Vida & Prazer
Marcia Atik

Psicóloga clínica e terapeuta sexual e de casal

Outra vez

Veja a coluna Vida & Prazer da psicóloga Marcia Atik

08 de março de 2016 - 10:56

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Mais uma vez desde 1910 em que numa Conferência Internacional de Mulheres na Dinamarca foi decidido que o dia 8 de março seria o Dia Internacional das Mulheres. Estamos próximos dessa data que poderia ser desconsiderada pois todo dia é dia de reconhecer direitos e deveres. Mas já que existe o dia internacionalmente consagrado, porque não aproveitarmos para falar, refletir um pouco sobre os nossos problemas, dilemas, angústias e frustrações?

Mas antes de entrar no tema, vale ressaltar que desde então, ao meu ver, uma das maiores conquistas -muitas vezes nem tão valorizada – é de homens e mulheres, a redefinição dos papeis que já está aí, posta em prática e sem possibilidade de retorno. Hoje homens choram sem sentir vergonha ou se sentirem fracos e mulheres dirigem, decidem sem serem mandonas ou machonas.

Li há tempos um texto da socióloga e escritora Camile Paglia que dizia que “Em muitos países, inclusive no Brasil, as mulheres são maioria nas universidades e constituem boa parte da força de trabalho, mas pesquisas sugerem que elas nunca se sentiram tão infelizes. Quais são as causas da tristeza?”. Confesso que a primeira reação foi de repúdio, mas aos poucos fui digerindo e transformando a ótica dela em minha, baseada no que vejo, ouço ou sinto. Cheguei à conclusão de que na verdade não somos homens e mulheres tristes, mas sim perdidos. Percebam que de agora em diante já estou refletindo sobre nós, homens e mulheres, hoje mais do que nunca andando ombreados nas conquistas e nas derrotas.

Com certeza essa reflexão ecoa e faz com que qualquer mulher ou homem interessado na felicidade e paz universal pare para pensar: será que é isso mesmo? Pois bem. Baseando-me em todas as histórias que minha profissão e pacientes me permitem compartilhar eu diria que infelizes não, mas atrapalhadas e muitas vezes perdidas sim. Em maior parte por uma questão bem pessoal e íntima, o que torna esse discurso estranho a ouvidos desinteressados ou mesmo céticos, pois o nosso psiquismo é tão específico que aquilo que conhecemos tradicionalmente como emoções, desejos e desafios tem uma característica muito pessoal para cada pessoa. Não que sejamos difíceis e complicados, mas porque essas emoções e sentimentos tem nuances que oscilam e se permeiam por motivos variados que vão desde a cultura judaico cristã em que nossos valores são calcados, machista, que ainda nos obriga a manter uma certa organização de pensamentos até mesmo a subjetividade das oscilações emocionais.

Portanto, longe de mim ditar mais regras ou mesmo conselhos, tal qual receitas de bolo, pois é dever, de cada uma de nós, diuturnamente passear no escurinho de nossas almas e ao reconhecer esses caminhos tão particulares dominarmos nosso próprio mapa, para que sem GPS saibamos exatamente para onde queremos ir, porque e como. Mesmo sem querer acabei dando uma receita, mas o verdadeiro sabor dessa descoberta de quem sou, o que quero e porque quero é aquele toque muito pessoal, com um jeitinho bem feminino, talvez até resgatando algo de mães e avós para que atualizados nos deem conforto nessa busca que ainda é necessária de aprovação, valorização e principalmente de auto estima.

Acreditando que há sempre um mundo novo, uma nova possibilidade, mas apenas para algumas pessoas, que são aquelas pessoas especiais que buscam dentro de si de suas próprias experiências um novo porvir. É assim que quero ver as mulheres, os homens, nós, nossas mães; filhos e netos, sem idade, não infelizes, mas insatisfeitos sim, pois o caminho ainda não foi totalmente percorrido. E enquanto houver caminhos para percorrer existe anseio, amores e busca..Na verdade existe vida!!