Arte de Conviver
Laercio Garrido

Professor universitário e escritor.

Pequenos gestos da vida

31 de janeiro de 2013 - 21:13

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Faz parte da vida moderna as pessoas sentirem-se pressionadas pelos problemas do cotidiano, tanto nas relações pessoais como no trabalho. Os obstáculos sempre parecem piores do que realmente são. As dificuldades e as tensões do fazer mais com menos e da falta de tempo, não deixam lugar para a prática dos pequenos “grandes” hábitos da gentileza. As atribulações sufocam os gestos de cortesia tão simples que consomem apenas alguns segundos. 
Por que não pedir desculpas ao esbarrar em alguém? Por que não agradecer a ligação telefônica do amigo em retorno ao seu recado? Por que não dizer obrigado ao desconhecido que lhe cede seu lugar no ônibus?  Por que não dar um bom dia à ilustre desconhecida de uniforme que faz a limpeza de seu local de trabalho? 
As palavras gentis são sementes que quando plantadas na alma geram flores e frutos fortalecendo o relacionamento interpessoal. As pessoas podem se perguntar o que irão ganhar em ser atenciosas com aqueles que não têm poder, que ocupam funções sem importância, que são pobres e nunca poderão lhe ser úteis. Infelizmente para muitos indivíduos a sensação do “não adiantar nada” em ser atencioso é muito forte. Esse sentimento precisa ser combatido com todas as forças da mente e do coração. Ser gentil não é sinal de fraqueza. Os hábitos da cortesia com conhecidos e desconhecidos precisam ser incorporado à maneira de viver, como se fossem “tatuagens neurais” impossíveis de remoção.
O “ser gentil” pede passagem para ocupar lugar de destaque na escala de valores, atitudes e comportamentos. A prática de pequenos gestos de atenção pode fazer uma grande diferença no relacionamento com a família, colegas, líder, subordinados, clientes e principalmente consigo mesmo.
Ser gentil com os desconhecidos ou pessoas que não integram seu circulo de relacionamento é importante. Cumprimentar a pessoa sorrindo, olhar nos olhos e apertar as mãos simultaneamente. Não deixar o interlocutor constrangido, dando a mão enquanto já dirige o olhar para a pessoa ao lado. Ao receber um agradecimento ou comentário de alguém evitar a resposta agressiva do silêncio. Manter a calma, ao ser tratado com ironia ou arrogância. Talvez essa pessoa reconheça sua atitude errada e compense a falha nos minutos seguintes.
Ser gentil consigo mesmo energiza o espírito e consolida a autoestima, pois as ações de cortesia com os outros irão consolidar a própria visão positiva da vida, minimizando os efeitos negativos sobre sua saúde física e mental. 
Ser gentil com todos de corpo e alma mantendo-se alinhado aos princípios da educação e cortesia. Na alma com a vontade e paixão de realmente ser atencioso e no corpo evitando as expressões não verbais (olhar agressivo, apontar o dedo, sorriso irônico) que possam ofender os interlocutores. Tanto no campo pessoal como profissional, dar o primeiro passo usando os pequenos gestos de cortesia e reconhecimento é uma regra essencial para melhorar a qualidade de vida.