Arte de Conviver
Laercio Garrido

Professor universitário e escritor.

O mal do perfeccionismo

30 de maio de 2013 - 20:00

Compartilhe

O ser humano deveria fugir do perfeccionismo como o “diabo foge da cruz”. Alguns acreditam de forma equivocada que perfeccionismo é sinônimo de excelência. É um grande erro pensar dessa forma, pois todos sabem que a perfeição não existe. Se ela existisse a vida perderia a graça, pois uma vez atingida a perfeição nada mais restaria para fazer.
O perfeccionismo é a busca obsessiva pela perfeição. É a tentativa de vencer desafios não realistas e impossíveis de serem alcançados. 
A pessoa com mania de perfeição enfrenta vários problemas como a baixa autoestima, dificuldades de relacionamento por exigir a perfeição dos outros, insatisfação constante, ansiedade, estresse, e desempenho deficiente por não atingir resultados. 
Os perfeccionistas têm certeza de que a perfeição é a fórmula mágica do sucesso. São incapazes de definir prioridades. Tudo é relevante e deve ser realizado da melhor forma possível sem a preocupação com os prazos previstos.  O tipo dos talheres é tão significante quanto à qualidade da comida num jantar informal. A cor da capa do projeto é algo tão valioso como o seu conteúdo. Alguém já disse que “a perfeição só existe nos obituários e elogios fúnebres” 
O indivíduo que busca a perfeição geralmente não consegue atingir as metas idealistas e se o faz é com um enorme gasto de energia. Ele se culpa pelos erros cometidos e não reconhece que muitas coisas positivas somente podem ser apreendidas por intermédio das falhas. As pequenas faltas são sempre superdimensionadas. Chegar a 99% da meta é exemplo de fracasso. 
O perfeccionista acha que somente será aceito pelas pessoas se for impecavelmente perfeito, sem qualquer erro ou fracasso. Para ele o mundo é preto e branco. Não existem as nuances do meio termo. Suas marcas registradas são “sucesso ou fracasso” e “tudo ou nada”. 
Sua “grande realização” é criar a perfeição e ficar sofrendo por não atingi-la, sentindo-se insatisfeito de ficar “enxugando gelo” sem compreender o porquê dele não ficar seco. As conseqüências negativas do perfeccionismo podem ser controladas, apesar das dificuldades, com a observância de algumas regras:
Ter consciência das próprias limitações como algo natural de todo ser humano. Tentar se superar, mas não ficar desesperado por não conseguir, pois sempre terá novas chances para isso. 
Procurar terminar aquilo que começou mesmo que os padrões fixados não tenham sido atingidos. Definir objetivos realistas e mensuráveis. Estabelecer limites de tempo, para identificar quando chegou a hora de parar de ficar tentando o impossível. 
Existem dois tipos de pessoas no mundo. As que têm e as que não têm tendência ao perfeccionismo. Portanto, o indivíduo deve exercer sua autocrítica para saber a que tipo pertence. 
O ser humano precisa mandar sua mania de perfeição para uma viagem sem volta e nunca esquecer que as ações perfeitas não têm vez no caminho para o sucesso, pois o “ótimo é o maior inimigo do bom”.