Abramet

28 DE OUTUBRO DE 2020

Santos lidera total de mortes por Covid por 100 mil/habitantes, mostra pesquisa

Além de ser líder per capita em gastos e em mortes em idosos pela Covid-19, Santos também se destaca na relação entre mortes da doença/100 mil habitantes, revela estudo da Abramet.

Por: Fernando De Maria

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Além de ser recordista per capita em gastos nos gastos com a Covid, (até agosto, R$ 125,4 milhões e R$ 120,36 milhões em setembro), Santos, no litoral paulista, também lidera em outros números negativos do Covid-19.

É o município – entre os existentes com mais de 50 mil habitantes no Estado de São Paulo – cujo índice de mortes entre idosos é o maior entre as cidades mais populosas, conforme levantamento  e reportagem do Boqnews.

Agora, um novo título negativo.

Levantamento realizado pela Comissão de Estudos Epidemiológicos para Enfrentamento da Covid-19 da Abramet – Associação Brasileira de Medicina de Tráfego mostra que a Cidade também lidera em mortes pela Covid-19 por 100 mil habitantes na comparação com as 141 cidades paulistas com mais de 50 mil moradores.

A média de Santos  é de 156,47/100 mil habitantes.

Quase o dobro da estadual (84,39/100 mil habitantes).

E 30,6% a mais que a vizinha São Vicente, a terceira colocada neste trágico ranking entre as cidades com mais de 300 mil moradores

A vice é São José do Rio Preto, com 151,08 mortes/100 mil habitantes.

Guarujá fica em sétimo lugar, com 116,08 mortes/100 mil habitantes.

Já entre as cidades entre 100 mil e 300 mil moradores, a líder é Cubatão, com 141,5 óbitos/100 mil habitantes.

No entanto, fica em terceiro entre as cidades com mais de 50 mil moradores.

Oscilação de mortes

Coordenador da comissão da Abramet, o médico Carlos Eid, professor no curso de Especialização em Medicina de Tráfego na USP e na Santa Casa de São Paulo e especialista em Saúde Pública, explica a situação preocupante em Santos, que vive uma contínua oscilação no total de mortes.

“Nós não produzimos os números. Apenas usamos os dados públicos, cruzamentos as informações e geramos os gráficos para análises”, adianta.

As informações usadas pelos especialistas estão disponíveis no portal da Fundação Seade alimentados pelo governo paulista, que recebe as informações das prefeituras.

Os trabalhos enfocam em especial a mortalidade (índice de mortes sobre a doença) e não a letalidade (total de mortes sobre casos confirmados da doença).

“Para a gente mensurar os resultados devemos focar nos óbitos. A medida que a falta de leitos deixa de existir – algo que preocupava no início da pandemia -, mas as mortes prosseguem. Sinal que há algo errado”, explica.

Semanalmente (sempre às segundas à noite), o médico coloca em sua página no Facebook os números do Covid-19 nas principais cidades paulistas.

“As imagens representam uma foto do momento, com altos e baixos. Nosso foco é acompanhar a evolução ou queda dos óbitos semanais”, enfatiza.

 

Santos

No caso de Santos, conforme o quadro publicado,  Eid resumiu em sua postagem na última segunda (26).

Santos é a mais importante cidade litorânea do Estado de SP e tem a pior taxa de mortes por 100 mil habitantes dentre as cidades com mais de 50 mil habitantes.

Esta taxa é a soma de tudo que ocorreu desde o início da pandemia.

Olhando para os números a partir do início de julho, vemos uma subida até meados de agosto e depois uma forte flutuação no número de mortes.

Nas últimas 4 semanas, a média é de crescimento leve, mas crescimento.

Apresentou uma taxa de 4,2 óbitos por 100 mil habitantes nesta última semana e isso é um número elevado. Muitas cidades estão nesta última semana, com taxas entre 1 a 2 óbitos por 100 mil habitantes.

O reforço das ações em Santos são urgentes. A Europa nos mostra que tudo pode piorar, até que tenhamos a vacina. Piorar significa a morte de mais pessoas“, escreveu em seu post.

O profissional enumera que os meses mais críticos no Município foram de junho a agosto, mas ainda estão longe de serem aceitáveis na atualidade.

Afinal, na semana passada, a média diária de mortes foi de duas vítimas.

 

 

“Santos é uma cidade típica de oscilação no número de casos. A Cidade não está bem no total”, destacou durante entrevista ao programa Notícias do Dia, na Boqnews TV. (confira trecho da entrevista sobre Santos)

 

 

Sinais

Eid enfatiza que para fins científicos qualquer análise no gráfico deve levar em consideração pelo menos quatro semanas.

“Não dá comparar apenas de uma semana para outra”, alerta.

Conforme o profissional, algumas cidades que têm obtido resultados positivos levam em consideração não só o isolamento social, mas também internação precoce, quando necessário, e atendimento prioritário nas UBS – Unidades Básicas de Saúde (policlínicas).

“Isso tem surtido efeitos positivos”, enfatiza.

“A Administração precisa atuar fortemente para diminuir o número de casos registrados. Os óbitos são consequência deste aumento”, enfatiza o profissional, lembrando que hoje não faltam leitos de UTIs, mas as mortes persistem.

Sinal que há algo errado.

“Os óbitos são consequência do crescimento de pessoas infectadas”, lamenta.

 

 

Live

No final do mês passado, a Abramet promoveu uma live com secretários municipais para verificar a fórmula aplicada pelos municípios de diversos portes que estavam enfrentando melhor a Covid.

“O pior indicador no Estado de São Paulo é Santos. Quem tem melhor IDH não significa que está enfrentando melhor a pandemia”, disse  Eid na live realizada com gestores públicos de cidades do interior. (assista aqui).

O objetivo do encontro era identificar quais as melhores práticas para diminuir a disparidade de mortes nos municípios paulistas.

“Ainda há campo para arrumar erros de gestão”, salientou o profissional.

No final do mês passado, em live com secretários municipais de quatro cidades, Araraquara, Franca, Marília e Bauru, o profissional analisou os números registrados até aquele momento para saber as razões por que existem tantas disparidades de mortes.

“Se a gente jogar o indicador de Araraquara e jogar para Santos, pelo menos 100 vidas poderiam ter sido salvas”, salientou.

 

Bons exemplos

 

Com 54 mortes até momento, Araraquara (227.618 habitantes) tem um dos mais baixos índices de mortalidade (23,7/100 mil habitantes) .

“O que vai marcar são os números de óbitos. E isso é responsabilidade dos gestores neste processo”, destacou a secretária de Saúde de Araraquara, Eliana Aparecida Mori Honain.

Ela explicou que uma das razões dos números apresentados foi a criação de um comitê com representantes da pasta, universidades, hospitais públicos e privados, além de outro científico com a participação de docentes das instituições públicas e privadas locais.

Além de testes com sintomáticos, com agilidade nos resultados, a secretária salientou que um dos protocolos obrigatórios foi evitar que o quadro do paciente se agravasse.

“Aparecendo qualquer sintoma gripal, a gente já leva para observação ou internação, se necessário”, salientou.

Além disso, todo paciente positivado acima de 45 anos ou de grupo de vulnerabilidade já é internado.

Caso não queira, ele é monitorado por telemedicina ou com visita médica periódica.

“Em muitos pacientes cujos quadros estavam se agravando, a gente conseguiu internar e assim muitas vidas foram salvas”, salientou.

 

Bauru

Com 364.225 mil habitantes, Bauru (216 óbitos – 59,3/100 mil habitantes) também tem indicadores de mortes bem menores que Santos.

O secretário de Saúde, Sérgio Henrique Antônio, considera que um dos pontos da cidade foi a realização dos diagnósticos precoces, com testagem em massa, inclusive para sintomáticos e não sintomáticos.

Outro aspecto foi a criação de quatro unidades Sentinelas (UBS adaptadas para atendimento exclusivo de pacientes com sintomas suspeitos de Covid), além do atendimento diferenciado aos pacientes nas 4 UPAs e PS Central do Município.

“Houve atendimento diferenciado nestes locais”, enfatiza.

“Também fizemos vacinação em massa da H1N1 em idosos acima de 60 anos na casa das pessoas, evitando a circulação delas pelas ruas”, acrescentou.

 

Santos – resposta

Em nota, a Prefeitura de Santos divulgou a seguinte informação.

“Por meio do Conselho de Desenvolvimento Metropolitano da Baixada Santista (Condesb), a Prefeitura trabalhou de forma articulada com as demais cidades da região e suas respectivas secretarias municipais de Saúde, além do Departamento Regional de Saúde (DRS), do governo estadual, para o enfrentamento local e regional da pandemia.

Além de adotadas medidas sanitárias e preventivas conjuntas nos nove municípios, foi elaborado um Plano Regional de Contingência Hospitalar.

Santos criou um Comitê Municipal de Contingência para Enfrentamento do Coronavírus, criado pela portaria n° 39/2020, que reúne 38 representantes de vários órgãos e entidades públicas e privadas e da sociedade civil de Santos, incluindo integrantes de órgãos de classe e instituições da área da Saúde.

Os profissionais das redes pública e privada (hospitais e planos de saúde) da Cidade receberam todas as orientações do Departamento de Vigilância em Saúde (Devig) sobre os protocolos do Ministério da Saúde para atendimento do paciente covid-19, incluindo as atualizações.

 

Equipe

A rede municipal conta com equipe técnica qualificada e tem no seu quadro o infectologista e professor universitário Marcos Caseiro, que criou o protocolo de atendimento aos pacientes covid-19 e também coordenou o estudo metropolitano Epicobs (Epidemiologia da Covid-19 na Baixada Santista), realizada com pesquisadores de todas as universidades da Cidade e que testou 10 mil moradores da região para acompanhar a evolução da doença.

De acordo com os dados da Fundação Seade (https://www.seade.gov.br/coronavirus/), Santos tem uma das menores taxas de letalidade – proporção de mortes em relação ao número de casos –, atualmente em 2,9%.

O índice da Cidade está abaixo da maioria das grandes e médias cidades do estado de São Paulo: Guarulhos (7,1%), São Vicente (6%), Barueri (5,1%), Mogi das Cruzes (4,8%), Mauá (4,8%), Carapicuíba (4,5%), São Paulo (4,4%), Diadema (4,3%).

E ainda: Campinas (3,9%), Taboão da Serra (3,8%), São José do Rio Preto (3,7%), Ribeirão Preto (3,4%), Santo André (3,4%) e Jundiaí (3,2%).

 

Letalidade

Santos apresenta uma taxa de letalidade menor apesar de ser a cidade com maior índice de verticalização do País, ambiente que contribui para a disseminação do novo coronavírus, e ter o maior percentual de idosos, público mais suscetível a complicações e mortes por decorrência da doença.

No Município, a população idosa é quase o dobro da estadual. Enquanto em Santos, 19,2% da população tem mais de 60 anos (Fonte Fundação Seade), no estado o índice é de 11,6%.

Mesmo assim, a taxa de letalidade da Cidade está em 2,9% e, no Estado, a taxa é de 3,6%.

 

Entrevista completa do médico Carlos Eid na Boqnews TV

 

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