Panorama Regional
Fernando De Maria

À espera do déjà-vu

Ao povo, resta assistir ao velho filme de suspense (ou de terror), ou então um drama, gênero que se assemelha à atual situação dos brasileiros

23 de outubro de 2017 - 06:38

Compartilhe

A palavra francesa déjà-vu representa a sensação de algo já visto anteriormente. E isso é o que a população se depara diariamente com denúncias e mais denúncias divulgadas pela Imprensa todos os dias.

Violência e corrupção são os temas mais frequentes que ganham os noticiários. Para alguém desavisado ou que estivesse desconectado do noticiário em qualquer plataforma nos últimos meses e agora retomasse suas atividades teria a sensação de ter parado no tempo. Podem mudar os escândalos, mas não os atores sociais que envergonham a sociedade.

Por exemplo, as denúncias contra o ex-governador Sérgio Cabral, envolvido em mais um golpe contra o povo carioca e brasileiro, desta vez com suspeitas de corrupção envolvendo as tramoias envolvendo a realização das Olimpíadas no Rio de Janeiro no ano passado é uma notícia nova com velhos personagens.

Mais um ato de um governo cujos líderes enriqueceram rindo da cara do povo, a ponto de terem sido fotografados, alegres, com guardanapos de pano na cabeça em um luxuoso restaurante francês. Síntese do desprezo e escárnio em relação ao povo.

A mesma sensação de déjà-vu encontra-se em relação à segunda votação contra o presidente Michel Temer, que deverá ser avaliada pelos 513 deputados na próxima quarta (25). O motivo é o mesmo: novas denúncias o envolvendo assim como os ministros Moreira Franco e Eliseu Padilha no último ato do ex-procurador geral da República, Rodrigo Janot.

O script deste novo roteiro , mas de história antiga, onde já se sabe o final do filme, começou a ser costurado com trocas de favores, liberação de verbas parlamentares, jantares e encontros para selar a garantia de estabilidade política em um governo cuja popularidade beira o chão.

Como na primeira votação, a comissão de Constituição e Justiça já deu parecer favorável ao presidente. A posição foi apresentada por Paulo Abi-Ackel, deputado do PSDB de Minas Gerais, mesmo estado e partido do atual relator, Bonifácio de Andrade.

Assim como no primeiro relatório, a CCJ foi favorável a Temer. Desta forma, novamente, a oposição terá que buscar os 342 votos necessários entre os deputados para levar adiante a denúncia contra o presidente.

Apesar do governo estar enfraquecido e muitas das promessas de liberação de verbas para parlamentares prometida na primeira denúncia não terem saído do papel, as chances de reviravolta são mínimas, ou seja, assistiremos a um déjà-vu favorável ao governo.

O pior é que estas cenas se repetem diariamente. Ao povo, resta assistir ao rotineiro filme de suspense (ou de terror). Ou um drama, gênero que se assemelha muito à atual situação dos brasileiros.