Arte de Conviver
Laercio Garrido

Professor universitário e escritor.

O que é compaixão?

17 de outubro de 2013 - 18:56

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Nem todo mundo entende o que é compaixão. Alguns acham que é ter piedade. Outros acreditam que é o “sofrer junto”. Muitos confundem compaixão com simpatia ou ainda com empatia. 
Ter compaixão significa o desejo de diminuir o sofrimento de alguém sem qualquer julgamento sobre as razões e a existência dessa dor. Ela se caracteriza pelo esforço da pessoa em compreender e a ação em ajudar aquele que se encontra em situação difícil. 
Quando o ser humano sente pena de seu semelhante, ele pode estar cheio de boas intenções, mas nada fazer para minimizar suas angústias. Então, pode-se dizer que essa pessoa tem piedade do outro, mas não compaixão. Sofrer junto ou sentir pena podem ser atitudes passivas não comprometidas com o ato de ajudar de verdade e que, portanto, não caracterizam a compaixão. 
Ter empatia pelo outro, ou seja, colocar-se em seu lugar para entender o porquê da amargura é condição necessária, mas não suficiente para ajudá-lo. Quando a pessoa tem compaixão, é importante o uso da empatia, mas ela deve ir além desta para efetivamente confortar aquele que sofre. 
O indivíduo pode ter simpatia pelo colega que está com problemas, mas esta atitude de cortesia não demonstra o compromisso em proporcionar conforto ou diminuir sua tristeza. 
A compaixão exige da pessoa que pretende praticá-la o abandono do próprio ego, a renúncia ao “eu” para manter o foco voltado em colaborar com o próximo. 
O que não é compaixão? Não é simplesmente ficar comovido com a situação penosa do outro. Não é só chorar por alguém. Não é apenas sentir piedade do outro. Não é sentir-se satisfeito consigo mesmo, alimentando o orgulho, por ter se preocupado com outra pessoa.
Compaixão é confortar o próximo e no limite cair junto com ele, se for o caso, para ajudá-lo a se levantar com maior rapidez. 
Em diversas situações, o estar presente demonstrando solidariedade de forma silenciosa, já auxilia bastante a pessoa a suportar a aflição. Muito se sentem constrangidos em ajudar por não saber o que dizer. Muitas vezes, basta um olhar de carinho, um sorriso amigo, um abraço carinhoso ou simplesmente ficar ao lado sem nada falar. 
A prática da compaixão com sabedoria simboliza um equilíbrio harmonioso entre quem dá e quem recebe. Aquele que apóia, o faz incondicionalmente, sem sentir-se “superior” ao “coitado” que recebe ajuda. Este por sua vez, precisa querer ser ajudado, sabendo absorver os sentimentos alheios de consolo para conseguir reagir positivamente ao seu problema. 
Pesquisas têm demonstrado que as pessoas que sentem compaixão pelos semelhantes, ajudando-os com ações construtivas, sofrem menos com a depressão e o estresse.
É fundamental manter os olhos e o coração abertos para identificar a pessoa que necessita de apoio, a melhor atitude para fazer isso e a hora certa de agir. A utilização da compaixão com paixão representa uma troca de energia positiva que enriquece quem recebe sem empobrecer aquele que dá.

Texto do livro A Arte de Conviver