Arte de Conviver
Laercio Garrido

Professor universitário e escritor.

A força das perguntas

02 de maio de 2013 - 19:16

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O ser humano precisa derrotar o próprio ego para não ter vergonha de fazer as perguntas certas às pessoas certas. Desta forma, ele descobrirá as respostas certas. É preferível a humildade de demonstrar pela pergunta que não conhece a resposta, do que a arrogância de fingir que sabe o que não sabe permanecendo na ignorância.

A pessoa pode até dizer coisas erradas, mas jamais perguntar de forma errada, pois o impacto de suas perguntas na interação com o outro é enorme.   

Os indivíduos tanto no campo pessoal como profissional devem evitar as perguntas erradas para não causar transtornos a si mesmos e aos outros. Os erros mais comuns na formulação de perguntas são: fazer perguntas difíceis com o objetivo de humilhar o interlocutor, perguntar o óbvio para não se expor ao ridículo, usar perguntas agressivas com a intenção de ofender e não de obter a resposta e utilizar perguntas repetitivas que demonstrem falta de respeito com o interlocutor.

A arte de fazer perguntas com assertividade, além de outras vantagens, auxilia os gestores em sua administração do tempo. “Quando alguém faz as perguntas certas ou erradas às pessoas erradas desperdiça o próprio tempo. Quando utiliza perguntas erradas às pessoas certas, gasta o tempo destas. Quando aplica perguntas certas às pessoas certas investe corretamente o próprio tempo e o dos outros”. 

No processo de desenvolvimento da equipe, o gerente em lugar de formular respostas – dar o peixe – deve fazer perguntas desafiadoras – ensinar a pescar – conforme os seguintes exemplos: “quais são suas opções?”; “que problemas semelhantes você já encontrou antes?”, “quais as consequências dessa decisão?”, “quais informações você ainda não obteve para tomar a decisão?”, “por que essa é a melhor decisão?” 

Conforme se pode observar, as perguntas devem sempre ser abertas, ou seja, aquelas que iniciam com as palavras “o que”, “como”, “por que”, “quando”, “qual” e exigem uma resposta expositiva. Não se deve usar perguntas fechadas com respostas “sim” ou “não”, pois se elas forem corretas isso não irá assegurar que o interlocutor conhece o assunto. Uma das habilidades mais importantes do ser humano é saber fazer as perguntas certas a si mesmo. 

Estou investindo em mim? A pessoa tem que se auto-avaliar constantemente para saber se suas ações estão dirigidas ao aperfeiçoamento de seus conhecimentos, experiência e atitudes.  Gosto de trabalhar ajudando as pessoas? É importante não mentir a si próprio sobre suas reais intenções.  

Estou trabalhando naquilo que gosto? A resposta positiva significa ter paixão pelo que faz se esforçando de corpo e alma para atingir suas metas e realizar seus sonhos. A negativa dispara o alarme da decisão: está na hora de procurar outro cargo, empresa ou profissão.

Costumo parar para pensar no que faço? É necessário equilibrar o pensar com o agir. Deixar-se seduzir pela impulsividade de tomar decisões rapidamente, sem a devida reflexão, pode acarretar danos irreversíveis.
A pergunta certa na hora certa transforma a soberba em humildade, a ambigüidade em certeza, o conflito em acordo e a frustração em motivação. Em muitas ocasiões é bem melhor saber as perguntas certas do que ter as respostas.