Reitor da Unisantos defende consórcio e fortalecimento em pesquisas regionais | Boqnews
Primeira universidade da Baixada Santista, Unisantos conta com 50 grupos de pesquisa. Foto: João Pedro Bezerra/Arquivo

Potencial universitário

12 DE FEVEREIRO DE 2026

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Reitor da Unisantos defende consórcio e fortalecimento em pesquisas regionais

Professor doutor Cléber Ferrão Correa, novo reitor da Universidade Católica de Santos, enfatizou como a pesquisa acadêmica pode contribuir para melhorar a qualidade de vida da população.

Por: Fernando De Maria

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Com posição estratégia, por abrigar o maior Porto da América do Sul, o 37º do mundo, além da riqueza e desafios ambientais em razão da Serra do Mar, estuário, manguezais, a Baixada Santista é um celeiro de oportunidades para pesquisas.

Porém, sem formas de canalizar estes potenciais, tal situação acaba se esvaindo.

Assim, projetos que poderiam contribuir para melhorar o desenvolvimento regional e a qualidade de vida da população acabam sendo retardados ou não ocorrendo.

E diante do potencial acadêmico restaria reunir todos os entes para discutir de forma metropolitana as formas como as pesquisas acadêmicas podem contribuir para a obtenção de resultados práticos em benefício da população.

Verticalização

Por exemplo, Santos é a cidade mais vertical do Brasil, com praticamente 2/3 da população vivendo em edifícios, segundo o IBGE.

Resultado: as ilhas de calor são e se tornarão cada vez mais frequentes e presentes.

Dessa forma, eleva-se o aumento das temperaturas em bairros menos arborizados e, como resultado, a sensação térmica.

Por exemplo: levantamento realizado por pesquisadores do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Católica de Santos feito em dois momentos mostra a relevância desta ação.

Em plena pandemia, entre os anos de 2020 e 2021, professores mediram as temperaturas dos bairros a partir das avenidas dos canais, onde a arborização é ampla.

E assim, percorreram as quadras seguintes no sentido horizontal.

Dessa forma, concluíram que nas vias internas, onde a arborização é menor, as temperaturas superavam dois graus em relação às avenidas dos canais.

Em 2025, um novo levantamento do gênero ocorreu, agora sem pandemia e maior fluxo de pessoas e veículos nas ruas, usando as mesmas características do estudo anterior.

Resultado: a diferença de temperatura nas vias mais distantes dos canais chegou a até 6º C – três vezes mais em relação à medição no período da pandemia.

Não bastasse, com o processo contínuo de verticalização, Santos sofrerá com ilhas de sombra e de frio, em razão das testadas cada vez mais elevadas das fachadas das edificações.

Novo reitor Cleber Ferrão falou dos planos à frente da instituição durante participação do Jornal Enfoque. Foto: Felipy Brandão.

Reitor

Este foi um dos exemplos citados pelo professor doutor Cléber Ferrão Correa, novo reitor da Universidade Católica de Santos, para mostrar como a pesquisa acadêmica pode contribuir para melhorar a qualidade de vida da população.

Ele participou do Jornal Enfoque desta quarta (11), onde defendeu a mobilização coletiva para criar condições de mais investimentos em pesquisas visando melhores condições à população.

“Por que não usar os dados levantados pelas universidades da região? Por que não criar um grande consórcio com dados para ajudar no nosso desenvolvimento regional?”, indaga.

“Precisamos discutir isso. Isso já ocorre nos conselhos municipais de desenvolvimento urbano das cidades, mas estes dados precisam ser levados para os comitês e mais áreas para conhecimento”.

Ele cita o caso da própria Unisantos, que conta com mais de 50 grupos de pesquisa cadastrados no CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.

Ou seja, com elevada produção acadêmica que poderia ser compartilhada com outros entes em busca de soluções locais e metropolitanas.

Recursos

Ele reconhece que fazer pesquisa envolve custos, horas de estudos e aprendizagem.

Para tanto, há necessidade de se buscar linhas de fomento nacional, como a Fapesp – Fundo de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo e o próprio CNPq e até internacionais.

Aliás, segmento a qual o novo reitor reconhece que será um desafio: a internacionalização da universidade.

Hoje, a Unisantos conta com parceria com 40 universidades do exterior, especialmente nos Estados Unidos e Europa.

Assim, um aluno de pós-graduação pode cursar gratuitamente um semestre – e até um ano, se for o caso – na instituição escolhida para ajudar nas suas pesquisas.

Isso ocorre em áreas de pós-graduação da instituição como Direito Ambiental e Saúde Coletiva, por exemplo.

Para tanto, o reitor defende a criação deste consórcio envolvendo poderes públicos de todas as esferas locais, universidades e sociedade.

“Imagine quantos dados primários e até secundários estão disponíveis para serem usados pelos nossos gestores, mas que acabam não sendo aproveitados”, questiona.

“De que adianta falarmos sobre dados de universidades do exterior, sem qualquer demérito, se não conhecemos a nossa realidade local e regional?”, explica.

40 anos de reconhecimento

Dessa forma, com a nova missão à frente da instituição, após posse e nomeação pelo bispo Dom Joaquim Mol ocorrida no último dia 6, quando a UniSantos completou 40 anos de reconhecimento federal, ele pretende fortalecer tal proposta.

Assim, defende, a criação de linhas de fomento envolvendo poder público, tanto no Executivo como no Legislativo, e iniciativa privada.

Fontes de financiamento públicas e até emendas parlamentares podem ser alternativas para contribuir para esta finalidade.

Assim, teriam o objetivo de realizar pesquisas que atendam as demandas as necessidades da população da região metropolitana da Baixada Santista, em especial.

Obras, por exemplo, como o futuro túnel Santos-Guarujá e a própria dragagem no estuário, além dos impactos das mudanças climáticas são um exemplo.

Assim, tais obras, necessitarão de monitoramento de pesquisadores e das universidades públicas, confessionais e privadas que realizam pesquisas.

Conectividade Verde

Além disso, ele citou um exemplo recente de projeto envolvendo as nove cidades da região, em parceria com a Agem – Agência Metropolitana que prevê a relação das cidades com a Serra do Mar.

Trata-se do Conectividade Verde, cuja proposta é formar os gestores públicos responsáveis pela aplicação de políticas públicas nas prefeituras, por meio da elaboração de projetos executivos que impactem positivamente o ambiente e os elementos ecossistêmicos.

A proposta atende a quatro eixos específicos: Monitoramento, Avaliação e Planejamento; Infraestrutura Verde e Sustentabilidade.

Além da Salvaguarda da Biodiversidade; e Mudanças Climáticas e Conexão com a Natureza.

Outra ação coletiva refere-se a projetos sustentáveis para evitar que os detritos deixados ao longo do estuário cheguem ao mar.

“Houve envolvimento de gestores das nove cidades da região”, salientou.

Números e potencial

Os números mostram a potencialidade da região no ensino superior.

Dados de 2019 do Semesp, divulgados em 2021, apontavam que a Baixada Santista tinha 47.530 alunos matriculados de forma presencial nas 30 Instituições de Ensino Superior.

E outros 18.881 em formato EAD nas 51 instituições que atuam de alguma forma na região (muitas delas também de forma presencial).

Engenheiro agrônomo de formado, com mestrado em Agronomia e doutorado em Ciências Biológicas, o novo reitor atua há 25 anos como docente da Unisantos, que completou no início de fevereiro 40 anos de atividades como universidade – a primeira da Baixada Santista.

Já a mantenedora, Sociedade Visconde de São Leopoldo, completa 75 anos de existência.

Com experiência e atuação em grupos de pesquisa, Correa é um entusiasta da pesquisa, um dos tripés do papel da universidade.

Completam a questão do ensino em si e a própria extensão, ou seja, a atuação junto às comunidades.

Atuou na coordenação do curso de Engenharia Ambiental e como coordenador institucional do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação Científica à Docência.

Também é professor e pesquisador do programa de pós-graduação Stricto Sensu da instituição.

Além de estar à frente do grupo de pesquisa Labsus – Laboratório de Sustentabilidade.

O setor  discute as políticas públicas ambientais, com sua aplicabilidade e relação com o meio ambiente, sustentabilidade social e ambiental.

Atuou também como coordenador da Câmara Técnica de Planejamento e Gerenciamento do Comitê de Bacias da Baixada Santista.

Além disso, integra o Condesb – Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana da Baixada Santista.

Também preside o GERCo – Gerenciamento Costeiro da Baixada Santista.

Outras nomeações

Além do reitor, integram a nova gestão da Unisantos, a doutora em Direito Mariangela Mendes Lomba Pinho, mantida no cargo como pró-reitora administrativa, função ocupada desde 2010.

Além da psicóloga Rita de Cássia Zaher Rosa Paul, pró-reitora de graduação.

E Claudio Scherer da Silva, graduado em Filosofia, Teologia, Jornalismo e Psicologia, que estará, em seu quinto mandato, como pré-reitor pastoral.

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