Sol Nascente
José Adelson

Professor de língua japonesa e jornalista.

105 anos de imigração

14 de junho de 2013 - 23:11

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Logo após a Guerra Russo-Japonesa, os imigrantes japoneses começaram a chegar ao Brasil. Em 1895, foi assinado o Tratado de Comércio entre os dois países e, no ano de 1897, uma das empresas de imigração existentes na época obteve contrato pelo qual se propunha a enviar 2 mil imigrantes trabalhadores para o Brasil. Porém, a crise cafeeira ocorrida um ano antes impediu a concretização da viagem.
Em 1905, o ministro Suguimura, chefe da delegação japonesa no Brasil, informou ao seu governo as necessidades de pessoal para o Estado de São Paulo, incentivando a imigração japonesa. O fundador da Companhia Imperial de Emigração, Ryu Mizumo, em 1907, obteve do Governo do Estado de São Paulo a autorização para o transporte de 3 mil imigrantes japoneses em parcelas anuais de mil pessoas. Esses imigrantes pretendiam trabalhar por alguns anos nas fazendas de café, obter uma poupança e voltar ao seu país de origem. No primeiro ano de Brasil, a colheita de café foi ruim para os japoneses e o trabalho de três pessoas não alcançou a diária de um trabalhador de fazenda. 
Os pioneiros
A chegada do navio Kasato Maru ao porto de Santos, em 1908, é considerada o marco inicial da imigração japonesa no Brasil. Mas a história que une os dois países é bem mais antiga. Ao que consta, o primeiro registro da presença de japoneses no Brasil é de 1803, quando um navio de guerra de bandeira russa resgatou quatro náufragos do navio japonês Wakamia Maru, que havia afundado no oceano Pacífico. A belonave russa seguiu com os japoneses até o porto catarinense de Desterro, hoje Florianópolis, onde permaneceu por alguns dias para reparos e suprimentos.
Os quatro náufragos nipônicos deixaram importante registro sobre a população e a produção agrícola da época. Depois desse acidente de percurso, uma aproximação mais efetiva entre o Brasil e o Japão se daria somente no final do século XIX, em 1880, quando o vice-almirante Artur Silveira Mota visitou o Japão e iniciou as conversações para um tratado de amizade.
Alguns anos depois, em 1892, o governo brasileiro, por meio de um decreto lei, abriu as portas à imigração japonesa. Com isso, buscava-se recrutar trabalhadores para a lavoura cafeeira que sofria escassez de mão de obra, desde a extinção do tráfico de escravos em 1850 e o fim da escravidão, em 1888. Em 1894, o governo japonês enviou ao Brasil o deputado Tadashi Nemoto com o objetivo de prospectar as condições e oportunidades que o Brasil poderia oferecer aos imigrantes do Japão. Ele visitou a Bahia, Rio de Janeiro, Minas Gerais e SãoPaulo, e concluiu que o Brasil estava apto a receber os imigrantes.
Dando continuidade ao estreitamento das relações, em 1895, o Brasil e o Japão assinaram em Paris o tratado de amizade – Comércio e Navegação.

O navio Kasato Maru
A histórica viagem do navio Kasato Maru se inicia quando ele zarpou do porto de Kobe no dia 28 de abril de 1908. Após 52 dias de viagem, chegou ao Porto de Santos na manhã de 18 de junho, por volta das 9h30. Após os exames médicos obrigatórios, o navio atracou no cais 14, às 17 horas. Os imigrantes pernoitaram no navio e, no dia seguinte, ao amanhecer, começaram a desembarcar.
Hoje, a influência japonesa nos costumes e na cultura brasileira está consolidada, como podemos observar. Os primeiros 781 imigrantes que chegaram no Kasato Maru tornaram-se símbolos da imigração japonesa nestes 105 anos, e é por meio desta coluna que pretendemos homenagear toda a comunidade japonesa do Brasil.
Festa Junina no Kosei Home
Realizou-se no dia 9 do corrente, uma linda festa em comemoração aos festejos juninos da Casa de Reabilitação Kosei Home de Santos, onde os participantes divulgaram a cultura japonesa com Karaokê, Taiko e Danças Folclóricas, lembrando um pedaço do Japão em nossa cidade, com a presença de vários setores da Comunidade Nipônica da Baixada Santista e São Paulo.
Destacam-se a presença de diversas personalidades, entre elas a do presidente da Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo, Yoshiharu Kikuchi; do secretário geral Misao Adachi; Marcelino Takehiro Maezono, subsecretário geral;  Massayoshi Ibusuki, gerente do Kosei Home de Santos; sr. Jorge Ajifu, pres. da Comissão Kosei Home, e outros que prestaram serviços voluntários para a entidade.
Destacamos a presença de Alcides Tadaki Sekitani, presidente da Associação Japonesa de Santos, bem como Minoru Aoki.
Assim sendo, deve-se ressaltar que o momento é de grandes parcerias com a Prefeitura Municipal de Santos.
As atividades  disponíveis na casa são jogos de xadrez, musicoterapia, coral, karaokê, fisioterapia, além da parte ecumênica e de visitas de artistas japoneses que também fazem parte do calendário desta entidade.
Parabéns Brasil. Parabéns Japão!