O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (20), durante entrevista ao programa India Today, que a regulação da inteligência artificial (IA) deve ficar a cargo de “uma instituição multilateral com o porte das Nações Unidas” e beneficiar toda a sociedade, não apenas alguns proprietários de plataformas digitais. Lula participa de viagem oficial à Índia.
O presidente reforçou a necessidade de proteger crianças, adolescentes e mulheres diante dos riscos que a IA pode causar à vida íntima das pessoas e gerar violência. Ele criticou os donos de grandes plataformas que resistem à regulação e destacou que apenas um controle coletivo garante benefícios para a humanidade.
“Ela pode elevar os padrões de vida, principalmente em saúde e educação. A IA deve servir ao crescimento dos países e à melhoria das condições de trabalho. Quem precisa assumir o controle é a sociedade”, disse Lula.
BRICS e desdolarização
Lula qualificou o BRICS como “uma das coisas mais importantes criadas nas últimas três décadas” e ressaltou que o bloco representa o sul global, incluindo Índia, China e Indonésia, que somam mais da metade da população mundial. Ele defendeu que o bloco possa adotar uma “nova abordagem institucional” e inovar conforme as necessidades do século XXI.
O presidente ainda incentivou o uso de moedas locais em transações comerciais entre os países do BRICS, evitando dependência exclusiva do dólar americano. Ele citou experiências de seu governo, como acordos com a Argentina, para ilustrar alternativas viáveis.
Relações internacionais
Lula afirmou manter boa relação com Donald Trump e pretende negociar parcerias estratégicas envolvendo minerais críticos e combate ao crime organizado, preservando a soberania do Brasil. Sobre a Índia, destacou a presença de 300 empresários brasileiros no fórum de negócios e a intenção de fortalecer relações culturais, políticas e econômicas.
“Queremos aprender com a Índia e ensinar o que podemos. Buscamos parcerias que beneficiem os povos, não apenas vitórias isoladas. É por isso que defendo o multilateralismo”, concluiu.
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