Vida & Prazer
Marcia Atik

Psicóloga clínica e terapeuta sexual e de casal

Cuidando do corpo

Confira o novo artigo da coluna Vida & Prazer

20 de setembro de 2016 - 15:34

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Inverno indo embora,veranico anunciando o que será do nosso verão depois da primavera ou já durante a primavera e já se começa a escutar, nas conversas entre mulheres, a necessidade de colocar o corpo em dia para os outros verem.

Mas se é para os outros verem ou para si mesmas ou seu parceiro sexual, amante, marido ou namorado é outra história que guardo para outro artigo.

Gordo, magro, baixo ou alto, como diria minha avó: tem sempre um chinelo para um pé cansado. Apesar da falta de romantismo da introdução, na verdade o importante é falar de diversidade, assunto com o qual já estamos acostumados. Tanto que a ideia de que o modelo ideal existe já está um pouco balançada.

Mas, infelizmente, na área da sexualidade, essa expressão de corpo e alma, cega, surda e muda que atende apenas pelo desejo ainda está subjugada pelo invólucro, pelo corpo e suas nuances que de fato não deveriam interferir, mas que ainda é muito mais forte por parte das mulheres reforçando algo que imaginamos estar longe da independência conquistada em pleno século 21,que é a perfeição para ser aceita. Associar desejo, autoestima, abertura para o encontro sexual com a imagem de um corpo perfeito é, no mínimo, uma autoflagelação feminina, e nesse compasso a perda da possibilidade de realização sexual fica restrita causando consequências emocionais.

O mais incrível dessa questão é que para os homens a percepção do corpo feminino não passa pelos mesmos aspectos com os quais as mulheres tanto se incomodam.

Seios flácidos, celulite, uma gordurinha aqui ou ali podem ser até aspectos estimulantes ou mesmo despercebidos, desde que essa mulher tenha a capacidade de entrar em contato com seu desejo e expressá-lo no encontro sexual, na entrega e no gozo de quem está por inteiro vivendo a situação.
Nada disso tem a ver com uma necessidade tanto feminina quanto masculina de um auto cuidado, quer seja do ponto de vista da saúde, da higiene, quanto da sedução.

Portanto, dar importância para o que é de importância está cada dia mais necessário e vital.