Triste realidade

03 DE DEZEMBRO DE 2020

Por que Santos lidera as mortes por Covid-19/100 mil habitantes no Estado de SP?

Há falta de padronização no atendimento dos pacientes, em especial quanto à internação precoce para quem é do grupo de risco ou tem comorbidade.

Por: Fernando De Maria

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Por qual razão Santos, no litoral paulista, lidera o ranking de mortes/100 mil habitantes no Estado de São Paulo, epicentro da Covid-19 no Brasil, desde o início da pandemia?

E pior: há uma nova tendência de elevação desta mortalidade, conforme registros nas últimas três semanas.

Foram 88 mortes nos últimos 21 dias, com um taxa de 181,9 mortes por 100 mil habitantes (na semana anterior, a taxa era de 176,3/100 mil)

Assim, o patamar de mortes pela Covid-19 neste período se aproxima dos dados da primeira quinzena de julho, um dos piores meses em mortalidade na Cidade.

(Confira o gráfico abaixo da Abramet – Associação Brasileira de Medicina de Tráfego).

 

 

Esta indagação é feita por muitos profissionais que lidam com o assunto.

E a constatação é clara: há  falta de uma padronização no atendimento dos pacientes na Cidade, em especial em relação à internação precoce, principalmente para quem é do grupo de risco ou tem alguma comorbidade.

Todos são unânimes em dizer que esta iniciativa ajuda a diminuir os riscos de mortes por evitar o agravamento do quadro.

E as cidades que adotam esta prática têm colhido melhores resultados no combate à doença, aliado a um amplo programa de aplicação de testes PCR (e não testes rápidos, de resultados ineficientes).

Em oito meses, quase 0,2% da população 

Afinal, nesta quinta (3) Santos atingiu oficialmente 800 óbitos pela doença, desde o dia 2 de abril, quando ocorreu a primeira morte pela Covid-19 na Cidade.

Assim, quase 0,2% de toda a população santista já morreu somente pela Covid-19 em apenas oito meses.

Em internações, até ontem (2), eram 354 pacientes internados (alta de 7,5% em relação ao dia anterior).

O total de internados nos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) estava em 161 pacientes (alta de 6,6%).

A taxa de ocupação dos 711 leitos covid-19 está em 50%.

Entre os 291 leitos de UTI, a ocupação é de 55%. No SUS, esta taxa é de 42% e, na rede privada, de 70%.

 

Triste liderança

Dessa forma, Santos lidera o ranking de mortes pela Covid por 100 mil habitantes, conforme levantamento coordenado pelo médico e professor universitário Carlos Eid, da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego.

Deve-se salientar que os dados são acumulativos, cujas tendências sobem e descem de acordo com a alta ou baixa nas internações e mortalidade.

Infelizmente, no momento, a tendência é de alta.

Conforme o levantamento, a média de mortalidade (conceito correto para analisar os números reais em uma pandemia) é quase o dobro da média do Estado de São Paulo (181,9 x 92,5).

Aliás, das oito cidades com maior volume de mortes acumuladas por 100 mil habitantes, quatro são da Baixada Santista (Cubatão – 4º lugar, São Vicente – 7º lugar, Guarujá – 8º lugar).

Confira os quadros comparativos entre os dias 25 de novembro (1º) e 2 de novembro (2º quadro).

 

 

Cartórios

Não é à toa que, conforme os registros nos cartórios no total de óbitos – levando em consideração todas as causas -, já morreram até o final de novembro 4.913 santistas – 3,3% a mais que todo o ano passado (4.756).

Assim, a média de mortes ao longo de 2019 foi de 396 mortes/mês – 13,2 mortes/dia.

Agora, nos 11 meses de 2020 (sendo que os primeiros casos letais em Santos surgiram no início de abril), a média saltou para 447/mês – 14,9 mortes/dia.

Alta de 12,9% na comparação dos períodos, índice que deve se manter ou ser superior na comparação total dos anos.

Araraquara

Araraquara, no interior paulista, tem sido um bom exemplo na forma como tem lidado com a doença.

A taxa de mortalidade/100 mil habitantes é 5,5 vezes menor que Santos, por exemplo, a despeito da cidade ter 60% da população santista.

A fórmula para atingir tal resultado pela cidade do interior paulista passa pela união de esforços tanto do Poder Público como da iniciativa privada, assim como do apoio das universidades locais, com a padronização no atendimento dos pacientes, inclusive com internação precoce daqueles que estejam com qualquer sintoma e, em especial, sejam do grupo de risco.

“Não esperamos o quadro do paciente evoluir”, enfatiza a secretária de Saúde do Município, Eliana Aparecida Mori Onain. (confira a reportagem)

Além disso, em parceria com as universidades locais (Unesp, USP e Uniara), é possível realizar testagem gratuita na população do PCR (do cotonete), fundamental para garantir o resultado correto da situação.

“Os testes rápidos têm alto índice de erros. O PCR dá mais garantia para monitorarmos a situação”, diz.

Graças à parceria com as universidades, outro diferencial é a agilidade nos resultados dos testes, que chegam a 24 horas – no máximo, 48 horas – permitindo um monitoramento mais ágil dos pacientes e possíveis infectados.

Assista a entrevista da secretaria Eliana Aparecida Mori Onain.

 

Outra cidade que tem registrado baixos índices de mortalidade pela Covid-19 é São José dos Campos.

Com 730 mil habitantes (69% a mais que Santos), a média de mortes é 37% menor que o município líder.

A taxa atual de mortes semanal é inferior a uma por dia, conforme levantamento atualizado da Abramet.

 

 

Um bom exemplo regional

Mas as autoridades de saúde de Santos não precisam ir tão longe.

Basta olhar o exemplo da cidade vizinha, Praia Grande, a terceira em população regional.

Com base no trabalho realizado pela equipe de Saúde da Família e internações precoces em pacientes do grupo de risco, a cidade tem uma quantia abaixo da média paulista.

Conforme o último levantamento, a média desde o início da pandemia é de 79,7 por 100 mil habitantes, abaixo dos 92,5/100 mil habitantes da média estadual.

Ou seja, a probabilidade de um munícipe de Santos morrer pela Covid-19 é o dobro em relação a um morador de Praia Grande, caso ambos estejam infectados pela Covid-19 ao mesmo tempo e que tenham atendimentos distintos.

Vale salientar que isso não tem relação com o local de internação, mas a procedência de moradia do doente.

“Fazemos internação e tratamento precoce por meio de um protocolo que uniformiza condutas”, resume um dos médicos participantes do Comitê Técnico Científico de contingenciamento no Município, Eduardo Silveira Yabuta.

Assim, a equipe realiza reuniões presenciais e virtuais com frequência, onde são discutidos cenários, estratégias e eventuais mudanças de estratégias.

Portanto, os números atestam que os resultados têm sido favoráveis na comparação com outras cidades.

 

Caseiro critica a falta de padronização no atendimento a pacientes suspeitos de Covid-19 e a ausência de internação precoce.

 

Situação preocupante

Um dos coordenadores do projeto Epicobs – Estudo Epidemiológico da Baixada Santista, realizado no primeiro semestre na região, mas interrompido pelas prefeituras, o médico infectologista e professor universitário, Marcos Caseiro, aponta uma série de fatores que ajudam a explicar as razões de Santos liderar este triste ranking.

Afinal, o aumento de pacientes infectados e internações preocupa.

“As UTIs dos hospitais particulares estão praticamente lotadas. O número de casos é muito elevado. Não é possível que nós não nos indignemos com este volume de mortes no Brasil”, lamenta.

Até quarta (2), oficialmente, o Brasil tinha 174.515 vítimas fatais do Covid-19.

Caseiro lamenta a falta de padronização e integração do trabalho desenvolvido tanto pelo Poder Público com os planos e hospitais privados na Cidade.

“Os protocolos inexistem”, critica.

Até o dia 18 de novembro, quando Santos registrava 742 mortes de munícipes pela doença, 454 pessoas ficaram internadas em hospitais privados (61%) e 284 (39%) no serviço público.

Os números contrariam os dados do Projeto UTIs brasileiras, cujo objetivo é traçar o perfil epidemiológico das UTIs brasileiras e compartilhar informações para orientar políticas de saúde e estratégias para melhorar o cuidado dos pacientes críticos.

Pelo levantamento, em âmbito nacional, a mortalidade pela Covid-19 chega a 50,2% nas UTIs de hospitais públicos, índice que cai para 28,3% nos leitos privados/planos de saúde.

Confira trechos da entrevista com o médico e a entrevista gravada disponível na Boqnews TV (Canal You Tube).

Boqnews – O sr. imaginava que chegaríamos ao final do ano com números tão assustadores?

Marcos Caseiro – Em hipótese alguma. No primeiro momento, quando fui chamado pela Secretaria Municipal de Saúde, eu fiz uma projeção da dados, com o pior cenário, que estava em Wuhan, na China. Depois, foi a Europa.

Mas não aprendemos nada. Aqui não fazemos quarentena.

Em 20 anos de dengue no Brasil, morreram 6 mil brasileiros – é pouco mais de uma semana de mortes por Covid-19 no Brasil.

Não consigo aceitar isso que estamos vivendo.

Boqnews – Está faltando indignação e conscientização por parte das pessoas?

Marcos Caseiro – O brasileiro não tem muito a noção da gravidade do momento que estamos passando. As pessoas, especialmente os jovens, não percebem que podem ser os vetores da doença para as pessoas que estão dentro de casa, mais velhas.

Na verdade, não consigo achar uma explicação para tamanha indiferença de parte da população.

 

Boqnews – Santos lidera o total de mortes por 100 mil habitantes por Covid-19. Das 10 cidades da Baixada Santista neste triste ranking, 4 estão com indicadores maiores acima da média paulista. Onde estamos errando?

Marcos Caseiro – Existem diversas análises.

É fato que está morrendo mais gente aqui em relação ao número de habitantes. Assim, há necessidade de padronização.

Por exemplo, temos uma população mais idosa (22% da população), que tem uma vulnerabilidade maior.

Mas esta não é a única explicação, pois existem cidades do interior com esta faixa etária também elevada.

Na realidade, acho que temos uma total desarmonia na qualidade da assistência médica nos nossos serviços de saúde. Não temos uma conduta harmônica dos profissionais de saúde.

Aqui em Santos, os médicos que estão atendendo na linha de frente geralmente são jovens, recém-formados, que continuam receitando cloroquina, ivermectina e outros medicamentos que estão completamente fora de qualquer lógica de conduta médica aceitável.

 

Boqnews – E a demora para internar?

Marcos Caseiro – O grande divisor de águas da mortalidade é a gente tratar precocemente as pessoas mais vulneráreis. Estão comendo bola nisso. Eu encaminhei um paciente com sobrepeso, com febre há três dias, para um hospital particular.

Fizeram a gasometria, deu 70 – o normal é 98 – e mandaram o cidadão para casa.

Bati o pé e enfim internaram ele. Isso é um acinte, uma barbaridade.

Estão errando muito na questão da condução adequada.

Não há uma normatização. Cada local atende de forma diferente.

Infelizmente, deixaram nas mãos a decisão de internar com estes plantonistas, o que é muito complicado, pois muitas vezes o indivíduo se baseia em informações de whastapp  e não em literatura científica adequada.

 

Boqnews – E quem caberia tomar à frente desta padronização entre Poder Público e hospitais particulares?

Marcos Caseiro – Sem dúvida, a Secretaria Municipal de Saúde. Acho que ela deveria estar em uma dinâmica semanal para discutir condutas, melhores procedimentos.

Precisa ter monitoramento, saber por que estão morrendo? O que está ocorrendo?

A autoridade municipal, o Conselho Municipal de Saúde e os secretários municipais de Saúde deveriam se juntar com as demais autoridades médicas para falar a mesma língua. Isso é fundamental.

Boqnews – De forma oposta, Praia Grande tem indicadores mais favoráveis. Por qual razão?

Marcos Caseiro – Praia Grande é um dos poucos serviços da região que tem a Saúde da Família, que tem uma papel muito forte, com a presença do médico de família.

E isso foi um diferencial, diferente de Santos, cuja participação do programa é baixa. Assim, é fundamental a abordagem precoce, medicando e atendendo os pacientes.

Quando você interna antes, o risco de chegar à UTI é menor.

Se você perde este timing, o paciente vai chegar em uma fase mais adiantada, que vai evoluir para uma intubação. E quando chega nisso, o risco de mortalidade é muito alto.

 

Boqnews – Os testes rápidos funcionam?

Marcos Caseiro – Pode juntar tudo e jogar no lixo. Os testes rápidos poderiam ter um uso melhor se  tivessem dado continuidade ao estudo Epicobs (programa realizado para identificar  o grau de evolução dos infectados), que foi interrompido.

Eles ajudam a ter uma noção do cenário para fins de pesquisa, mas não para o real monitoramento da doença.

O que funciona é o Swab/PCR (Nota da Redação: o do cotonete) para descobrir os sintomáticos e isolá-los.

Eles só servem para fazer propaganda que a letalidade está pequena, o que não mostra a verdade.

Falta o real entendimento da epidemia, de entendimento médico.

 

Confira a entrevista do médico Marcos Caseiro na íntegra:

 

Prefeitura de Santos

Em nota, a Prefeitura explica que a rede municipal de saúde de Santos conta desde março com um guia de procedimentos no atendimento ao paciente com suspeita ou confirmação da covid-19.

Ele é elaborado pelas equipes técnica dos departamentos de Vigilância em Saúde (Devig) e de Atenção Pré Hospitalar e Hospitalar (Daphos), o qual segue as orientações e protocolos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Ministério de Saúde e da Organização Mundial de Saúde (OMS), sendo periodicamente atualizado.

Todos os pacientes com suspeita da doença passam por triagem da equipe de enfermagem do Centro de Testagem Covid ou da UPA (Central, Leste e Noroeste).

Lá, são avaliadas as taxas de glicemia capilar, pressão arterial, temperatura e oxigenação do sangue.

Aqueles que estão com sintomas da covid-19, entre o 3º e o 7º dia do início dos sintomas, realizam a coleta de amostras para o teste RT-PCR, seguindo o protocolo estadual.

Este resultado demora em média de 7 a 10 dias.

Depois da coleta para o RT-PCR, os pacientes passam pela avaliação médica, que fará a prescrição de medicamentos (antibiótico, anti-inflamatório, antitérmico, analgésico, broncodilatador e outros), de acordo com o quadro apresentado.

 

Exames

Os pacientes com alterações respiratórias passam no mesmo dia pelo exame de raios-X de tórax, cujo resultado fica pronto logo após a sua realização.

De acordo com o resultado do exame, o quadro clínico apresentado e histórico do paciente, se tem comorbidades, por exemplo, o médico pode solicitar a internação hospitalar.

Quando isso ocorre, também é feito o pedido da tomografia computadorizada de tórax, exame que é realizado no Complexo Hospitalar dos Estivadores em menos de 24 horas a partir do pedido.

Já os pacientes com casos leves recebem orientação para o isolamento social domiciliar e adoção das medidas de prevenção para evitar a transmissão da doença.

E também para retorno à unidade de pronto atendimento em caso de agravamento do quadro.

 

Apesar da transferência para a nova UPA da Zona Leste, unidade na Avenida Afonso Pena foi mantida para atendimento a pacientes com suspeita de Covid-19. Foto: Nando Santos-Arquivo

 

Planos de Saúde

Dessa forma, Santos tem 262.393 beneficiários de planos privados de Saúde, segundo dados da ANS de setembro passado.

Por sua vez, na Baixada Santista, são 686.955 beneficiários.

Assim, não representa o total de moradores, pois alguns podem ter mais de um plano – existem casos de pacientes com planos próprios e outros oferecidos pela empresa onde trabalham.

Já no Plano de Saúde Santa Casa, a informação oficial é que  “o atendimento médico prestado aos beneficiários é realizado pela rede credenciada hospitalar que segue todos protocolos médicos”.

“No caso de sintomas, o paciente deve se direcionar imediatamente  a rede credenciada, que pode ser consultada através de nossa central de atendimento 24 horas por dia, pelo número 4007-2250”, conclui a nota.

 

Unimed

Na Unimed Santos, o diretor de Provimento de Saúde, José Roberto Del Sant, explica que a a empresa está atenta ao crescimento no volume de casos de pacientes com sintomas do Covid-19.

“A Baixada Santista está em momento preocupante. O que se pode dizer com muita clareza é que Santos espelha os mesmos problemas da Capital com um agravante: possui uma população mais idosa, que talvez explique um pouco as altas taxas de mortalidade”, acrescenta.

Conforme o profissional, outra explicação decorreria do fato de Santos possuir uma porcentagem maior que as demais cidades da Baixada Santista de pessoas com plano de saúde.

Ou seja, 38% do total regional, conforme dados da ANS.

Del Sant lamenta as constantes aglomerações feitas por parcela de munícipes.

“Vimos ao longo do último mês inúmeros exemplos de negligência da população”.

Del Sant acrescenta um ponto importante.

“Quem pode ficar em casa por mais tempo, por ter melhor poder aquisitivo, hoje sai e se contamina. O que explicaria também um pouco sobre as pessoas que têm plano de saúde”.

A exemplo de outros médicos entrevistados nesta Reportagem, Del Sant reconhece a necessidade de padronização de protocolos assistenciais.

“É o ponto crucial da Baixada Santista”.

Assim, conforme o médico, atualmente, existem apenas três medicamentos com evidência científica robusta para o tratamento da Covid-19.

 

Azitromicina di-hidratada, um dos medicamentos mais adotados para evitar a progressão da doença. Foto: Nando Santos

Medicamentos

São elas, a azitromicina, antibiótico com ação imunomoduladora que diminui a explosão inflamatória das citocinas, além da cobertura para infecções secundárias;

A dexametasona, antiinflamatório não hormonal.

Por fim, um anticoagulante, como a enoxaparina.

“As outras medidas terapêuticas como hidroxicloroquina, ivermectina, nitazoxanida, zinco, vitamina D ainda não possuem evidência clara que suportem seu uso”, salienta.

Por fim, o profissional destaca o papel desenvolvido pelo plano de saúde no combate à doença.

“A Unimed Santos está atenta a toda esta situação. Possui dois pontos principais de controle: o Pronto Atendimento da Av. Conselheiro Nébias e o ambulatório do nosso NAS – Núcleo de Assistência a Saúde na Rua Joaquim Távora, sem contar com os consultórios do nossos cooperados, também atentos a evolução assustadora da pandemia. Além disso, estamos realizando monitoramento dos pacientes internados diariamente”, salientou.

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