Panorama Regional
Fernando De Maria

Sinal amarelo no Palácio

Dados adicionais da recente pesquisa Enfoque/Boqnews sobre a avaliação de governo são analisados pelo jornalista Fernando De Maria.

26 de fevereiro de 2018 - 16:00

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Prefeito Paulo Alexandre Barbosa. Foto: Rom Santa Rosa/Arquivo

Sinal amarelo. Sintomáticas ou não, ações recentes da Administração Municipal apontam que a pesquisa Enfoque/Boqnews publicada há um mês contribuiu para acender o sinal no Palácio José Bonifácio.

Esta foi a primeira pesquisa divulgada referente à opinião da população em relação ao primeiro ano do segundo mandato do prefeito Paulo Alexandre Barbosa.

Chamou a atenção a queda acentuada da popularidade. Para quem teve percentual recorde de votos (77,74%) há pouco mais de um ano, um tombo.

Afinal, às vésperas das eleições, pesquisa divulgada neste jornal mostrava que o prefeito tinha 65,6% de aprovação (conceitos ótimo e bom), 25,3% de regular e 8% de ruim e péssimo.

Hoje, a realidade é bem diferente. A aprovação despencou para 21,7%. Uma impressionante queda de 43,9 pontos percentuais – média de 3 pp/mês.

Em votos, o equivalente a 5 mil mensais.

A rejeição, por sua vez, subiu como um foguete no mesmo período: 33,1%, quatro vezes mais que às vésperas da eleição.

Se na ocasião, a nota média ponderada era 7,0, hoje é 5,1. Passa de ano, mas raspando, como diriam os mais antigos.

Isso significa que o casamento entre a administração e o eleitorado está em crise.

Esta situação fica mais clara quando traçamos o perfil da opinião dos santistas sobre a Administração Municipal.

As críticas e elogios independem do sexo, mas sofrem mudanças em relação às faixas etárias. As que mais se destacam nos conceitos negativos (ruim e péssimo) estão entre 25 e 34 anos (39%) e 60 a 69 anos (39,5%).

Já o melhor conceito positivo (ótimo e bom) incide entre eleitores acima de 70 anos (38,1%).

Por zona eleitoral, os piores indicadores estão entre os eleitores das zonas 272ª (36,7%) e 118ª (33,3%).

O prefeito mantém um conceito positivo junto a eleitores do Ensino Fundamental, mas perde força a medida que cresce o nível de escolaridade.

Pelo menos, 27% dos eleitores com Ensino Fundamental aprovam (ótimo/bom) o governo, contra 19% entre os de nível superior. Já a visão negativa (ruim/péssima) varia de 28,8% (Ensino Fundamental) a 34% (Superior).

Sobre a renda, o conceito é positivo entre os eleitores mais abastados.

Entre os que têm renda de 10 a 15 salários mínimos, 37,2% consideram o governo ótimo e bom.

É a única faixa onde isso ocorre. Nas demais, os conceitos negativos suplantam os positivos.

Aprovação/rejeição

Quanto à aprovação ou não como o prefeito governa a cidade, 37% dos homens aprovam e 46% desaprovam (a diferença está entre os indecisos). As mulheres são mais críticas: 48,5% desaprovam e 29,5% aprovam.

Assim, mudanças no secretariado, início da operação Corta-Mato, que ganhou o singelo título de Cuidando de Santos (como se isso não fosse uma obrigação!) são iniciativas para conter a sangria na popularidade.

Há tempo para reverter.

Mas é necessário reconhecer os erros, ampliar cobranças, dar respostas ágeis e colocar em prática as promessas de campanha que garantiram o voto de confiança da população ao governo que prometeu cuidar, inovar e avançar.