Panorama Regional
Fernando De Maria

MMA do voto

As propagandas eleitorais mais parecem uma luta de MMA do que efetivamente propostas de governo feitas pelos candidatos.

23 de outubro de 2018 - 10:00

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Na semana final que antecede a eleição do segundo turno, a overdose de informações falsas que tentam confundir as pessoas crescerá ainda mais.

Infelizmente, o tempo de rádio e TV, que nada tem de gratuito, pois as empresas de comunicação abatem os valores cobrados em impostos, só tem servido para ataques entre os postulantes aos cargos, seja no governo federal, seja no estadual.

Um verdadeiro MMA de acusações, brigas e xingamentos que nada acrescentam para o eleitorado.

Apenas enaltecem os egos dos candidatos que acreditam que os verbos acusar e ganhar andam juntos.

 

Bolsonaro e Haddad: disputa final neste domingo Foto: Tânia Regô / Marcelo Camargo / Agência Brasil

 

Bolsonaro

Com a vitória assegurada – salvo uma hecatombe de última hora – o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, pouco acrescenta em seu discurso sobre propostas concretas – e não evasivas – para o País.

Afinal, o cidadão está prestes a ser eleito, mas seu discurso limita-se aos ataques ao PT e à ‘petralhada’, como costuma dizer.

Pouco para quem governará a Nação.

Nem mesmo os debates deverão ocorrer, sob o argumento das condições de saúde de Bolsonaro, em razão da facada levada no início de setembro.

Isso é fato.

No entanto, por que não fazer um debate com link ao vivo da própria residência – ou local escolhido pelo candidato – diretamente com os estúdios das emissoras promotoras, onde estaria seu oponente, mantendo-se as mesmas regras e lisura para ambos?

 

Haddad

Já Fernando Haddad, que tenta tirar o vermelho que carrega da bandeira petista pelo verde-amarelo, até busca expor suas ideias e propostas, algumas interessantes, como a valorização do Ensino Médio.

No entanto, seu discurso cai por terra quando por trás de sua oratória estão companheiros de partido, alguns deles envolvidos com escândalos de corrupção.

Mesmo que não apenas o PT tenha se lambuzado nesta farra, o estigma foi lançado ao partido e será difícil livrar-se desta pecha.

Se em âmbito federal a situação já é lastimável, a disputa pelo Palácio dos Bandeirantes consegue ser ainda mais sanguinolenta – no sentido metafórico, é claro.

Na dobradinha de propagandas durante o horário eleitoral, França acusa Doria, que acusa França e assim vai.

 

Eleições 2018

 

 

MMA do voto

Pouco sobra para discutir propostas, analisar orçamentos e realmente verificar se é possível colocar em prática tantas promessas, algumas até mirabolantes.

É o MMA do voto.

O debate na TV Band retratou bem isso.

E os próximos irão aprofundar ainda mais esta tensão.

Diante deste cenário e distante de torcidas por candidato A ou B fica claro o quanto somos engolidos por propostas vazias, nem sempre factíveis, e nem sempre questionáveis.

E se são, os indagadores vão para a fogueira, acusados de jogar contra, especialmente se forem da imprensa.

Perdidos estão os jornalistas sérios que lutam para esclarecer às pessoas sobre as fake news, praga secular que ganhou nova roupagem graças às redes sociais e à parafernália tecnológica.

Diante desta situação, resta-nos aguardar e torcer, sinceramente, para que os eleitos consigam colocar o País nos trilhos.

E que as boas promessas sejam cumpridas.

Para o bem coletivo.

Afinal, a Nação precisa de paz.