Janela partidária já causa impacto para as eleições | Boqnews
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Eleições 2022

18 DE MARÇO DE 2022

Janela partidária já causa impacto para as eleições

Políticos já se movimentam na tradicional ‘dança das cadeiras’ da janela partidária que segue até o dia 1 de abril

Por: João Pedro Bezerra

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Apesar da data, não é nenhuma mentira: o prazo da janela partidária será encerrado no dia 1 de abril.

Vale destacar que a janela foi iniciada nos primeiros dias de março.

Ela consiste em uma temporada para que os políticos possam trocar de legendas, sem o risco de perder o mandato.

Esta situação acontece em todos os anos eleitorais, conforme previsto na legislação.

A regra atual foi regulamentada pela Reforma Eleitoral de 2015.

Quem perder o prazo só poderá trocar de sigla, sem que isso cause uma possível infidelidade partidária, no próxima disputa eleitoral.

Dança das Cadeiras

A tradicional dança das cadeiras deve ganhar força nas duas próximas semanas.

Tanto os candidatos como os políticos estão no período final da análise e de possíveis alianças.

Dentre as principais trocas em âmbito nacional está a do ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin que saiu do PSDB e foi para o PSB. A decisão foi anunciada nesta sexta-feira (18).

Alckmin deve ser vice na chapa de Lula/Foto: Divulgação

“O momento exige grandeza política, espírito público e união. A política precisa enxergar as pessoas”, salientou o ex-governador em suas redes sociais.

Dessa forma, Alckmin será vice candidato à presidência na chapa de Lula.

Outra baixa que pode ocorrer no PSDB é a possível mudança do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite para o PSD. A conversa nos bastidores é que ele pode ser candidato à Presidência da República, contudo enfrenta resistência no partido.

O cientista político Rafael Moreira acredita que essas mudanças são as principais da janela partidária.

“Pelo fato do Alckmin ser um pré-candidato a vice-presidência e o Eduardo Leite um possível candidato à presidência é algo de bastante peso”.

Eduardo Leite chegou a disputar a prévia no PSDB/Foto: Divulgação

Moreira também destaca as migrações partidárias de políticos para o PL, partido do presidente Bolsonaro, no qual ele se filiou no fim do ano passado. Ele cita que isso trará força de certa forma para a candidatura dele.

Outro nome de relevância nacional que trocou de partido foi o senador Alessandro Vieira, que deixou o Cidadania e migrou para o PSDB.

Só no fim da janela?

Questionado sobre a possibilidade dos políticos só decidirem a filiação nos últimos dias da janela partidária, Rafael Moreira salientou que isso não será uma ordem necessariamente.

“Eu acho que uma parte dos parlamentares vai aguardar até o final da janela, uma parte deles sempre faz isso, esperando as movimentações dos pré-candidatos aos cargos majoritários para analisar as pesquisas e assim decidir para quais partidos vão migrar, isso para aqueles que vão disputar as eleições legislativas. Por outro lado, uma parte considerável das migrações já aconteceu. Figuras importantes já estão mudando de partido. Um impacto é o aumento da bancada do PL”, frisou.

União Brasil

A fusão do DEM e do PSL em União Brasil movimentou a janela partidária.

A união das duas siglas fortaleceu a bancada na Câmara dos Deputados e também os cofres, haja visto que o União Brasil terá a maior fatia do fundo eleitoral.

Entretanto, a fusão fez com que muitos políticos da ala ligada ao governo migrassem para o PL, partido de Bolsonaro.

É o caso da deputada federal bolsonarista Carla Zambelli que tem grande influência no setor mais conservador.

Carla Zambelli seguiu o caminho de Bolsonaro/Foto: Divulgação

Vale destacar que o presidente se elegeu pelo PSL na última eleição e transformou o patamar do partido em representatividade. Afinal, na eleição de 2014 o partido só conseguiu ter um deputado federal. Já em 2018, foram 52.

Porém, não é só a ala do PL. Nesta semana, o deputado estadual Paulo Corrêa Júnior saiu do União Brasil e foi para o PSD, após receber o convite do presidente do partido, o ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. E levou dois vereadores de Santos para a legenda: Bruno Orlandi e João Nery.

Análise

O cientista político Rafael Moreira cita que a janela partidária proporciona mais um cálculo eleitoral, esperando para ver em qual legenda o candidato tem mais chances de vencer a eleição, do que de fato leve-os a uma filiação partidária que seja fundamentada em questões ideológicas.

“Isso são fatores que enfraquecem nosso sistema partidário e uma democracia só existe com um sistema partidário forte”, finalizou.

Baixada Santista

A ida de Geraldo Alckmin para o PSB deve movimentar as peças de xadrez na política da Baixada Santista, isso porque o ex-governador tem boa relação com os membros do PSDB na região, como o ex-prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa. Assim, a janela partidária de 2022 também pode impactar as eleições municipais em 2024.

Para a cientista política, Clara Versiani este impacto nas eleições para prefeito e vereadores pode acontecer, sobretudo se houver uma vitória da oposição tanto para as eleições de presidente, como para o governo de São Paulo.

“Essas mudanças podem acontecer antes, pois os políticos podem se desfiliar do partido e ficar sem legenda e esperar o momento da próxima janela partidária”, citou a cientista.
Além disso, Clara destaca que com a ida de Geraldo Alckmin ao PSB é possível que deputados estaduais e federais ligados a ele sigam para a mesma legenda.

Projeção

Clara Versiani destaca que ainda é cedo para fazer projeções para a disputa presidencial e ao Governo de São Paulo.

Em relação a disputa ao Palácio do Planalto, a cientista citou que apesar das pesquisas colocarem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o atual presidente Jair Bolsonaro (PL) em vantagem, é cedo afirmar algo, porque a campanha ainda não começou.

“Há uma série de impactos que a gente deve considerar, como por exemplo, a guerra na Ucrânia, que tem mostrado que irá causar consequências na economia mundial”, explicou Clara.

Já no Governo de São Paulo, a cientista política acredita que a situação não é diferente, citando a força do candidato do PT, Fernando Haddad e de Rodrigo Garcia (PSDB).

Ela enfatiza, inclusive, o poder do partido no Estado de São Paulo. Sem desconsiderar o ministro Tarcísio de Freitas, o candidato de Bolsonaro para o Palácio dos Bandeirantes.

 

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