Vida & Prazer
Marcia Atik

Psicóloga clínica e terapeuta sexual e de casal

Amor, romance ou um lance…

28 de março de 2014 - 19:53

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Falando de traição, assunto sempre mistificado, escondido, sofrido e com uma única saída além da dor: a separação.
Caso isso não aconteça fica a pecha do corno, nada mais falso, pois a traição não é só uma questão de caráter, mas sim na maioria dos casos de uma falta, geralmente uma falta pessoal que precisa ser preenchida, ou entendida e restaurada, portanto importante refletir sobre esse assunto.

Amor? Pode ser sim. Quem disse que uma única pessoa pode preencher todas as nossas necessidades numa vida inteira? Mas vale ressaltar que muitas vezes confundimos com amor a necessidade de viver um romance, com todas as novas emoções que ele nos traz, emoção que dá uma ansiedade gostosa, que dá borboletas no estômago e que pode acabar assim como o fogo da paixão. Mas pode também ser um lance, um olhar, um desejo que no momento é fulminante, mas também pode ser fugaz.

Sem querer catalogar os tipos de traição é muito importante reconhecer a força motriz dessa experiência para saber exatamente como restaurar tudo aquilo que a traição, via de regra destrói.Nenhum homem merece uma confiança ilimitada, na melhor das hipóteses a sua traição é uma questão de oportunidade, dizem reforçando algo que tentamos desconstruir há dezenas de anos, que as necessidades sexuais dos homens são diferentes das necessidades femininas, nada mais fora de propósito, pois sabemos que em termos de infidelidade quase já não podemos distinguir gênero.

Maridos são bons amantes principalmente quando estão traindo suas esposas, frase célebre de Marilyn Monroe, colocada aqui para destacar o quanto a vida no piloto automático faz com que nossos desejos e capacidade ficam embotados tanto em homens como em mulheres. Elas têm um comprometimento a mais com a família, portanto são um pouco mais impermeáveis a separações.

Na verdade, o que vemos na prática clínica de atendimento de casais é que em todos os casos de traição, adultério a atração é mais forte do que o envolvimento e quando passada a euforia da paixão deparar-se com a sombra, o lado escuro do outro, é inevitável, por isso que sempre defendo que nesse momento tão sofrido, nenhuma decisão deve ser tomada pelo impulso, pela vaidade traída e muito menos pela vitimidade da dor.

A verdade é que quando há traição são três pessoas que se enganam e tirar esse véu faz-se necessário para que ao nos percebermos e conhecermos o escurinho da alma , tenhamos a capacidade de não nos trairmos e assim sermos capazes de ver a traição do outro, aceitar, entender,perdoar ou repudiar.