Arte de Conviver
Laercio Garrido

Professor universitário e escritor.

O corpo fala

14 de fevereiro de 2013 - 18:19

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A pessoa não entende por que seu melhor amigo parece diferente e distante. O que aconteceu? Ele tem certeza de que não falou nada que pudesse ofendê-lo. Provavelmente a resposta se encontra nas expressões não verbais. Esta pessoa talvez deixasse escapar por meio de sua linguagem corporal, sentimentos negativos e inadequados para o momento, como um olhar agressivo ou um movimento de ironia com a boca
Infelizmente nem todos os indivíduos se preocupam com suas expressões não verbais no relacionamento com os outros. A realidade é que o corpo fala, e muitas vezes ele fala o que não deve, isto é, aquilo que a pessoa deseja esconder no cantinho mais íntimo de seu ser.
O impacto da comunicação não verbal sobre as pessoas é extremamente forte. É muito importante que tudo aquilo que o ser humano fale com a boca -comunicação verbal – seja coerente com o que ele diz por meio do corpo – expressões não verbais. Um elogio simples tipo “gostei muito do seu relógio”, pode ser interpretado como uma “gozação” se for acompanhado de um sorriso irônico. 
Alguém já disse que os sentimentos são as janelas da alma. O jeito de olhar, o levantar as sobrancelhas, a colocação da mão sobre a boca, o tipo de sorriso, a movimentação das mãos, o balançar a cabeça de forma negativa entre outras expressões podem escancarar essas janelas deixando escapar emoções de raiva ou tristeza não relacionadas à pessoa envolvida na conversa. 
As expressões não verbais são verdadeiras “bombas” que podem explodir a qualquer momento. Quando uma pessoa ouve o que o interlocutor “fala com a boca” e ao mesmo tempo observa o que ele “diz com o corpo” o impacto destas expressões não verbais supera fortemente a comunicação verbal.
Pesquisas recentes com as comunicações que envolvem sentimentos comprovaram que o conteúdo da fala – impacto verbal – é responsável por apenas 7% dos sentimentos expressados. O impacto vocal – modulação da voz, velocidade, ênfase – corresponde a 38% dos sentimentos. Os restantes 55% dos sentimentos são representados pelo impacto visual das comunicações. Isto demonstra que as expressões não verbais influenciam 93% na percepção dos sentimentos.
Nas situações complexas e delicadas como o primeiro contato com o cliente, a discordância de um colega na frente de outros, a crítica ao procedimento inadequado do subordinado, as seguintes expressões não verbais perigosas devem ser evitadas: olhar agressivo, balançar a cabeça de forma negativa, apontar o dedo para o interlocutor, desviar constantemente o olhar do outro, cruzar os braços e o sorriso irônico. 
Por outro lado, existem expressões não verbais que as pessoas devem aproveitar todas as oportunidades para utilizar: sorriso natural na hora certa, contato visual com os olhos do interlocutor, balançar a cabeça de forma positiva reforçando a concordância com aquilo que ouve, braços e palmas das mãos abertos, entre outras. 
Nunca se deve esquecer a força das expressões corporais, agindo com cautela para evitar que sentimentos indesejáveis possam aparecer na hora inadequada com a pessoa errada, e ficando “ligados” constantemente na linguagem não verbal dos interlocutores.