Sou profundo admirador de Pedro II.
O magnânimo Imperador foi um dos estadistas mais admirados em todo o planeta.
Chegou a ser votado para a presidência dos Estados Unidos, tamanha a admiração que sua cultura, seu idealismo pioneiro e sua simpatia causavam.
Não é alguém invulnerável. Há quem o critique.
Leio, por exemplo, que Pedro II foi um egoísta, um doente de vaidade.
Comprazia-se em anular os homens mais eminentes, opondo-se a todas as iniciativas dos ministros.
A vida dos Ministérios era estéril, porque ele não queria que os estadistas agissem por conta própria.
Foi a sua visão estreita, pessoal, que nos levou à guerra contra o Paraguai, guerra que nos valeu a má vontade do mundo inteiro, menos pela sua desigualdade do que pelos motivos que a determinaram.
Quem considera a República um avanço, e não um golpe, parte da observação de que ela prestou ao Brasil enorme serviço, afastando-nos da politicagem no Prata, razão de guerras frequentes.
A invasão do Estado Oriental foi um disfarce de conquista. Com a formação da Cisplatina, milhares de rio-grandenses ali se estabeleceram, levando o seu gado e os seus haveres.
Emancipada a Cisplatina, ficaram eles lá, mas queriam dominar o país, tornando-se senhores do governo.
É essa, como se sabe, a origem do Partido Colorado, ao qual se opôs o dos Blancos, formado pelos elementos naturais, de origem castelhana.
O mundo teria se indignado com a campanha sórdida movida contra Solano Lopez.
Seu nome, o de Lopez, começava a ser citado na França com risco de eclipsar os nomes do Brasil. Liquidado, ficou uma terra desprovida de lideranças durante bom período.
A desforra demorou, mas veio. Hoje, o Paraguai recebe inúmeros empreendedores brasileiros.
Ali, a tributação é muito menor e há segurança jurídica, sem a surreal instância quádrupla da Justiça brasileira. Também não tem os problemas trabalhistas que os empresários aqui enfrentam.
O êxodo já se faz sentir e o Paraguai se reabilitou, sendo hoje um ambiente confiável.
Coisa que a infiltração criminosa e a falta de ética nas Instituições pátrias constituem estímulo a que nossas empresas se transfiram para lá.
Alguém enxerga no horizonte alguma tendência de reversão desse quadro?

José Renato Nalini é reitor da Uniregistral, docente da pPós-graduação da Uninove e secretário-executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.
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