Panorama Regional
Fernando De Maria

Risco dos extremos

Abre-se espaço para um candidato de centro, mas é cedo para assegurar quem poderá fazer este papel e obter os votos dos eleitores que não querem os extremos

05 de novembro de 2017 - 09:20

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Há menos de um ano das eleições presidenciais , a pesquisa divulgada pelo Ibope na última semana referenda, com poucas alterações, outro levantamento ocorrido em setembro pelo Datafolha: a polarização entre a candidatura do ex-presidente Lula e Jair Bolsonaro. Se a eleição fosse hoje, o Brasil teria que escolher em um eventual segundo turno – o que deverá se repetir – candidatos de extremos à esquerda (Lula) e à direita (Bolsonaro).

O cenário é muito mais que mera referência à Revolução Francesa, de onde surgiram tais termos em 1789, quando os liberais girondinos e os extremistas jacobinos sentaram-se respectivamente à direita e à esquerda no salão da Assembleia Nacional francesa, fato que acabou servindo de mote para diferenciar governos conservadores e extremistas. Mas não se pode desconsiderar as variáveis que surgiram depois, como de centro, centro-esquerda, centro-direita, esquerda da esquerda…

Conforme a nova pesquisa, no voto estimulado, Lula tem 35% dos votos, seguido por Bolsonaro com 13%. Marina Silva (Rede) surge com 8%, o governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB) e o apresentador de TV Luciano Huck (sem partido), com 5%, o prefeito paulistano, João Doria, com 4% e Ciro Gomes (PDT) com 3% das intenções. Brancos e nulos chegam a 18% e indecisos, 5%.

A fotografia deste momento eleitoral, no entanto, encontra uma série de condicionantes. Por exemplo: se Lula for condenado em segunda instância, há o risco real dele não sair candidato. Nesta hipótese, o jogo seria outro com a ausência do líder nas pesquisas.

Outro ponto a ser analisado: se Geraldo Alckmin e João Dória partirem para uma eventual convenção para a escolha do candidato à presidência pelo PSDB? O partido, aliás, tem histórico de rachas que afetaram diretamente a agremiação partidária.

Não se pode também desconsiderar o peso do PMDB nas próximas eleições. Mesmo que o presidente Temer não seja candidato, o partido – como sempre o fez – será governo, qualquer que seja o eleito. Não será surpresa, aliás, até se o PT de Lula voltar ao poder e ter o PMDB de volta como seu antigo parceiro. O senador Renan Calheiros (PMDB), por exemplo, é um fiel escudeiro do ex-presidente.

Portanto, as pesquisas atuais servem apenas como uma fotografia do atual momento político, mas os tantos ‘ses’ que existem no caminho impedem uma análise mais concreta. A única certeza é que teremos segundo turno e há um risco real da polarização dos extermos, o que não é bom para o País.

Abre-se, portanto, espaço para um candidato de centro, mas ainda é cedo para assegurar quem poderá fazer este papel e obter os votos dos eleitores que não querem discursos extremistas.