Vida & Prazer
Marcia Atik

Psicóloga clínica e terapeuta sexual e de casal

O céu é o limite, será?

03 de maio de 2015 - 08:01

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Tudo pelo prazer, extravasar e jogar tudo para o ar?

Muitas dúvidas permeiam o imaginário e os comportamentos sexuais de grande parte dos casais.

Nesses dias de 50 tons de cinza, desvelando novas possibilidades sexuais para os casais, de um lado o tema da submissão total e o outro que levanta a bandeira da transgressão em todas as suas possibilidades ,nos obrigam ao mister de pensar no assunto.

O que é certo? O que é errado? Será que existe o certo e o errado?

“Que nada nos limite…
Que nada nos defina…
Que nada nos sujeite…
Que a liberdade seja a nossa própria substância…”
Simone de Beauvoir

Simone de Beauvoir sempre traz à luz da discussão questões sobre a dissimetria e a dupla moral sexual que permite ao homem satisfazer seus desejos por várias mulheres e para as mulheres a virgindade e uma fidelidade rigorosa como obrigação e qualidade.

Não quero aqui esgotar esse assunto, mas ler Simone e construir sua própria moral sexual é, creio eu, o melhor caminho para mudarmos os paradigmas sociais que nos sufocam.

A própria Simone e seu companheiro de ideias e desejos,que constituíram um casal mítico, tinha em alguns momentos dificuldade para lidar e viver do modo como pensava, vide as cartas trocadas por ela e seu amante americanos, o escritor Nelson Algren, que conheceu numa viagem aos Estados Unidos, onde se mostra, diferentemente de seu discurso, uma mulher que faria qualquer coisa para manter o amante, menos se separar de Sartre.

Para justificar essa dualidade amorosa ela faz uma distinção entre os sentimentos presentes num amor “necessário” onde, segundo ela, tem amizade, fraternidade absoluta, compreensão, paz e equilíbrio, e um amor “contingente”, que tem como ingredientes importantes, amor, desejo sexual, falta, medo.

Simone em sua trajetória de escritora nos apresenta possibilidades tantas que vão desde a mulher livre até a mulher totalmente submissa em todas as suas gamas de cores e possibilidades, mostrando-nos por que o assunto ainda hoje é tabu e contraditório em muitos aspectos.

Será que o amor e a fidelidade algum dia terão seus mistérios definidos e desvelados?

Tudo isso é muito bonito, mas convenhamos!

É difícil!