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Arte no Paço expõe o talento de José Robles

Até 7 de agosto, o projeto Arte no Paço da Secretaria de Cultura e Turismode Praia Grande (Sectur) expõe, no…

20 de julho de 2009 - 13:12

Da Redação

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Até 7 de agosto, o projeto Arte no Paço da Secretaria de Cultura e Turismode Praia Grande (Sectur) expõe, no Paço Municipal (Avenida Presidente Kennedy, nº 9000), o trabalho retratista do artista catalão José Robles.


Ao todo, 12 obras produzidas em tinta acrílica sobre tela, pincel e aerógrafo compõem “Retratismo”, e mostram a técnica autodidata de Robles, cujo aprendizado veio dos cartazes produzidos na época áurea do cinema. Em seu currículo, o artista também conta com trabalhos ilustrando encarte de CD para a banda Skank.


Sem nunca ter freqüentado uma escola de pintura, Robles busca em outro pintor Catalão referência para sua técnica: Pablo Picasso acentuava certos detalhes para afastá-los da realidade. Robles acentua o que quer mostrar. Quando reproduz um rosto, sua técnica consiste em primeiramente criar impacto desenhando os traços mais fortes e depois lapidar os detalhes. O ponto de partida são as fotografias que as distribuidoras e pessoas lhe enviam, para que sejam retratadas.


“Arte para mim é minha interpretação do que vejo. Costumo dizer que faço o que vejo de mais belo em cada um”, comenta o artista. “Quando recebo uma fotografia para que seja retratada, primeiro faço um desenho do que vou pintar. Depois estudo que traços eliminar e quais acentuar para obter o melhor resultado.”


Robles, que é reconhecido pelo realismo e delicadeza de traços, assume ser perfeccionista. “Quando entrego um quadro, tenho certeza que vão gostar, porque eu gosto. Muitas vezes recomecei um trabalho do zero por achar que não estava bom”.


Nascido em Barcelona, Espanha, José Robles iniciou na arte da pintura aos 13 anos, por influência de amigos. Aperfeiçoou sua arte na Argentina, país para onde imigrou com sua família, fugindo de uma Espanha marcada pelas consequências da 2ª Guerra Mundial.


Em 1959, Robles chegou a São Paulo, onde conseguiu seu primeiro emprego como cartazista, no Cine República. “O tango não basta”, brinca Robles. “A alegria do Brasil e sua diversidade cultural sempre me atraíram. Cheguei aqui embuído de espírito aventureiro e muita curiosidade pela vida”. No País, o artista fez carreira produzindo cartazes para diversos filmes. Com a queda dos pedidos de cartazes começou a criar painéis e fachadas para grandes empresas, como General Motors e Carrefour.


Em 1995, foi convidado pela Banda Skank para ilustrar o encarte de “O Samba Poconé”, o terceiro e mais bem-sucedido álbum da banda, com 1,8 milhões de cópias vendidas. O vocalista Samuel Rosa não queria que o encarte tivesse fotografias, e sugeriu ao empresário que fosse buscar “o cara” que fazia os cartazes das salas da Avenida São João. Robles produziu 18 pinturas para o projeto do Skank, 13 delas utilizadas pela banda.


Mais do que ilustrar as canções do Skank e as belas musas do cinema, José Robles deixou sua marca em cidades como Brasília e Atibaia, onde foi o responsável pela pintura da Igreja Matriz, datada de 1665. Atualmente, Robles mora em Praia Grande, e continua a viver de sua arte, retratando pessoas em quadros, que, para ele, são fontes de juventude.


“A juventude passa, mas o retrato é eterno. É uma forma de eternizar um momento. Para mim, a pintura é o que me mantém vivo e feliz. Se não fizesse isso, seria chato e melancólico, sem nenhuma razão para viver. Amo o que faço”.


“Retratismo”, de José Robles tem visitação gratuita no Paço Municipal, de segunda a sexta-feira, das 10 às 16 horas. José Robles estará presente na mostra todas as quartas e quintas-feiras, das 13 às 15 horas, para conversar com os interessados.

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