Arte de Conviver
Laercio Garrido

Professor universitário e escritor.

Desafio do bom humor

11 de outubro de 2012 - 21:39

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O bom humor é a mola mestra do relacionamento saudável entre as pessoas. Cada um deve se inocular com o “vírus” do humor positivo e contaminar ao máximo todos os que participam de seu círculo de amizades. O bom humor “pega” e por fazer muito bem, as pessoas agradecem e apreciam os bem humorados. Em termos de humor é preferível ser quente ou frio, a ser morno.  
Sempre que alguém inicia um novo contato, deve se apresentar com um sorriso no rosto deixando claro sua satisfação em conhecer a pessoa. A sisudez nesta hora pode causar uma primeira impressão negativa no interlocutor, por achar o outro arrogante ou antipático.
As expressões não verbais constituem um ótimo veículo para a propagação do humor, seja ele positivo (sorriso na hora certa, expressão firme no olhar) ou negativo (gestos agressivos).
É importante fazer a diferença como profissional de sucesso 
estabelecendo uma interação harmoniosa com todos os interlocutores. Para isso, deve-se usar e abusar da comunicação não verbal na hora adequada, da forma correta  e com as pessoas certas.    
Considerando o consumo muscular de energia, é fundamental não pecar por excesso, dando um soco em alguém, o que além das conseqüências negativas, envolve 44 músculos; nem por falta, levantando o dedo médio num gesto agressivo e obsceno que exige apenas 4 músculos. Deve-se procurar o meio termo por meio de um sorriso oportuno que irá massagear 17 músculos do rosto. 
Uma risada autêntica acarreta efeitos extremamente positivos para o ser humano. No sistema imunológico abaixa os hormônios do estresse – cortisol e adrenalina – e aumenta as células de defesa – linfócitos B e T; no sistema cardiovascular eleva os batimentos cardíacos pela oxigenação dos tecidos e dilata os vasos abaixando a pressão sanguínea; no sistema respiratório eleva a absorção de O2 e facilita a eliminação de CO2 e no sistema digestivo é responsável pela massagem gastrointestinal que facilita a digestão. 
A vida humana é constituída de momentos felizes e infelizes. É necessário fugir com todas as forças do mau humor, e salvo em situações de gravidade, reduzi-lo a poucos e rápidos momentos, ou seja, “aparece, dura pouco e logo vai embora sem deixar saudades”.  
Existem pessoas para as quais não se pode exigir o bom humor. São as que sofrem de distimia, a chamada doença do humor triste, que se caracteriza pela persistência da melancolia por longo tempo, durando a maior parte do dia, na maioria dos dias. Neste caso, a única saída será procurar um tratamento especializado.
O bom humor exige conhecimento e sensibilidade para ser usado com excelência. Existem basicamente duas formas em sua utilização: o humor sutil e refinado e o humor grosseiro e direto. Tudo depende do nível intelectual e grau de intimidade com o interlocutor. Para as pessoas despreparadas intelectualmente, a “tirada de humor” deve ser ostensiva, clara e auto explicativa. A piada rude e mesmo obscena é válida desde que ocorra entre amigos. Para as pessoas de melhor nível intelectual, o humor deve ser mais sofisticado e elaborado. As piadas, com finais de interpretação mais engenhosa. 
A regra fundamental é respeitar a própria maneira de ser, mas procurar melhorar o bom humor ou em último caso, aprender a aceitá-lo nos outros estimulando os colegas a utilizá-lo a fim de manter um ótimo clima no trabalho e em casa. 
A sabedoria chinesa apresenta a receita ideal para que o ser humano consiga viver mais e melhor: “comer a metade, andar o dobro e rir o triplo”.