Panorama Regional
Fernando De Maria

Risco de misturar água e óleo

11 de fevereiro de 2011 - 19:27

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Considerado o maior partido de oposição em um passado recente, o PMDB vive hoje a reboque das demais agremiações que polarizam o cenário político, o PT e o PSDB. Apesar de manter uma bancada ainda ampla, tem perdido espaço e votos a cada ano, especialmente em São Paulo, um dos maiores redutos.


Seu último candidato presidencial foi Ulysses Guimarães, em 89. Na última eleição, o PMDB voltou ao poder, com o vice Michel Temer. Na disputa estadual, travou uma luta com a cúpula do partido para apoiar os tucanos. Em razão da doença, a renúncia de Orestes Quércia, então presidente estadual da legenda, ao Senado, alavancou a candidatura de Aloysio Nunes na reta final, superando Marta Suplicy (PT) e Netinho (PCdoB).


Com a morte de Quércia em dezembro passado, o diretório estadual foi dissolvido de forma abrupta, provocando reclamações por membros da agremiação. E o novo presidente da sigla, deputado estadual Baleia Rossi, disse à imprensa que todos os diretórios que não cumpriram a meta de garantir 5% dos votos para deputados estaduais e federais do partido nas eleições de 2010 serão chamados a prestar explicações. Apesar de afirmar que não haverá ‘caça às bruxas’, ele não descarta a possibilidade de intervenção em regionais. Em São João da Boa Vista isto já teria ocorrido.


E por aqui?
Afinal, dois prefeitos da região são do PMDB: João Paulo Tavares Papa, de Santos, e Maria Antonieta, de Guarujá. E a votação do partido na Baixada foi abaixo do desejável.


Para deputado federal, o partido obteve 6.853 votos (em candidatos ou na legenda) e 71.180 sufrágios para estadual. Para efeito de comparação, o único deputado federal paulista do PMDB, Edinho Araújo, elegeu-se com 100.195 votos. E o último dos quatro estaduais, Itamar Borges, recebeu 79.195 sufrágios. Números que reforçam a baixa votação do partido na Baixada Santista.


Em Guarujá, o partido ficou em 13º lugar (1.763 votos) entre as legendas para deputado federal e o segundo lugar entre os estaduais (24.372). Em Santos, a agremiação foi apenas a 16ª mais votada para a Câmara Federal (660 votos)  e a 7ª à Assembleia (4.074). Sequer lançou candidato. Líder de votos na Cidade, o PSDB obteve 98.412 sufrágios.


O presidente do diretório santista do partido, Sidney Gaspar, não acredita que tais números sejam motivo para ocorrer qualquer tipo de intervenção na agremiação local em razão da mobilização dos seus 2 mil filiados e na liderança e popularidade do prefeito João Paulo Papa. Gaspar garante que o PMDB está fortalecido e terá papel preponderante na eleição próxima eleição municipal.


Pode ser. Porém, não será surpresa se ocorrer uma intervenção estadual para aproximar o PT do PMDB, o que provocaria uma hecatombe no cenário eleitoral. Espera-se que o bom senso da cúpula estadual prevaleça, pois unir ambas as legendas será o mesmo que misturar água e óleo, com efeitos indesejáveis.