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Pandemia aprofunda realidade da locação comercial em Santos, mostra pesquisa

Quase 8 em cada 10 empreendedores estão repensando a forma de pagamento do aluguel e um 1 em cada 4 acreditam que seus funcionários podem trabalhar em home office.

29 de junho de 2020 - 10:10

Fernando De Maria

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A chegada do Covid-19 no cotidiano da sociedade vai afetar diretamente as relações entre empresas e funcionários no tocante a locação de espaços.

Assim, grandes áreas corporativas tendem a sofrer impactos significativos, sendo substituídas por equipamentos menores, com incentivo ao home office.

Aliás, na Capital, multinacionais, como a Johnson e Johnson, já admitem as mudanças na forma de ocupação dos espaços.

Em Santos, no litoral paulista, que havia sofrido um boom na oferta de locações comerciais em razão do pré-sal desde o início da década, a situação é mais complexa.

Afinal, o sonho do pré-sal não se concretizou, a economia estagnou e quando dava sinais de melhoras, sofreu novo baque com a chegada da pandemia.

Aliás, somente entre 2014 a 2019, a região já havia perdido quase 40 mil empregos entre 2014 e 2020.

Com quase 18 mil postos perdidos, Santos puxou a fila do desemprego regional (com dados até outubro do ano passado).

Edifícios vazios

Assim, a cidade abriga hoje espaços corporativos – novos ou não – e até edifícios inteiros comerciais vazios.

Além disso, o cenário é ainda mais preocupante diante da recessão que o País enfrenta, cujo PIB – Produto Interno Bruto deve encolher, com boas doses de otimismo, pouco acima de 6,5%.

Situação ainda pior que no governo Dilma Rousseff, quando o Brasil entrou em uma espiral de desaceleração da economia, a partir de 2014.

Estudo realizado pelo Juicy Santos, com 71 empreendedores de Santos, entre os dias 16 a 24 de maio, revela que mesmo antes da pandemia, a vacância na locação de imóveis comerciais em Santos já era alta.

E piorou agora.

“Santos tem algumas características próprias”, diz uma das responsáveis pela pesquisa, Ludmilla Rossi.

O trabalho foi realizado em conjunto com a jornalista Flávia Saad, também do Juicy Santos.

Portanto, o estudo revelou que o valor comercial do metro quadrado em Santos varia de R$ 22 a R$ 120 – bem acima do cobrado em alguns bairros considerados de alto padrão em São Paulo e Rio de Janeiro.

Ou seja, o boom do pré-sal não ocorreu na mesma expectativa inicial, mas os preços permanecem ‘salgados’.

Repensando o aluguel

Pelo menos oito em cada dez empreendedores da Cidade repensa o valor pago pelo aluguel para redução de custos.

Assim, mais da metade das locações comerciais na Cidade são de escritórios com até 90 metros quadrados, sendo que 27,1% variam de 25 a 40 metros quadrados.

Oito em cada dez entrevistados disseram que renegociaram custos fixos, inclusive o aluguel, até a data da pesquisa.

Deste percentual, 31% dos empreendedores obtiveram a compreensão dos locadores, que aplicaram 50% de desconto na locação e outros 8,5% conseguiram isenção total da locação, com perdão da dívida.

Por sua vez,  21,1% afirmaram que os donos apenas postergaram o parcelamento e outros 14,1% não negociaram abatimento no aluguel até o momento do levantamento (maio).

Também à frente da MKT Virtual, empresa que abriga 45 funcionários, todos trabalhando em home office, Ludmilla se enquadra neste cenário para manter a manutenção do seu escritório no bairro do Campo Grande, em Santos (SP), com área locada superior a 400 metros quadrados.

“Mesmo com o escritório fechado desde meados de março, estamos honrando nosso aluguel normalmente. Agora, estamos fazendo o planejamento para o segundo semestre para verificar quais decisões tomaremos”, diz  Ludmilla (foto).

Ludmilla Rossi: pesquisa mostra uma nova realidade na locação comercial de Santos. Foto: Divulgação

Trabalhos híbridos

Com base na pesquisa, quase a metade (46,4%) dos entrevistados disseram que os empreendedores acreditam que seus negócios não sejam viáveis em home office.

No entanto, 1/4 (24,6%) consideram ser possível que toda a equipe trabalhe desta forma.

Assim, abre-se a discussão para modelos de trabalhos híbridos, com funcionamento de atividades in loco e virtuais, com revezamento de dias e locais.

Dessa forma, porém, o desafio é saber como isso ocorrerá, seja por meio da ampliação do trabalho home office ou escritórios virtuais, com espaços coletivos que reúnam profissionais variados, como já existem na Cidade.

Além disso, pontua Ludmilla, a ampliação das ações de home office trarão mudanças também no segmento residencial.

Afinal, em razão da pandemia, espaços tiveram que ser adaptados pelas pessoas para levaram suas atividades – até então restritas aos escritórios – para casa.

Ou seja, os tradicionais ‘quartinhos de empregada’, termo considerado hoje pejorativo, mas muito usado pelas construtoras em um passado recente, deverão retornar com outro papel para se adequar à nova realidade.

“O mercado vai exigir estas mudanças”, ressalta.

Resumo

✔️ 76.1% dos empreendedores estão repensando seu aluguel comercial
✔️ 80% renegociaram os aluguéis
✔️ 24.6% acreditam que 100% da equipe pode trabalhar remotamente
✔️ 30.5% acredita que empresas irão migrar para ambientes compartilhados
entre outras descobertas

Fonte: Locação comercial e o Covid-19 em Santos – Juicy Santos/junho 2020

 

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