do segundo setor foi importante, como as empresas que se fixaram aqui com atendimento de telemarketing, por exemplo. Além disso, defendo uma comunicação plena. É impossível conceber o formato de ouvidoria que a nossa cidade tem hoje em dia. Um lugar onde 78% de santistas têm acesso à internet e não haver um portal de comunicação entre os munícipes é muito triste. Para isso, a gente designou a Plataforma de Comunicação Social Digital no nosso governo.
 |
| "Um lugar onde 78% de santistas têm acesso à internet e não haver um portal de comunicação entre os munícipes é muito triste" |
O grande desafio é aliar a expansão econômica à qualidade de vida?
Sem dúvida. Esse é o princípio do desenvolvimento sustentável. Mas, o que é qualidade de vida? Tem pessoas que são extremamente urbanas e não podem ficar cinco dias sem internet, sem ouvir um barulho de ambulância. As pessoas que optaram por viver na área urbana tem que ter um tom de percepção de qualidade de vida. Aqui já se viveu aquela crise: se Santos é uma grande cidade pequena ou uma pequena cidade grande. Hoje, decididamente, somos a segunda opção. Como debater transporte coletivo público, em uma cidade que tem o maior número de carros por habitante? Você tem que ter um transporte coletivo de excelência para que o proprietário de veículo particular abra mão deste deslocamento, que possa conviver com as pessoas. Quero que o cidadão santista ocupe as ruas. O conceito de qualidade de vida que acho que o santista tinha era esse: andar três ou quatro quadras e cumprimentar cinco, seis pessoas. Essa identidade do santista que precisamos saber.
Como fazer o santista viver este momento de desenvolvimento e não ficar à margem dele? A plataforma de comunicação ajudaria?
Acho que sim. Hoje as pessoas guardam em baixo do tanque uma lata de tinta com dois dedos e deixam lá. Por que não aproveitar e pintar o poste em frente à sua casa? Fecharmos as ruas e fazermos atividades de lazer? Isso dá segurança. É uma questão postural, para quebrar esse conceito de cidade grande e fria. Essa plataforma não tem que ser policialesca e cerceadora de direitos. É um convite para que o santista se abra para a cidade. Vou editar um perfil falando quem eu sou. Para um gestor público, aliado com especialistas na área de tecnologia da informação, poderemos, de acordo com o perfil, oferecer serviços para a população e fazer gestão destes dados. Perguntar: “sua calçada está em ordem”? Ele responderá sim ou não. “Você participaria de um mutirão para arrumar a calçada da sua esquina?”. E isso deixaria o morador mais integrado com a cidade. Por que isso não existe? Porque o governo tem que estar preparado para dar essa resposta à população. O desenho da cidade se dá quando se cria um ambiente diferenciado. Você pode fazer a restrição do estacionamento de automóveis no Centro, aí o cara vai pensar duas vezes em ir para lá de carro. Mas para dar certo, tem que haver um transporte público de qualidade, o que não existe ainda.
Segundo pesquisa da Enfoque/Boqnews, para 42% dos santistas a área que deve ser priorizada pelo próximo prefeito é a saúde. Como o sr. analisa esse dado?
Esse dado é interessante. A estimativa de pessoas que contratam serviços privados de saúde em Santos é de quase 60%. Se esta é uma das cidades onde as pessoas mais investem dinheiro na saúde privada e 19% do orçamento é destinado a esta área, estamos tendo um atendimento aquém da excelência. A luz vermelha está acesa. Não dá pra justificar que seja em função da falta de gestão. É uma retórica de todos os candidatos falarem em humanização, porque esse é o caminho real. O indivíduo, quando entra no serviço de saúde, está altamente fragilizado. Com uma suspeita de doença viral, dor intensa... O acolhimento deste cidadão tem que ser extremamente humanizado. Quando a gente fala de saúde, falamos da vigilância epidemiológica, sanitária e toda a parte de suporte prática. Sinto que hoje, a dificuldade de segurar o profissional dentro do sistema, por causa da diferença de salários, é o grande desafio de gestão. Você tem que garantir que este profissional tenha identidade com o serviço público.
Uma ação do Governo atual que será concluída no mandato do próximo prefeito é o funcionamento do Hospital dos Estivadores. O que o sr. pensa para lá?
Foi uma aquisição acertada. A demanda que sinto da sociedade, e tenho ouvido muito as pessoas, é a implantação de um hospital de clínicas na cidade-polo, e também acho super justo e mais que necessário. O prédio foi concebido em termos arquitetônicos para ser um hospital e não se pode deixar transformá-lo em outro equipamento. O que me deixa triste é ver recentemente o diretor do ERSA (Escritório Regional de Saúde do Estado) vir às câmeras de TV e confirmar um déficit de 70 leitos na cidade. Eles (Governo do Estado) estão habituados com poder e perderam o frescor, o visco. Falta muito para termos um estado de excelência na saúde em São Paulo e há muita gente na sociedade descrente que isso pode melhorar.
Na sua plataforma de Governo consta a criação de uma Unidade de Saúde Ambiental. O que seria?
Em Santos, há índices alarmantes de neoplasias de cânceres e isso mostra a fragilidade do nosso ambiente aqui na ilha. Estabelecer um escritório de gestão para buscar os dados é importante. A Cetesb tem duas unidades de monitoramento do ar e de material particulado na cidade, no Hospital Guilherme Álvaro e no Rebouças. Esses dados têm que ser tabulados. Ou seja: aparentemente o ar de Santos está bom, mas, em função do corredor de exportação, do aumento da frota de veículos e caminhões, tudo é extremamente agressivo para as pessoas. Creio que esta política diferenciada tem que ser feita aqui, uma das cidades mais conurbadas do Brasil. A cidade está totalmente impermeabilizada, concretada. Rearborizar Santos é um plano genial e começamos pelo canal 7, quando fui secretário de Meio Ambiente.
Hoje, um dos principais problemas da Cidade é o trânsito. Na sua opinião, Santos caminha para o rodízio?
Eu gosto do formato do rodízio, que chamo de rodízio ambiental com consequências logísticas. Algumas pessoas falam em cerceamentos de direitos, mas se você abrir mão de utilizar o seu veículo durante um dia da semana dará uma parcela de contribuição para uma cidade que está conurbada. Quem vai dizer se está no momento certo ou não são os técnicos e a própria sociedade. Vale muito mais a pena a gente apostar. Fiz essa provocação em 2007, para fazermos isso por três meses, no período de inverno, quando o ar está seco. Mas tem muita coisa para fazer antes do rodízio. Hoje são, aproximadamente, 23 linhas que passam pela orla. Essa sobreposição de linhas me parece equivocada. Se você está no canal 6 e tem que pegar um ônibus para a Conselheiro (Nébias), vai esperar um ônibus que entre na avenida. No tempo que está lá passou o coletivo para diversos lugares e você não embarcou. A ideia das linhas troncais é boa e Santos não teve audácia gerencial para peitar a empresa permissionária e questionar: cadê o sistema? A lógica do processo é: quem está na praia, pegar o primeiro ônibus que passar, que fará o trajeto Ferry Boat-Divisa, ida e volta. Aí você desce na estação intermodal da Conselheiro e pega outro ônibus, integrado, que vai e volta até o Centro. Mesmo que tenha que fazer três ou quatro baldeações será mais rápido que embarcando em um circular.
 |
| Algumas pessoas falam em cerceamentos de direitos, mas se você abrir mão de utilizar o seu veículo durante um dia da semana dará uma parcela de contribuição para uma cidade que está conurbada |
O que fazer para eliminar os gargalos que se formam na Cidade? O túnel ajudaria?
Para os grandes gargalos de circulação de veículos há linhas optantes, esplanadas de pistas, como São Paulo faz na Radial Leste. Se o fluxo maior é de entrada, você abre as pistas e vai adaptando conforme o tráfego. Isso é simples de fazer. Agora, na área da entrada de Santos, onde está a avenida dos Bandeirantes, o elefante branco, é preciso fazer um mini-cebolão, onde você tenha viadutos para não ter interferência de semáforos ou cruzamentos de vias. Um estudante do terceiro ano de Engenharia saberia disso. Em 16 anos que tivemos prefeitos engenheiros em Santos, nós lembramos de alguma grande obra de infraestrutura feita na cidade? A perimetral? A ciclovia? Eu sinto, principalmente nestes últimos oito anos de governo, que grandes projetos audaciosos foram feitos, só que o simples não. Se eu fizer um túnel ligando Santos a Santos, a captação de dinheiro estadual será difícil. Agora, um túnel entre Santos-São Vicente será uma obra metropolitana, feita Marapé-Vila São Jorge, próxima à Linha Vermelha, que vai atender a Zona Noroeste. Essas integrações viárias são obras imediatas.
Outra questão que incomoda o santista é a segurança. Como prefeito, quais medidas preventivas adotará ?
Um dos principais males da humanidade hoje é a Síndrome do Pânico. Todo mundo tem medo e ele vira pânico quando há um medo exacerbado. Nas grandes cidades, há um número elevado de indivíduos com essa síndrome. Ter medo é uma forma instintiva de preservar a vida. Hoje a gente se surpreende com as imagens captadas por circuitos de segurança. Por que não criar um sistema que integre todas elas? O cidadão de bem não tem o que temer. As pessoas estão construindo bunkers com câmeras, biometria facial, digitais... Pode ser um discurso de um sonhador? Sim. Mas isso tem que ser dito. É numa cidade onde eles (bandidos) estão aí, você tem que ter postura. São Paulo peitou a ação delegada e acho que Santos poderia fazer isso. Que os policiais durante a folga trabalhem registrados, com banco de horas, pois isso vai fortalecer a Guarda Municipal, estabelecer uma relação bacana, cidadã. A criação da Secretaria de Segurança foi muito acertada. Temos 113 pontos crônicos de descarte de detritos, áreas onde há uma grande vulnerabilidade social. O cidadão passa por lá, não tem ninguém, não mora ninguém... O maior exemplo de desordem física e social da cidade é a Hospedaria dos Imigrantes, um local atrativo de problemas. A cidade produz essas áreas por ausência do Estado.
As minicracolândias se espalham pela cidade. O que fazer para a prevenção e tratamento dos usuários?
Temos que abordar essa questão, que é um ponto de saúde coletivo. Esse indivíduo que, de alguma maneira, teve o gatilho para usar a droga. Em Santos, foi implantado o Consultório de Rua, com os moradores destas áreas de alta vulnerabilidade e é extremamente acertado, pois a abordagem precisa ser feita por alguém que conheça aquela realidade para dar segurança ao usuário. A cidade tem que ter isso tabulado. Esse caminho parece ser algo acolhedor para esse ser humano.
Como o sr. vê a relação da cidade com o porto?
Eu acho que não está perfeita. Propagou-se muito isso de forma equivocada. É a mesma coisa que falar que em Santos não há problemas, sendo que existem muitas vulnerabilidades. Tudo que foi feito até agora foi feito com planejamento, compromisso público, mas tem muita coisa a se fazer. O ISPS Code acabou sendo uma ferramenta de segurança para o ambiente portuário, ajudando que conflitos não aconteçam, mas ajudou a segregar a área do restante da cidade. Se você sai por aí, pouquíssimas pessoas conhecem o ambiente portuário. O porto de Santos tem que mostrar o que está fazendo, ampliar a relação portuária com o resto do município. Eu aposto em um processo tecnológico do porto e um plano de zoneamento que está pra sair. Espero que o próximo prefeito reacenda essa discussão de relação portuária.
 |
| Propagou-se muito isso de forma equivocada. É a mesma coisa que falar que em Santos não há problemas, sendo que existem muitas vulnerabilidades |
A prefeitura implantou um novo Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos. É o bastante para motivar o servidor ?
Se é o bastante eu não sei. Mas acompanhei nos últimos 10, 12 anos essas discussões com bastante intensidade, pois tive vários planos na mão produzidos por sindicatos e empresas contratadas e sinto que foi um sucesso. Algumas categorias ficaram à margem do que se esperava, vieram até me procurar, como as área de educação e de serviços. O funcionário, quando se identifica com a equipe gestora e técnica, integra uma evolução do funcionalismo. O grande desafio do prefeito é estabelecer essa relação de cumplicidade entre a equipe gestora e a de trabalhadores públicos.
Outra ação do atual Governo que será concluída no próximo mandato será o Santos Novos Tempos. Como o sr. avalia a execução do projeto?.
Que obras? (risos). Na realidade, trata-se de um projeto de macrodrenagem que, quando construído, foi acoplado ao PAC Habitação. É bom falar que esse dinheiro que a prefeitura está pegando emprestado pelo BID vai ser pago em 20 anos. É uma obra com dinheiro da cidade de Santos, estratégica. Sinto que a nova equipe que vai trabalhar até 2015 vai ter que se debruçar nele. Grande parte dos técnicos que trabalharam neste projeto são funcionários de carreira da prefeitura. E uma das preocupações é a descontinuidade. O mais importante é que os moradores que vão se beneficiar deste projeto acham isso um mito.
O que fazer para sanar a questão da distribuição das vagas nas creches?
Esse dimensionamento é interessante. Uma cidade turística que tem atividade laboral sábado e domingo tem que ter creches nos finais de semana. Se tivermos que construir quatro, cinco ou seis, esse dimensionamento será feito pela equipe técnica. Creches no final de semana e noturnas são prioridades, porque existem pessoas que precisam. Uns acham que a pessoa vai abusar, deixar a criança lá 24 horas, mas isso não existe. Deve haver um acompanhamento. É um passo novo na cidade de Santos que deve ser dado. Um dos projetos mais ambiciosos de educação que gosto de comentar é o projeto de corporeidade e ambidesteridade, onde o indivíduo tem habilidade motora com as duas partes do corpo de maneira igual. Imagina se dentro do ambiente escolar isso fosse estimulado como política pública. Pode ser a ferramenta da construção de uma geração preparada para esse novo mundo. Essa familiarização com o mundo tecnológico aliada às habilidades motoras é uma forma genial.
Os pais têm reclamado muito da falta de professores...
Temos na cidade atualmente 80 Unidades Municipais de Ensino (UMEs), algumas tiveram o desempenho no Ideb muito aquém e outras não, como o Florestan Fernandes, que atingiu a meta que o Governo Federal previa para 2017. Essa garantia de fixação do professor, onde ele vai acompanhar a turma, me parece ser algo estratégico para a gestão da escola pública. E, de fato, hoje você deve reconhecer e valorizar a função do professorado. O número de faltas ocorre em função da carga de trabalho muito além da capacidade humana. Você deve criar uma dinâmica onde o professor tenha uma carga de 40 aulas semanais e não precise fazer essa carga extenuante.
População de Santos tem 19% de idosos. Quais projetos para esta área?
Pela bagagem de vida eles têm muita sabedoria, sapiência. Esses idosos são patrimônio humano da cidade, pessoas que construíram Santos. São pessoas que fala: poxa, se chegamos até aqui foi com o meu suor, a minha luta pela democracia. Quando uma cidade valoriza o seu idoso, ela fica preparada para lidar com o futuro. Uma das coisas mais delicadas é o número baixíssimo de vagas para atender idosos em situação de vulnerabilidade, de famílias carentes. O número de vagas ainda é baixo e essas famílias precisam de apoio. Projetos de memória imaterial, com todas as lembranças que elas têm.
Balneabilidade: mais de 60% do tempo no ano passado as praias da cidade estavam impróprias. O que fazer para solucionar este problema?
Primeiro ponto: o projeto Canal Limpo, que envolve a prefeitura, a Prodesan e a Sabesp já tem 17 anos e precisa ser renovado, incrementado. Esse projeto teve um grande avanço e o mais rastreado é o canal 4. Eu, com biólogo, considero que o conceito de balneabilidade é um conceito exaurido, o que temos que debater é um conceito de saúde ambiental do Estuário. O que é isso? Não dá pra falar de melhoria de qualidade da água e do ambiente praial enquanto não se exigir da Sabesp um contrato com a Prefeitura para a implantação de uma Estação de Tratamento de Esgoto do projeto Onda Limpa. Sabe quando isso vai sair? Em 2017. Toda poluição sistêmica está acontecendo. Todas as favelas que estão do lado de Guarujá, Santos e São Vicente são contribuintes para essa contaminação? Sim, e muito. Então, quando desenvolvemos um projeto efetivo de erradicação destas moradias, temos um ganho ambiental imediato. É absolutamente paradoxal, pois Santos recebeu no ano passado um título do instituto Trata Brasil como a primeira cidade com mais de 300 mil habitantes por conta da coleta de esgoto. Hoje, 98% são tratados. Os outros 2% estão nas palafitas, e o caminho é o seguinte: eles são lançados no rio do Brugre, seguem pelo rio Casqueiro, entram no Estuário e saem na Baía de Santos.
Santos escolhida oficialmente pela Fifa para ser subsede da Copa de 2014. A estrutura está preparada para o evento?
Vou fazer uma análise comparativa com o que foi os Jogos de Londres. Eu me preocupo muito com o aporte de dinheiro público para eventos internacionais, tenho certo desconforto pelo tipo de políticas adotadas pra isso. Numa cidade com Santos, criar mega-estruturas para esse tipo de eventos que podem ser perenes. Mas hoje, com as vulnerabilidades que a gente tem, devemos pensar no posto de vista estratégico. Não é ser pessimista, é do ponto de vista de gestão. Estabelecer prioridades me parece o tom dessas políticas. Estamos numa cidade que tem uma estrutura muito significativa. E se ela foi polida, for melhorada, você terá como receber os turistas. Se essas ações da Copa estiverem no guarda-chuva da inclusão social é um dinheiro que aparentemente não tem haver, mas tem que estar ligado. Mesmo que essa obra de insfraestrtura esteja vinculada a uma copa o uma olimpíada, ela não deixa de ser um investimento de qualidade no desenvolvimento da cidade. A lógica não é tomar decisão por um lado, excluindo os outros.
O PSB não consegiu fechar alianças para o primeiro turno. Como fazer uma campanha num "voo solo"?
Mesmo não tendo um grande arco de alianças, nós temos 32 candidatos a vereador no partido e esse processo é de uma riqueza partidária muito grande. Essas pessoas são idealistas. Os partidos que hoje fazem essas composições são de baixíssima representatividade. Muitos são micropartidos cartoriais, que negociam abertamente o tempo de TV. É preciso fazer um escárnio disso. Esperava que quando o Brasil chegasse neste momento político já tivesse feito uma reforma para evitar que três deputados eleitos em 2010 (Telma de Souza, Beto Mansur e Paulo Alexandre) abrissem mão de continuar seus mandatos para oferecer o nome a prefeito. Uma chapa pura dá liberdade. Talvez, o futuro prefeito possa ter dificuldades de contemplar esse arco de alianças, assim como teve a Dilma (Rousseff), que mandou sete ministros embora.
Por que o sr. quer ser prefeito?
Sou um cara movido a desafios. Comecei a lecionar aos 19 anos em uma escola pública de Cubatão. Mas, quando tive o sucesso eleitoral na eleição de 2000, saindo por aí com uma bicicleta, vi que as pessoas perceberam esse diferencial que quis trazer para a política. Sempre fiz campanhas simples porque acredito que temos que desconstruir a relação candidato-produto / eleitor consumidor. Fui eleito três vezes para vereador, fiz mais de 17 mil votos na eleição para deputado estadual em 2006 e agora, com 46 anos, estou em um momento muito zen na minha vida. Estou preparado para enfrentar os desafios que um gestor público tem que enfrentar. Primeiro, de montar a equipe e, depois, envolver, de fato, a sociedade na governança. A governança difere do governo justamente pelo nível de participação da sociedade. O santista tem um estilo, uma característica. Conheço cada canto da cidade, da favela até o setor da construção civil. Além dos meus alunos, que são mais de 27 mil só aqui na cidade. Se as pessoas souberem quem eu sou e não votarem em mim, eu entendo. O que não concebo é que não conheçam o Fabião e deixem de votar. A escolha do santista vai refletir o momento que vivemos: se vai ser alguém com perfil mais conservador ou arrojado.
Qual será a bandeira da campanha?
A justiça social. Não existe felicidade se não for coletiva. Temos um nível de desigualdade gritante na sociedade, em uma cidade que já chegou aos 6% de nível de desemprego recentemente, algo muito bom. Essa multiplicação do emprego foi baseada na questão dos serviços, a qualificação do segundo setor foi importante, como as empresas que se fixaram aqui com atendimento de telemarketing, por exemplo. Além disso, defendo uma comunicação plena. É impossível conceber o formato de ouvidoria que a nossa cidade tem hoje em dia. Um lugar onde 78% de santistas têm acesso à internet e não haver um portal de comunicação entre os munícipes é muito triste. Para isso, a gente designou a Plataforma de Comunicação Social Digital no nosso governo.
 |
| “Um lugar onde 78% de santistas têm acesso à internet e não haver um portal de comunicação entre os munícipes é muito triste” |
O grande desafio é aliar a expansão econômica à qualidade de vida?
Sem dúvida. Esse é o princípio do desenvolvimento sustentável. Mas, o que é qualidade de vida? Tem pessoas que são extremamente urbanas e não podem ficar cinco dias sem internet, sem ouvir um barulho de ambulância. As pessoas que optaram por viver na área urbana tem que ter um tom de percepção de qualidade de vida. Aqui já se viveu aquela crise: se Santos é uma grande cidade pequena ou uma pequena cidade grande. Hoje, decididamente, somos a segunda opção. Como debater transporte coletivo público, em uma cidade que tem o maior número de carros por habitante? Você tem que ter um transporte coletivo de excelência para que o proprietário de veículo particular abra mão deste deslocamento, que possa conviver com as pessoas. Quero que o cidadão santista ocupe as ruas. O conceito de qualidade de vida que acho que o santista tinha era esse: andar três ou quatro quadras e cumprimentar cinco, seis pessoas. Essa identidade do santista que precisamos saber.
Como fazer o santista viver este momento de desenvolvimento e não ficar à margem dele? A plataforma de comunicação ajudaria?
Acho que sim. Hoje as pessoas guardam em baixo do tanque uma lata de tinta com dois dedos e deixam lá. Por que não aproveitar e pintar o poste em frente à sua casa? Fecharmos as ruas e fazermos atividades de lazer? Isso dá segurança. É uma questão postural, para quebrar esse conceito de cidade grande e fria. Essa plataforma não tem que ser policialesca e cerceadora de direitos. É um convite para que o santista se abra para a cidade. Vou editar um perfil falando quem eu sou. Para um gestor público, aliado com especialistas na área de tecnologia da informação, poderemos, de acordo com o perfil, oferecer serviços para a população e fazer gestão destes dados. Perguntar: “sua calçada está em ordem”? Ele responderá sim ou não. “Você participaria de um mutirão para arrumar a calçada da sua esquina?”. E isso deixaria o morador mais integrado com a cidade. Por que isso não existe? Porque o governo tem que estar preparado para dar essa resposta à população. O desenho da cidade se dá quando se cria um ambiente diferenciado. Você pode fazer a restrição do estacionamento de automóveis no Centro, aí o cara vai pensar duas vezes em ir para lá de carro. Mas para dar certo, tem que haver um transporte público de qualidade, o que não existe ainda.
Segundo pesquisa da Enfoque/Boqnews, para 42% dos santistas a área que deve ser priorizada pelo próximo prefeito é a saúde. Como o sr. analisa esse dado?
Esse dado é interessante. A estimativa de pessoas que contratam serviços privados de saúde em Santos é de quase 60%. Se esta é uma das cidades onde as pessoas mais investem dinheiro na saúde privada e 19% do orçamento é destinado a esta área, estamos tendo um atendimento aquém da excelência. A luz vermelha está acesa. Não dá pra justificar que seja em função da falta de gestão. É uma retórica de todos os candidatos falarem em humanização, porque esse é o caminho real. O indivíduo, quando entra no serviço de saúde, está altamente fragilizado. Com uma suspeita de doença viral, dor intensa… O acolhimento deste cidadão tem que ser extremamente humanizado. Quando a gente fala de saúde, falamos da vigilância epidemiológica, sanitária e toda a parte de suporte prática. Sinto que hoje, a dificuldade de segurar o profissional dentro do sistema, por causa da diferença de salários, é o grande desafio de gestão. Você tem que garantir que este profissional tenha identidade com o serviço público.
Uma ação do Governo atual que será concluída no mandato do próximo prefeito é o funcionamento do Hospital dos Estivadores. O que o sr. pensa para lá?
Foi uma aquisição acertada. A demanda que sinto da sociedade, e tenho ouvido muito as pessoas, é a implantação de um hospital de clínicas na cidade-polo, e também acho super justo e mais que necessário. O prédio foi concebido em termos arquitetônicos para ser um hospital e não se pode deixar transformá-lo em outro equipamento. O que me deixa triste é ver recentemente o diretor do ERSA (Escritório Regional de Saúde do Estado) vir às câmeras de TV e confirmar um déficit de 70 leitos na cidade. Eles (Governo do Estado) estão habituados com poder e perderam o frescor, o visco. Falta muito para termos um estado de excelência na saúde em São Paulo e há muita gente na sociedade descrente que isso pode melhorar.
Na sua plataforma de Governo consta a criação de uma Unidade de Saúde Ambiental. O que seria?
Em Santos, há índices alarmantes de neoplasias de cânceres e isso mostra a fragilidade do nosso ambiente aqui na ilha. Estabelecer um escritório de gestão para buscar os dados é importante. A Cetesb tem duas unidades de monitoramento do ar e de material particulado na cidade, no Hospital Guilherme Álvaro e no Rebouças. Esses dados têm que ser tabulados. Ou seja: aparentemente o ar de Santos está bom, mas, em função do corredor de exportação, do aumento da frota de veículos e caminhões, tudo é extremamente agressivo para as pessoas. Creio que esta política diferenciada tem que ser feita aqui, uma das cidades mais conurbadas do Brasil. A cidade está totalmente impermeabilizada, concretada. Rearborizar Santos é um plano genial e começamos pelo canal 7, quando fui secretário de Meio Ambiente.
Hoje, um dos principais problemas da Cidade é o trânsito. Na sua opinião, Santos caminha para o rodízio?
Eu gosto do formato do rodízio, que chamo de rodízio ambiental com consequências logísticas. Algumas pessoas falam em cerceamentos de direitos, mas se você abrir mão de utilizar o seu veículo durante um dia da semana dará uma parcela de contribuição para uma cidade que está conurbada. Quem vai dizer se está no momento certo ou não são os técnicos e a própria sociedade. Vale muito mais a pena a gente apostar. Fiz essa provocação em 2007, para fazermos isso por três meses, no período de inverno, quando o ar está seco. Mas tem muita coisa para fazer antes do rodízio. Hoje são, aproximadamente, 23 linhas que passam pela orla. Essa sobreposição de linhas me parece equivocada. Se você está no canal 6 e tem que pegar um ônibus para a Conselheiro (Nébias), vai esperar um ônibus que entre na avenida. No tempo que está lá passou o coletivo para diversos lugares e você não embarcou. A ideia das linhas troncais é boa e Santos não teve audácia gerencial para peitar a empresa permissionária e questionar: cadê o sistema? A lógica do processo é: quem está na praia, pegar o primeiro ônibus que passar, que fará o trajeto Ferry Boat-Divisa, ida e volta. Aí você desce na estação intermodal da Conselheiro e pega outro ônibus, integrado, que vai e volta até o Centro. Mesmo que tenha que fazer três ou quatro baldeações será mais rápido que embarcando em um circular.
 |
| Algumas pessoas falam em cerceamentos de direitos, mas se você abrir mão de utilizar o seu veículo durante um dia da semana dará uma parcela de contribuição para uma cidade que está conurbada |
O que fazer para eliminar os gargalos que se formam na Cidade? O túnel ajudaria?
Para os grandes gargalos de circulação de veículos há linhas optantes, esplanadas de pistas, como São Paulo faz na Radial Leste. Se o fluxo maior é de entrada, você abre as pistas e vai adaptando conforme o tráfego. Isso é simples de fazer. Agora, na área da entrada de Santos, onde está a avenida dos Bandeirantes, o elefante branco, é preciso fazer um mini-cebolão, onde você tenha viadutos para não ter interferência de semáforos ou cruzamentos de vias. Um estudante do terceiro ano de Engenharia saberia disso. Em 16 anos que tivemos prefeitos engenheiros em Santos, nós lembramos de alguma grande obra de infraestrutura feita na cidade? A perimetral? A ciclovia? Eu sinto, principalmente nestes últimos oito anos de governo, que grandes projetos audaciosos foram feitos, só que o simples não. Se eu fizer um túnel ligando Santos a Santos, a captação de dinheiro estadual será difícil. Agora, um túnel entre Santos-São Vicente será uma obra metropolitana, feita Marapé-Vila São Jorge, próxima à Linha Vermelha, que vai atender a Zona Noroeste. Essas integrações viárias são obras imediatas.
Outra questão que incomoda o santista é a segurança. Como prefeito, quais medidas preventivas adotará ?
Um dos principais males da humanidade hoje é a Síndrome do Pânico. Todo mundo tem medo e ele vira pânico quando há um medo exacerbado. Nas grandes cidades, há um número elevado de indivíduos com essa síndrome. Ter medo é uma forma instintiva de preservar a vida. Hoje a gente se surpreende com as imagens captadas por circuitos de segurança. Por que não criar um sistema que integre todas elas? O cidadão de bem não tem o que temer. As pessoas estão construindo bunkers com câmeras, biometria facial, digitais… Pode ser um discurso de um sonhador? Sim. Mas isso tem que ser dito. É numa cidade onde eles (bandidos) estão aí, você tem que ter postura. São Paulo peitou a ação delegada e acho que Santos poderia fazer isso. Que os policiais durante a folga trabalhem registrados, com banco de horas, pois isso vai fortalecer a Guarda Municipal, estabelecer uma relação bacana, cidadã. A criação da Secretaria de Segurança foi muito acertada. Temos 113 pontos crônicos de descarte de detritos, áreas onde há uma grande vulnerabilidade social. O cidadão passa por lá, não tem ninguém, não mora ninguém… O maior exemplo de desordem física e social da cidade é a Hospedaria dos Imigrantes, um local atrativo de problemas. A cidade produz essas áreas por ausência do Estado.
As minicracolândias se espalham pela cidade. O que fazer para a prevenção e tratamento dos usuários?
Temos que abordar essa questão, que é um ponto de saúde coletivo. Esse indivíduo que, de alguma maneira, teve o gatilho para usar a droga. Em Santos, foi implantado o Consultório de Rua, com os moradores destas áreas de alta vulnerabilidade e é extremamente acertado, pois a abordagem precisa ser feita por alguém que conheça aquela realidade para dar segurança ao usuário. A cidade tem que ter isso tabulado. Esse caminho parece ser algo acolhedor para esse ser humano.
Como o sr. vê a relação da cidade com o porto?
Eu acho que não está perfeita. Propagou-se muito isso de forma equivocada. É a mesma coisa que falar que em Santos não há problemas, sendo que existem muitas vulnerabilidades. Tudo que foi feito até agora foi feito com planejamento, compromisso público, mas tem muita coisa a se fazer. O ISPS Code acabou sendo uma ferramenta de segurança para o ambiente portuário, ajudando que conflitos não aconteçam, mas ajudou a segregar a área do restante da cidade. Se você sai por aí, pouquíssimas pessoas conhecem o ambiente portuário. O porto de Santos tem que mostrar o que está fazendo, ampliar a relação portuária com o resto do município. Eu aposto em um processo tecnológico do porto e um plano de zoneamento que está pra sair. Espero que o próximo prefeito reacenda essa discussão de relação portuária.
 |
| Propagou-se muito isso de forma equivocada. É a mesma coisa que falar que em Santos não há problemas, sendo que existem muitas vulnerabilidades |
A prefeitura implantou um novo Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos. É o bastante para motivar o servidor ?
Se é o bastante eu não sei. Mas acompanhei nos últimos 10, 12 anos essas discussões com bastante intensidade, pois tive vários planos na mão produzidos por sindicatos e empresas contratadas e sinto que foi um sucesso. Algumas categorias ficaram à margem do que se esperava, vieram até me procurar, como as área de educação e de serviços. O funcionário, quando se identifica com a equipe gestora e técnica, integra uma evolução do funcionalismo. O grande desafio do prefeito é estabelecer essa relação de cumplicidade entre a equipe gestora e a de trabalhadores públicos.
Outra ação do atual Governo que será concluída no próximo mandato será o Santos Novos Tempos. Como o sr. avalia a execução do projeto?.
Que obras? (risos). Na realidade, trata-se de um projeto de macrodrenagem que, quando construído, foi acoplado ao PAC Habitação. É bom falar que esse dinheiro que a prefeitura está pegando emprestado pelo BID vai ser pago em 20 anos. É uma obra com dinheiro da cidade de Santos, estratégica. Sinto que a nova equipe que vai trabalhar até 2015 vai ter que se debruçar nele. Grande parte dos técnicos que trabalharam neste projeto são funcionários de carreira da prefeitura. E uma das preocupações é a descontinuidade. O mais importante é que os moradores que vão se beneficiar deste projeto acham isso um mito.
O que fazer para sanar a questão da distribuição das vagas nas creches?
Esse dimensionamento é interessante. Uma cidade turística que tem atividade laboral sábado e domingo tem que ter creches nos finais de semana. Se tivermos que construir quatro, cinco ou seis, esse dimensionamento será feito pela equipe técnica. Creches no final de semana e noturnas são prioridades, porque existem pessoas que precisam. Uns acham que a pessoa vai abusar, deixar a criança lá 24 horas, mas isso não existe. Deve haver um acompanhamento. É um passo novo na cidade de Santos que deve ser dado. Um dos projetos mais ambiciosos de educação que gosto de comentar é o projeto de corporeidade e ambidesteridade, onde o indivíduo tem habilidade motora com as duas partes do corpo de maneira igual. Imagina se dentro do ambiente escolar isso fosse estimulado como política pública. Pode ser a ferramenta da construção de uma geração preparada para esse novo mundo. Essa familiarização com o mundo tecnológico aliada às habilidades motoras é uma forma genial.
Os pais têm reclamado muito da falta de professores…
Temos na cidade atualmente 80 Unidades Municipais de Ensino (UMEs), algumas tiveram o desempenho no Ideb muito aquém e outras não, como o Florestan Fernandes, que atingiu a meta que o Governo Federal previa para 2017. Essa garantia de fixação do professor, onde ele vai acompanhar a turma, me parece ser algo estratégico para a gestão da escola pública. E, de fato, hoje você deve reconhecer e valorizar a função do professorado. O número de faltas ocorre em função da carga de trabalho muito além da capacidade humana. Você deve criar uma dinâmica onde o professor tenha uma carga de 40 aulas semanais e não precise fazer essa carga extenuante.
População de Santos tem 19% de idosos. Quais projetos para esta área?
Pela bagagem de vida eles têm muita sabedoria, sapiência. Esses idosos são patrimônio humano da cidade, pessoas que construíram Santos. São pessoas que fala: poxa, se chegamos até aqui foi com o meu suor, a minha luta pela democracia. Quando uma cidade valoriza o seu idoso, ela fica preparada para lidar com o futuro. Uma das coisas mais delicadas é o número baixíssimo de vagas para atender idosos em situação de vulnerabilidade, de famílias carentes. O número de vagas ainda é baixo e essas famílias precisam de apoio. Projetos de memória imaterial, com todas as lembranças que elas têm.
Balneabilidade: mais de 60% do tempo no ano passado as praias da cidade estavam impróprias. O que fazer para solucionar este problema?
Primeiro ponto: o projeto Canal Limpo, que envolve a prefeitura, a Prodesan e a Sabesp já tem 17 anos e precisa ser renovado, incrementado. Esse projeto teve um grande avanço e o mais rastreado é o canal 4. Eu, com biólogo, considero que o conceito de balneabilidade é um conceito exaurido, o que temos que debater é um conceito de saúde ambiental do Estuário. O que é isso? Não dá pra falar de melhoria de qualidade da água e do ambiente praial enquanto não se exigir da Sabesp um contrato com a Prefeitura para a implantação de uma Estação de Tratamento de Esgoto do projeto Onda Limpa. Sabe quando isso vai sair? Em 2017. Toda poluição sistêmica está acontecendo. Todas as favelas que estão do lado de Guarujá, Santos e São Vicente são contribuintes para essa contaminação? Sim, e muito. Então, quando desenvolvemos um projeto efetivo de erradicação destas moradias, temos um ganho ambiental imediato. É absolutamente paradoxal, pois Santos recebeu no ano passado um título do instituto Trata Brasil como a primeira cidade com mais de 300 mil habitantes por conta da coleta de esgoto. Hoje, 98% são tratados. Os outros 2% estão nas palafitas, e o caminho é o seguinte: eles são lançados no rio do Brugre, seguem pelo rio Casqueiro, entram no Estuário e saem na Baía de Santos.
Santos escolhida oficialmente pela Fifa para ser subsede da Copa de 2014. A estrutura está preparada para o evento?
Vou fazer uma análise comparativa com o que foi os Jogos de Londres. Eu me preocupo muito com o aporte de dinheiro público para eventos internacionais, tenho certo desconforto pelo tipo de políticas adotadas pra isso. Numa cidade com Santos, criar mega-estruturas para esse tipo de eventos que podem ser perenes. Mas hoje, com as vulnerabilidades que a gente tem, devemos pensar no posto de vista estratégico. Não é ser pessimista, é do ponto de vista de gestão. Estabelecer prioridades me parece o tom dessas políticas. Estamos numa cidade que tem uma estrutura muito significativa. E se ela foi polida, for melhorada, você terá como receber os turistas. Se essas ações da Copa estiverem no guarda-chuva da inclusão social é um dinheiro que aparentemente não tem haver, mas tem que estar ligado. Mesmo que essa obra de insfraestrtura esteja vinculada a uma copa o uma olimpíada, ela não deixa de ser um investimento de qualidade no desenvolvimento da cidade. A lógica não é tomar decisão por um lado, excluindo os outros.
O PSB não consegiu fechar alianças para o primeiro turno. Como fazer uma campanha num “voo solo”?
Mesmo não tendo um grande arco de alianças, nós temos 32 candidatos a vereador no partido e esse processo é de uma riqueza partidária muito grande. Essas pessoas são idealistas. Os partidos que hoje fazem essas composições são de baixíssima representatividade. Muitos são micropartidos cartoriais, que negociam abertamente o tempo de TV. É preciso fazer um escárnio disso. Esperava que quando o Brasil chegasse neste momento político já tivesse feito uma reforma para evitar que três deputados eleitos em 2010 (Telma de Souza, Beto Mansur e Paulo Alexandre) abrissem mão de continuar seus mandatos para oferecer o nome a prefeito. Uma chapa pura dá liberdade. Talvez, o futuro prefeito possa ter dificuldades de contemplar esse arco de alianças, assim como teve a Dilma (Rousseff), que mandou sete ministros embora.