Panorama Regional
Fernando De Maria

Quem sabe faz a hora

Por meio de iniciativa coletiva, dezenas de pessoas criam rede de solidariedade tendo o whatsapp como ferramenta de comunicação. Conheça a história do programa Tampa Amiga, que ajuda no meio ambiente e garante alimentos a 180 crianças.

17 de janeiro de 2019 - 14:30

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Diariamente somos bombardeados com tantas notícias negativas: são crimes, acidentes, tragédias, casos de corrupção e escândalos.

Um clima de desânimo toma conta da massa que se depara com tais imagens do cotidiano ‘vomitadas’ pelos meios de comunicação a todo instante.

Sem contar as redes sociais.

Não bastassem as banalidades que permeiam parcela da imprensa e suas pseudovariáveis.

Assim, não dá mais para esperar a boa vontade dos governantes em resolver os problemas coletivos.

Já que a incompetência e os interesses particulares imperam nos poderes constituídos de forma geral, resta aos cidadãos de boa vontade a missão de estar à frente de ações para melhorar a qualidade de vida da população, especialmente a mais sofrida e indefesa, como idosos e crianças.

Um verdadeiro exército de cidadãos atua à frente de entidades, ONGs, associações religiosas e agremiações benemerentes sérias tentando suprir o hiato que o Poder Público de forma geral deixa de cobrir com eficiência e competência.

Além deste elogiável trabalho social, cresce também o número de voluntários que, de forma anônima, fazem a diferença em suas comunidades, seja atuando na simples limpeza e manutenção em sua calçada, seja na distribuição de alimentos para a população de rua.

 

Captação e Catação

Assim, aproveito este espaço para destacar o trabalho do médico Bruno Pompeu Marques.

Atuando como uma formiguinha, está conseguindo fazer a diferença e estimulando centenas de pessoas a colaborar para um mundo melhor.

Sem alarde e usando o whatsapp, ele criou uma rede de colaboradores com atuação no grupo Tampa Amiga.

São quase 200 pessoas somente no grupo. Sem contar a rede de voluntários na retaguarda.

O objetivo é simples: recolher tampas plásticas coloridas – cujo símbolo na embalagem é caracterizado como PP, ou seja, polipropileno.

O trabalho iniciou em março de 2018 e já ganhou uma dimensão que nem ele imaginava.

Diariamente, o grupo posta as contribuições vindas de voluntários anônimos, estabelecimentos comerciais, amigos e doadores que compõem esta rede colaborativa virtual e real.

Diariamente, são postadas imagens do material recolhido.

Milhares de tampas coloridas de embalagens, além de lacres de latas, já foram recolhidas pela corrente da Tampa Amiga. Foto: Nando Santos

Quase 4 toneladas recolhidas

Já foram quase 3,7 toneladas recebidas, entre tampas e lacres das latas de alumínios.

Portanto, com o montante recolhido, o material é destinado à reciclagem (ajuda ao meio ambiente).

A venda reverte em produtos diversos. Segue a lista publicada pelo organizador e sua esposa, Dulce.

697 litros de leite integral
24 sacos de leite em pó
234 ovos
6 fardos de papel higiênico
4 kg de requeijão
3k de margarina
14 kg de farinha de trigo
13 kg de frutas
14 kg de açúcar
5 galões de desinfetante
15 kg sabão em pó
5 litros de álcool
8 kg de achocolatado Toddy
30 sacos de lixo de 100L
30 sacos de lixo de 20L
10 potes de creme de leite
16 potes de leite condensado.

Além de material de escritório e outras doações voluntárias.

Assim, neste sábado (19), haverá a primeira coleta geral que reunirá os colaboradores para aglutinar as doações.

Desta forma, a meta é ultrapassar a marca das 4 toneladas – o que não será difícil

Resultado: com o dinheiro do material vendido, duas creches em Santos são beneficiadas.

São elas: a ARS, no Chico de Paula, e Lar Veneranda, no Campo Grande.

Ao todo, 180 crianças contempladas.

Ou seja, a iniciativa tem dupla função: sacia a fome de crianças carentes e ajuda o meio ambiente.

Simples, não?

Assim, a iniciativa do médico santista é um – entre tantos outros exemplos da sociedade – de que não dá mais para esperar a burocracia pública, que impede os avanços que a população exige e merece.

Portanto, não basta apenas reclamar dos governantes.

Desta forma, basta literalmente botar a mão na massa para as coisas aconteceram.

Afinal, como já diria Geraldo Vandré, ‘quem sabe faz a hora e não espera acontecer’ .

Enfim, você já pensou nisso?