Vida & Prazer
Marcia Atik

Psicóloga clínica e terapeuta sexual e de casal

Sem clima

04 de junho de 2015 - 06:00

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Nesse espaço e em outros que escrevo recebo inúmeros e mails de mulheres com queixa de desejo hipoativo, isso é de baixo desejo sexual, dando a falsa ideia de que isso só ocorre com elas pelas variações hormonais, pela frescura e até pela malfadada dor de cabeça.

Na verdade é natural que o desejo tanto de homens e mulheres varie, pois ele, o desejo, é uma repercussão de como nos relacionamos num plano mais amplo, portanto é de suma importância perceber se é apenas uma questão de ritmo, ou o desejo anda diminuindo e pensar as causas que também estão em outras áreas da vida.

O importante é nunca patologizar, ou seja, pensar em doenças que é a maneira mais fácil de acomodar quando algo não vai bem, apesar de que hoje sabemos que existe a possibilidade de pessoas serem assexuadas sem que isso se torne um problema desde que não se relacionem ou quando se relacionarem afetivamente, seja com outra pessoa sem os mesmos ímpetos sexuais.

Mas o que me motivou a escrever sobre isso hoje é que ultimamente também homens têm se queixado de desejo hipoativo, o que até faz sentido nesse momento de tantas incertezas que vivemos, portanto me deterei mais nesse recado para eles. Um casal pode conviver em harmonia, durante certo tempo, mesmo que exista insatisfação sexual, buscando compensações no trabalho, no esporte ou em relações extraconjugais.

O mais lógico é que antes que esse tempo se esgote e traga crises incontornáveis que o casal se pergunte e invista na pesquisa para saber onde o elo se rompeu e investir na sua recuperação.

Vale a pena salientar que no enfrentamento desse tipo de problema a adesão do casal na busca de solução é importante, pois se sabe que tanto para a sexualidade feminina como para a masculina a adesão do companheiro e a qualidade da relação são de importância ímpar. Importante encarar qualquer desencontro quer ele seja sexual ou de objetivos entre o casal porque comodismo e medo são fatores que sustentam as relações sem futuro.

Sabe-se que nos dias de hoje, com o advento da pilulinha azul os homens tentam mascarar suas insuficiências na área sexual ,mas em importante congresso recente foi apresentado um estudo cujo dado mais relevante foi, no entanto, que as melhorias se mostraram tão significativas após um processo terapêutico e o enfrentamento da crise  quanto o próprio efeito da medicação, fato que pela primeira é relatado na comunidade científica internacional.

Por fim deixo uma reflexão: qual o limiar entre pouco ou muito desejo? Estamos falando em quantidade de relações sexuais? Qual a qualidade das relações sexuais? Atenção para não estar usando a atividade sexual como um para raio tentando negar ou curar decepções, frustrações ou algo que não esteja bem.

Relacionei essas possibilidades para que cada leitor tente encontrar respostas para suas dúvidas, lembrando que nenhuma exclui uma avaliação médica.

Vamos lá ser feliz,é para isso que vale a vida.