Arte de Conviver
Laercio Garrido

Professor universitário e escritor.

Mudança veio para ficar

27 de janeiro de 2012 - 19:30

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O mundo atual exige cada vez mais a competência em lidar com as mudanças. De certa forma estamos entre a cruz e a espada. Por um lado temos consciência que precisamos nos adaptar e procurar continuamente o novo. Por outro somos humanos e como tal, faz parte de nossa natureza a tendência em resistirmos consciente ou inconscientemente a tudo aquilo que possa alterar o rumo nosso caminho.
As mudanças aparecem de todos os lados: o novo chefe que gera a insegurança de uma relação problemática, a tecnologia moderna que exige a aquisição de conhecimentos e mudança de comportamentos, a venda ou fusão da empresa que pode acarretar alteração na função ou perda do emprego, a perda do mercado cativo que obriga a conquista e fidelização de novos clientes, a criança que se transforma num “aborrecente” exigindo um cuidado redobrado no relacionamento…
A mudança é tão importante que seu impacto modernizou a definição de liderança: “Líder e aquele capaz de mobilizar sua equipe para a gestão eficaz das mudanças”. As reações negativas se classificam em três tipos:
Racionais: quando a pessoa não entende corretamente os detalhes do novo projeto ou “tem certeza” que as alterações propostas não darão certo.
Pessoais: quando o colaborador tem medo de perder o emprego, de diminuir suas chances de promoção ou não manter o desempenho.
Emocionais: quando alguém resiste de maneira velada ou explícita sem uma noção exata das razões. Predominam os sentimentos de apatia, choque, desconfiança e medo do futuro. O processo de mudança ocorre através de três estágios:
A negação: a maior dificuldade não é aceitar e entender os benefícios das novidades, mas sim abandonar aquilo com o que estão acostumadas. Neste estágio há dificuldades em perceber as razões e vantagens. 
A dúvida: aumenta a ansiedade e cai a motivação. Os indivíduos não sabem exatamente o que e porque fazer. Os novos procedimentos são realmente adequados? Não haverá problemas em absorver os novos conhecimentos e práticas? Será necessário buscar mais informações para entender a mudança?
A aceitação: as pessoas começam a tomar consciência das vantagens. Percebem uma luz ao final do túnel e vislumbram as possibilidades de melhora. As coisas não são tão ruins como pareciam a princípio. O futuro começa a ser encarado com mais segurança.
O cérebro humano não foi estruturado para enfrentar a mudança, para atuar num ambiente mutável por excelência. Por isso, deve-se tomar a iniciativa de administrar o dia-a-dia, seja no campo pessoal ou profissional de forma a não opor resistência às mudanças inevitáveis.
Os tempos modernos confirmam que a mudança chegou para ficar e ela chega com velocidade cada vez maior. Não há nada que se possa fazer para impedi-la. É preciso parar de lutar contra ela e se esforçar para abandonar o antigo e aceitar o novo, na cabeça e no coração, com otimismo e esperança.