A cada 15 dias, um suicídio é registrado em Santos | Boqnews
Foto: Pixabay suicídios

Saúde Pública

24 DE JUNHO DE 2018

A cada 15 dias, um suicídio é registrado em Santos

No ano passado, Santos registrou 26 suicídios – média de 1 a cada quinzena; e 58 tentativas – média de 1 caso por semana

Por: Felipe Rey

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Os números de suicídios em Santos causaram espanto no último dia 13 na Câmara de Santos.

Segundo dados registrados pela Secretaria Municipal de Saúde em 2017 apresentados em Audiência Pública presidida pelo vereador Antonio Carlos Banha Joaquim (MDB), a Cidade registrou 26 suicídios – média de 1 a cada 15 dias, além de 58 tentativas – média de 1 por semana.

E esses só registrados oficialmente.

A divulgação dos dados causou espanto aos participantes.

Com a apresentação desses números ficou explícito que há necessidade de debater o assunto.

Atualmente, o debate ainda é um grande tabu para a sociedade.

Entretanto, há inúmeros casos, de famosos e anônimos que fazem parte desta triste lista.

Músicos como Champignon (Charlie Brown Jr), Kurt Cobain (Nirvana), ou o ator Robin Willians, escolheram tirar a própria vida devido a problemas psicológicos e emocionais.

Os casos mais recentes de suicídio de músicos foram do cantor Chester Bennington (Linkin Park) e do DJ Avicii. Chester sofria de depressão há anos.

Já Avicci enfrentava problemas com o consumo excessivo de álcool.

 

800 mil no mundo

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), 800 mil pessoas se suicidam por ano no mundo.

Isso significa uma pessoa a cada 40 segundos.

Com esses dados, as taxas de suicídio entre os jovens aumentaram.

No Brasil, o suicídio se tornou a quarta maior causa de morte entre jovens.

Durante a audiência realizada na Câmara, os médicos psiquiatras Miguel Ximenes e Everardo de Oliveira realizaram um histórico sobre transtornos mentais que afetam parte da população.

“A depressão é multifatorial e a terceira causa de mortes no mundo”, salientou Everardo.

Já Ximenes enfatizou que grande parte desses acontecimentos se devem a motivos, como o isolamento social, separação, perda de um ente querido, desemprego e uso de drogas.

Além de outros fatores servirem como alavancas para um quadro depressivo e de tendência suicida.

 

Arte: Mala

Audiência Pública

O vereador Banha (MDB) chocou os participantes da audiência quando quebrou o protocolo e relatou um fato que aconteceu com um familiar. Segundo ele, o pai sofria de depressão e disparou contra si mesmo quando estavam em casa.

” Foi um choque para toda a família mas, com união e amor, nos fortalecemos e seguimos nossa vida”, relatou.

A tragédia familiar fez com o que o parlamentar criasse leis municipais sobre o tema.

A primeira é sobre a Semana de Combate ao Suicídio e a segunda é o Plano de Prevenção ao Suicídio.

“Estamos cobrando a Prefeitura para que se criem esses grupos específicos sobre situações traumáticas. E também queremos começar um outro projeto, que é o Ensina-me a Viver (programa feito para ajudar jovens que estejam com problemas psicológicos)”.

Segundo o vereador, atualmente existe um número elevado de casos de depressão entre os jovens no Município.

“Nós pesquisamos sobre os casos ocorridos em Santos desde 2002 até a presente data. A Baixada vive uma epidemia de suicídio. É grave”, relatou.

Ele relatou que as pessoas precisam entender mais sobre as doenças.

“Não damos importância até que ela aconteça com alguém da nossa família”, lamenta.

Saúde Mental

Segundo o coordenador de Saúde Mental da Prefeitura de Santos e psicólogo, Paulo Muniz, existem alguns fatores que podem levar as pessoas ao suicídio, além de transtornos de personalidade, depressão, esquizofrenia e bipolaridade.

“Metade das pessoas que se suicidaram já tentaram antes. Outras têm problemas mentais que não foram tratados ou não foram realizados adequadamente”, ressalta.

Além de todos esses fatores, para os jovens, segundo Paulo, o que pode levar ao suicídio são os atos impulsivos. Motivados na maioria das vezes pelo consumo de drogas e do excesso de álcool.

Muniz destaca que o suicídio é a nona causa mortis entre os jovens de Santos.

Já no Brasil, ela é a quarta. “Acredito que temos uma estrutura que consiga dar suporte tanto público como privado”.

Idosos

Outro exemplo dado pelo psicólogo atinge o público idoso, também vítimas de suicídios.

“Neste público, existem outro fatores importantes, como a desesperança e o desespero. Exemplos como desamparo da família, separação também contribuem”, salientou.

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