A cada meia hora, um celular é roubado na Baixada Santista | Boqnews

Violência urbana

10 DE NOVEMBRO DE 2017

A cada meia hora, um celular é roubado na Baixada Santista

Segundo levantamento, a cada meia hora um celular é roubado na Baixada Santista. Apenas uma cidade da região é responsável por mais de 25% dos roubos. Confira.

Por: Fernando De Maria

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Se antes eram os tênis, depois as máquinas fotográficas, agora são os celulares os objetos de cobiça dos marginais.

A ponto deles receberem estatística própria da Secretaria de Segurança Pública.

Conforme levantamento realizado pelo Boqnews.com, a cada meia hora um modelo é roubado na Baixada Santista, independente de marca, conforme registro nos boletins de ocorrência.

Os números, portanto, só levam em consideração os registros oficiais, devendo, porém, ser maiores. Os furtos são computados à parte.

Nos 10 primeiros meses deste ano, o volume de celulares roubados, conforme as delegacias regionais de Santos (que atua em Santos, São Vicente, Cubatão, Bertioga, Guarujá e Praia Grande) e Itanhaém (Itanhaém, Mongaguá, Peruíbe, Itariri e Pedro de Toledo) chegou a 14.247 , alta de 2,8% em relação ao mesmo período do ano passado.

Na comparação, foram 386 aparelhos a mais registrados neste item nas delegacias.

Mantido este ritmo, o volume de aparelhos surrupiados chegará a quase 18 mil até o final do ano. Apenas na Baixada Santista.

Histórias comuns 

Não é difícil encontrar personagens, vítimas de roubos de celulares.

A universitária Luíza Pires, 18 anos, teve este dissabor em maio passado.

Ao lado do irmão, voltava da universidade no período noturno, quando foi surpreendida por dois rapazes e uma moça que surgiram do nada pedalando suas bicicletas.

“Jogaram meu irmão no chão. Pegaram os celulares e fugiram”, lembra. Foram dois aparelhos Iphones 6, avaliados em cerca de R$ 2 mil cada.

Detalhe: o roubo ocorreu a duas quadras da praia do Boqueirão, em Santos (litoral paulista), região com um dos maiores IDHs – Índice de Desenvolvimento Humano do País, comparado ao de países europeus.

E o pior: a chance de revê-lo beira o zero.

“Fui à delegacia, prestei queixa, mas nunca me ligaram nem deram resposta”, lembra.

A falta de solução neste tipo de caso é frequente.

Dos 1.340 casos registrados em janeiro na região, apenas 68 foram em flagrante e os aparelhos recuperados. Ou seja, meros 4% do volume roubado.

Situação semelhante ocorreu com o universitário Henrique Cunha Bueno.

Em 2012, ele e mais três amigos saíram da escola e foram ao Terminal de Ônibus do Valongo, em Santos.

Era por volta de 12h30 da manhã quando dois homens bem vestidos fizeram a abordagem pedindo os equipamentos (não apresentaram qualquer arma) dentro do espaço de transporte público (que é cercado e monitorado).

Até tentaram correr atrás dos bandidos, sem sucesso.

Nunca mais viram os aparelhos Samsung e o MP4, levados pelos meliantes.

Entraram na Justiça, mas ainda aguardam uma definição judicial.

 

 

Meses onde o risco de roubo de celular é maior

O levantamento também permite identificar quais são os meses onde a incidência de roubos é maior.

Março lidera o total de registros, com quase 60 casos/dia.

Coincidência ou não é o mês logo posterior ao fim da Operação Verão, período onde há maior presença policial nas cidades da Baixada Santista.

Mesmo assim, chama a atenção o crescimento no volume de roubos em janeiro passado em relação ao mesmo mês do ano passado (alta de 26,7%).

Foram 1644 casos – média de 53/dia.

Deve-se destacar que janeiro é o mês com o maior fluxo de turistas que curtem as praias do litoral paulista e onde a presença policial é reforçada.

O Governo do Estado promete que manterá o efetivo do ano passado, que foi de 1.842 policiais atuando nas praias da Baixada Santista.

A Operação Verão 2017/2018 inicia em 20 de dezembro e termina após o Carnaval, em fevereiro de 2018.

 

Praia Grande lidera o volume de roubos na região

O Boqnews também comparou a população regional e descobriu que o município de Praia Grande, que cresce mais de 2% ao ano, lidera, com folga, o volume deste tipo de assalto, com base neste tipo de crime praticado ao longo de 2017.

A cidade representa 16,9% do total de moradores da Baixada Santista.

Mas, 26,5% do volume de roubos de celulares, o que pode indicar que o interesse pela receptação destes aparelhos seja maior nesta localidade.

Portanto, de cada quatro modelos roubados na região, um ocorre na cidade.

Cubatão e Mongaguá – que lidera, em termos proporcionais, este item no Litoral Sul – também tem indicadores acima da média da população.

Não é possível, no entanto, discriminar se as vítimas são apenas moradores das respectivas cidades ou turistas/veranistas.

O que se leva em consideração é o local (delegacia) onde a queixa foi registrada.

Confira os detalhes no vídeo:

 

Receptação de celulares

Atrás destes números preocupantes, existe uma perigosa indústria.

O roubo (ou furto) destes equipamentos movimenta uma milionária ‘fábrica’ de receptação, que contribui para a ocorrência de latrocínios.

Apenas neste ano, 20 pessoas morreram na Baixada Santista em razão deste crime (roubo seguido de morte).

Reportagem recente do Boqnews relembra o caso do jovem Luann Oshiro, 18 anos, assassinado em razão de um celular roubado no bairro do Gonzaga, em Santos, há dois anos.

Eram dois assaltantes, um maior, que está preso, e um menor, que cumpre pena sócio-educativa.

A história do jovem assassinado originou a ONG Luann Vive que vem realizando um belo trabalho social e levantou a bandeira contra a receptação.

A ONG foi destaque no vídeo da Boqnews TV (assista neste link) e também no Boqnews, que alertou sobre  os riscos que escondem a receptação de celulares roubados.

 

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