Panorama Regional
Fernando De Maria

PIB em queda

Estudo da Fundação Seade mostra como a Baixada Santista tem perdido fôlego e importância no cenário estadual. Apesar de representar 4% da população, nossa participação financeira caiu ainda mais: de 3,3% para 3,1%.

28 de fevereiro de 2019 - 19:10

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O estudo divulgado nesta quarta (27) pela Fundação Seade, que compara as mudanças no PIB – Produto Interno Bruto dos municípios, mostra uma queda entre 2002 a 2016 de 3,3% para 3,1% na participação estadual.

Ou seja, o PIB representa todo o dinheiro que circula – no mercado formal – nas cidades, via comércio, serviços e outros.

Os indicadores mostram uma queda significativa na movimentação financeira na Baixada Santista neste período.

Ou seja, menos dinheiro em circulação.

Apenas a região, Vale do Paraíba/Litoral Norte e RM da Grande São Paulo tiveram queda na participação entre o período comparado.

Em números, a Baixada sofreu uma queda de R$ 4 bilhões 076 milhões.

Em 2016, circularam por aqui R$ 63,1 bilhões.

Mas se o índice no início do século fosse mantido, seriam R$ 67,2 bilhões.

A diferença equivale a dois orçamentos do município de Santos, o maior da Baixada Santista. Ou quase três de Praia Grande.

 

Somos 4%

Vale lembrar que a região responde por 4% do eleitorado e da população estadual.

No entanto, em termos financeiros, nossa representatividade financeira é de 0,9%.

Ou seja, se levarmos em consideração este percentual, nossa participação representa R$ 14,2 bilhões a menos que o ideal.

Este cenário negativo ocorre especialmente em razão das quedas de negócios em duas cidades, que concentram mais de 60% de toda a arrecadação regional.

Por exemplo, Cubatão ocupava o 4º lugar no PIB per capita em 2002. Caiu para 12º em 2016.

Santos estava em 8º lugar entre as maiores prestadores de serviços no Estado no início do século.

Agora, caiu para 12º, com queda na participação de 1,7% para 1,3% neste item.

 

Hora de agir

Assim, já passou da hora dos nossos representantes continuarem a olhar passivamente a fuga e fechamento de empresas na região.

Exemplo desta fragilidade e falta de articulação:  o esvaziamento claro da Agência Metropolitana (Agem), cujas ações sumiram nos últimos meses.

O órgão representativo está acéfalo, a despeito de entrarmos no terceiro mês de 2019.

Exemplo deste descaso são as discussões sobre o Plano Regional de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos da Baixada Santista.

O amplo e importante trabalho foi elaborado pelo IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas.

Está prestes a completar um ano e até hoje nada avançou.

Vão esperar o caos instalado com as dificuldades sobre o futuro da destinação dos resíduos sólidos?

E pagarmos mais por isso?

Certamente, com nosso lixo indo para Mauá?

Até quando esta passividade?

 

Praia Grande

Neste cenário, deve-se ressalvar os crescimentos na participação de cidades como Bertioga e, em especial, Praia Grande, em franca ascensão na participação econômica regional, crescendo de 6,7% para quase 10% no período.

A possibilidade do complexo Andaraguá, que promete reforçar a potencialidade da cidade, pode alavancar ainda mais esta situação. É o que se espera.

Além disso, urge que nossos governantes destravem a burocracia para agilizar procedimentos ligados à instalação de empresas portuárias e, em especial, investir no tão falado parque tecnológico, aproveitando a proximidade com a Capital.

E, é claro, nos complexos portuário, turístico e industrial, de grande potencialidade para agregar valor e negócios.

O que não se pode mais é a população admitir que os nossos governantes atuem de forma isolada, pois somos uma região única.

Defender a bandeira da Baixada Santista é algo que todos devemos fazer. Governantes, empresários e população.

Afinal, vivemos em uma metrópole, com seus desafios, problemas e dificuldades.

Se nada for feito de forma conjunta, a situação só tende a piorar.

Ainda mais. E então não adiantará reclamar das dificuldades e problemas que só crescerão.

Infelizmente.