Panorama Regional
Fernando De Maria

Lixo, um desafio contra o tempo

A entrega do relatório pelo IPT - Instituto de Pesquisas Tecnológicas sobre o destino dos resíduos sólidos da região exige concentração de esforços do Poder Público e sociedade.

16 de abril de 2018 - 10:40

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Lixo, um desafio que os prefeitos da região deverão agir para minimizar o caos, pois o aterro sanitário na área continental de Santos, que recebe os detritos de 7 dos 9 municípios da Baixada Santista, tem vida útil até maio do próximo ano.

Volto ao tema resíduos sólidos, especialmente em razão da entrega definitiva do plano regional de gestão de Resíduos Sólidos, ocorrido na última semana pelo IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas ao Condesb.

Trata-se de um assunto indigesto, mas de vital importância para a sociedade.

Afinal, cada vez mais os orçamentos municipais precisam reservar valores substanciais para fazer frente a esta realidade.

E o dinheiro que poderia ser aplicado em outras áreas acaba literalmente indo para o lixo.

Hoje, a coleta e a destinação dos resíduos representam o terceiro ou quarto maior item de despesa das prefeituras, atrás da Saúde, Educação, e, às vezes, Obras.

Como bem disse o secretário estadual de Meio Ambiente, Maurício Brusadin, durante palestra no Congresso Paulista de Municípios, que se encerra neste sábado (7), em Santos, as prefeituras vão ter que arcar cada vez mais com os custos para a coleta e destinação final do lixo.

Se esta situação é uma realidade, resta saber as formas para minimizar os impactos ambientais e econômicos.

Por ter extensas áreas, o País não tem o hábito de pagar pelos terrenos onde o lixo é depositado.

E assim áreas se transformam em lixões, trazendo riscos coletivos à saúde pública e contaminando o solo de forma praticamente definitiva. Não bastasse, a taxa de lixo está embutida no IPTU.

Mas ela poderá ser desmembrada, como uma conta de luz ou água, de forma individual. Quem gerar mais, pagará mais.

Lixo – Estudo

O estudo Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil de 2016 mostrou que no ano anterior (2015) 1559 municípios (quase 30% do total) recorreram aos lixões, método mais arcaico de depósito dos detritos.

Outras 1774 cidades enviaram os resíduos para destinos inadequados, como aterros que não possuem impermeabilização do solo ou sistema de dispersão de gases (que podem ser aproveitados e virar energia) e até o chorume, líquido fétido decorrente da decomposição do lixo.

Somando as duas situações, seis em cada dez cidades brasileiras não respeitam a Política Nacional de Resíduos Sólidos e agem de forma inadequada em relação ao descarte dos detritos.

Assim, o estudo do IPT é importante para traçar ações urgentes de âmbito regional.

O prazo para a destinação dos detritos no Sítio Aterro das Neves – onde sete das nove cidades da região encaminham seu lixo – termina em maio de 2019.

Há novo pedido de ampliação do prazo junto à Cetesb, que pode garantir, no máximo, uns quatro anos de sobrevida.

Assim, os governantes e técnicos devem iniciar discussões metropolitanas urgentes sobre quais alternativas serão encontradas para viabilizar o destino dos resíduos da Baixada Santista, hoje na casa das 2 mil toneladas/dia.

O primeiro passo é o incentivo e ampliação de possibilidades da coleta seletiva, implantação e exigência da logística reversa e outras ações para diminuir o volume destinado ao aterro atual.

E de forma paralela, encontrar as melhores saídas ambientais e econômicas em relação ao futuro do lixo metropolitano.

Se nada for feito, a conta será ainda mais salgada. O tempo dirá.