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	<title>Colunas Archive - Boqnews - conteúdo de qualidade e credibilidade</title>
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	<description>Site de notícias de Santos e Baixada Santista</description>
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	<title>Colunas Archive - Boqnews - conteúdo de qualidade e credibilidade</title>
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		<title>A democracia precisa de jornalismo em todos os idiomas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Autores Externos]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 27 Sep 2026 11:00:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Anna Mae Lamentillo Ao realizar um levantamento linguístico da região metropolitana de Manila, deparo com um paradoxo. A metrópole abriga pelo menos 217 idiomas, número que cresce a cada nova comunidade que encontro. Ao mesmo tempo, alguns idiomas indígenas e regionais das Filipinas estão desaparecendo diante de nossos olhos. Como integrante do grupo etnolinguístico Karay-a, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong>Anna Mae Lamentillo</strong></p>
<p>Ao realizar um levantamento linguístico da região metropolitana de Manila, deparo com um paradoxo.</p>
<p>A metrópole abriga pelo menos 217 idiomas, número que cresce a cada nova comunidade que encontro. Ao mesmo tempo, alguns idiomas indígenas e regionais das Filipinas estão desaparecendo diante de nossos olhos.</p>
<p>Como integrante do grupo etnolinguístico Karay-a, sei o que desaparece quando um idioma enfraquece.</p>
<p>Perdemos palavras, além de canções, rituais, humor, conhecimento ecológico, histórias familiares e formas de enxergar o mundo.</p>
<p>Quando um idioma se cala, um arquivo inteiro queima sem produzir fumaça.</p>
<p>Isso não é apenas uma emergência cultural. É também uma emergência democrática.</p>
<p>A democracia depende de cidadãos capazes de entender o que é feito em seu nome. O jornalismo ajuda as pessoas a avaliar líderes, acompanhar gastos públicos, preparar-se para desastres, defender seus direitos e participar do debate.</p>
<p>Mas a informação não é de fato pública quando está disponível apenas em idiomas que muitos cidadãos não dominam por completo.</p>
<p>As Filipinas, com cerca de 117 milhões de habitantes, abrigam aproximadamente 175 idiomas indígenas vivos, dezenas deles ameaçados.</p>
<p>Ainda assim, o filipino e o inglês dominam a educação, o governo e os meios de comunicação de massa.</p>
<p>Das salas de aula aos tribunais, esses idiomas muitas vezes determinam quem consegue participar com segurança e quem precisa enfrentar um vocabulário pouco familiar.</p>
<p>Esse desequilíbrio transmite uma mensagem clara: os idiomas locais pertencem ao ambiente doméstico, enquanto os idiomas do poder pertencem à vida pública.</p>
<p>Essa mensagem produz consequências.</p>
<p>Um agricultor pode ouvir falar de uma nova política agrícola sem compreender seus termos técnicos. Uma comunidade indígena pode receber notícias sobre mineração ou disputas de terra em um idioma incapaz de expressar sua relação com o território.</p>
<p>Durante tufões, emergências de saúde ou eleições, uma informação pouco clara pode se tornar perigosa. As pessoas podem recorrer, em vez disso, a rumores ou publicações enganosas nas redes sociais que falam com elas de modo mais direto.</p>
<p>O jornalismo em idiomas locais ajuda a reduzir essa lacuna democrática. Ele faz mais do que traduzir, palavra por palavra, reportagens produzidas em Manila.</p>
<p>Permite aos jornalistas fazer outras perguntas, reconhecer prioridades locais e explicar acontecimentos nacionais a partir da experiência das comunidades.</p>
<p>Reportagens em cebuano, hiligaynon, bikol, waray, ilocano, kapampangan ou kinaray-a podem transmitir sentidos e preocupações que desaparecem numa versão nacional padronizada.</p>
<blockquote><p>A democracia depende de cidadãos capazes de entender o que é feito em seu nome. O jornalismo ajuda as pessoas a avaliar líderes, acompanhar gastos públicos, preparar-se para desastres, defender seus direitos e participar do debate.</p></blockquote>
<p>Foi essa convicção que me levou a fundar a Paraluman News. Eu queria ajudar a construir um jornalismo que não obrigasse as comunidades a abandonar seu idioma, sua identidade ou sua experiência para participar da conversa pública. A Paraluman News parte de uma ideia simples: o acesso à informação não deveria depender de alguém falar o idioma das instituições, das elites ou das grandes redações.</p>
<p>O jornalismo precisa entrar nas comunidades, ouvir com atenção e se comunicar de formas que as pessoas reconheçam como próprias. <a href="https://www.myparaluman.ph/">Paraluman News</a></p>
<p>Essa também é uma questão sobre quem vai moldar o futuro da mídia filipina. Jovens filipinos muitas vezes são tratados apenas como público ou usuários de tecnologia.</p>
<p>Mas podem se tornar repórteres, tradutores, editores, historiadores comunitários e inovadores na área de mídia.</p>
<p>Eles já transitam por idiomas, plataformas e espaços culturais. Sabem como uma história pode sair de uma conversa num barangay e chegar a um grupo de mensagens, a um podcast ou a um debate nacional.</p>
<p>Com formação, confiança e recursos, os jovens podem liderar o renascimento do jornalismo em idiomas locais.</p>
<p>Podem registrar as histórias dos mais velhos, produzir vídeos jornalísticos em idiomas regionais, criar arquivos digitais e explicar políticas públicas em formatos úteis para suas comunidades.</p>
<p>Podem mostrar que a língua materna não é uma barreira à modernidade, mas uma fonte de autoridade, criatividade e conexão.</p>
<p>A região metropolitana de Manila revela tanto a promessa quanto o risco da vida multilíngue. Em mercados, escolas e espaços digitais, kapampangan, pangasinan, chavacano, hokkien, taglish e muitos outros idiomas se encontram e evoluem. Mas a migração cria pressão para abandonar a língua materna.</p>
<p>Sotaques regionais são ridicularizados como provincianos, e falantes aprendem a apagar a musicalidade de suas origens para soar aceitáveis.</p>
<p>As redações podem reforçar essa hierarquia ou desafiá-la. Devem investir em repórteres, editores, apresentadores e correspondentes comunitários que trabalhem em idiomas locais e indígenas.</p>
<p>Esse trabalho precisa fazer parte do jornalismo diário de interesse público, e não aparecer apenas em reportagens ocasionais sobre patrimônio cultural. Rádios comunitárias, jornais regionais, podcasts e canais digitais merecem apoio contínuo. As universidades também devem formar jornalistas multilíngues.</p>
<p>Apoiar o jornalismo em idiomas locais não é apenas um projeto cultural. É um investimento em cidadania informada, confiança pública e participação em condições de igualdade.</p>
<p>Uma democracia não pode afirmar que inclui todos ao mesmo tempo em que exige de milhões de pessoas o abandono de seu idioma mais forte à porta.</p>
<p>No Dia Mundial do Jornalismo, devemos lembrar que o direito de saber inclui o direito de compreender.</p>
<p>O jornalismo só cumpre sua função democrática quando as pessoas podem ouvir a verdade, questionar o poder e imaginar seu futuro num idioma que sintam como seu.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>(*) Este artigo de opinião foi encomendado como parte da campanha &#8220;<a href="https://worldnewsday.org/">Dia Mundial do Jornalismo&#8221;</a> , uma iniciativa que destaca o papel essencial do jornalismo na oferta de fatos e clareza.</em></p>
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		<title>Mais atenção aos legislativos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Autores Externos]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 26 Sep 2026 12:00:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Humberto Challoub Faltando poucos dias para a realização do primeiro turno das eleições gerais, o pleito deste ano reveste-se de extrema importância diante do preocupante momento político-institucional vivido no Brasil. Polarizadas por posições radicais, as campanhas mais uma vez pouco contribuíram para o entendimento pleno dos projetos e programas defendidos pelas candidaturas, porém foram, em [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong>Humberto Challoub</strong></p>
<p>Faltando poucos dias para a realização do primeiro turno das eleições gerais, o pleito deste ano reveste-se de extrema importância diante do preocupante momento político-institucional vivido no Brasil.</p>
<p>Polarizadas por posições radicais, as campanhas mais uma vez pouco contribuíram para o entendimento pleno dos projetos e programas defendidos pelas candidaturas, porém foram, em sua grande maioria, eficientes para alimentar sentimentos de contrariedade e rejeição.</p>
<p>Assim, habitualmente relegada ao segundo plano diante da polarização que se estabeleceu na disputa pela Presidência da República, a escolha dos futuros deputados e senadores representará o caminho que a sociedade brasileira indicará para dotar o País com as legislações necessárias visando, além de favorecer a melhoria da qualidade de vida da população, recuperar o equilíbrio entre os poderes constituídos.</p>
<p>Há muito o Congresso não consegue evitar a ampliação do desgaste de sua imagem perante a opinião pública, em razão dos muitos episódios que demonstraram total desprezo à probidade que deveria guiar a atuação legislativa, oferecendo assim justificativas para que a ingerência do Poder Judiciário se tornasse comum e aceita com complacência por muitos.</p>
<blockquote><p>Relegada ao segundo plano diante da polarização que se estabeleceu na disputa presidencial, a escolha dos futuros deputados e senadores representará o caminho que a sociedade brasileira indicará para dotar o País com as legislações necessárias visando, além de favorecer a melhoria da qualidade de vida da população, recuperar o equilíbrio entre os poderes constituídos.</p></blockquote>
<p>Além do restabelecimento das funções fiscalizadoras e de controle aos excessos cometidos, aos legislativos cabe a missão recuperar os valores imprescindíveis que asseguram o respeito aos princípios constitucionais consagrados na Carta Magna de 1988, que asseguraram aos brasileiros direitos às liberdades individuais, de livre expressão, de credo, das opções de gênero e dignidade humana.</p>
<p>Dessa forma, mais do que nunca se impõe a premente necessidade de uma maior participação dos eleitores na escolha dos representantes que irão ocupar cadeiras na Câmara Federal e no Senado, a partir do melhor conhecimento de suas propostas e históricos de atuação.</p>
<p>Ao mesmo tempo, será necessário exigir dos parlamentares o compromisso de manter uma atuação dirigida à formulação de propostas voltadas à construção de um modelo político-institucional atualizado às novas demandas políticas e, sobretudo, que venham estabelecer critérios mínimos para qualificar o aceite dos indicados a ocupar os principais cargos do País.</p>
<p>Não há de se esperar por milagres ou por soluções simplistas para a resolução dos graves problemas que afetam as famílias brasileiras, mas ainda é por meio do exercício do voto democrático a melhor maneira de aprimorar um regime que, na prática, tem produzido poucos benefícios ao conjunto da população.</p>
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		<title>Contagem regressiva</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Autores Externos]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 26 Sep 2026 11:15:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A semana será conclusiva para a disputa, cuja exceção em São Paulo- conforme as pesquisas até o momento &#8211; deve ocorrer apenas às eleições presidenciais, onde o segundo turno ocorrerá em 25 de outubro. Força do dinheiro Assim, será neste momento que o poderio econômico prevalecerá, onde, embalados por recursos públicos, os candidatos vão apostar [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A semana será conclusiva para a disputa, cuja exceção em São Paulo- conforme as pesquisas até o momento &#8211; deve ocorrer apenas às eleições presidenciais, onde o segundo turno ocorrerá em 25 de outubro.</p>
<h2 style="text-align: center;"><span style="color: #800000;">Força do dinheiro</span></h2>
<p>Assim, será neste momento que o poderio econômico prevalecerá, onde, embalados por recursos públicos, os candidatos vão apostar todas as fichas para garantir a (re) eleição.</p>
<p>Os dados abaixo, que não definitivos, estão disponíveis neste <strong><a href="https://divulgacandcontas.tse.jus.br/divulga/#/home">portal</a></strong></p>
<h2 style="text-align: center;"><span style="color: #800000;">Em caixa</span></h2>
<p>Entre os deputados da região, a mais aquinhoada com recursos até o momento é a deputada Rosana Valle (PL).</p>
<p>Já recebeu R$ 3,340 milhões, 5,1% acima do limite de gastos.</p>
<p>Terá que devolver a diferença ao partido.</p>
<p>Do montante recebido, o maior gasto foi para pagamento de pessoal: R$ 1,131 milhão.</p>
<h2 style="text-align: center;"><span style="color: #800000;">Rei das redes</span></h2>
<p>Já o segundo no ranking de receitas foi Da Cunha (União).</p>
<p>Seu partido assegurou-lhe R$ 2,76 milhões, sendo R$ 2,13 milhões gastos.</p>
<p>Atividades com militância consumiram R$ 615 mil e despesas com impulsionamento de conteúdos nas redes, R$ 615 mil.</p>
<h2 style="text-align: center;"><span style="color: #800000;">Terceiro</span></h2>
<p>Por sua vez, o deputado Paulo Alexandre Barbosa (PSD) recebeu R$ 1,77 milhões para a campanha até o momento, sendo R$ 1,293 gastos, especialmente para pagamento de pessoal (R$ 355 mil) e locação de imóveis (R$ 225.090,67).</p>
<h2 style="text-align: center;"><span style="color: #800000;">Candidatos dos milhões</span></h2>
<p>Com limite de gastos de R$ 1,27 milhão para os estaduais, três candidatos a estaduais já ultrapassaram a barreira do R$ 1 milhão recebidos: Solange Freitas (R$ 1,21 milhão), Coimbra (R$ 1,03 milhão) e Paulo Mansur (R$ 1,05 milhão).</p>
<p>Os outros deputados estaduais da região receberam bem menos até agora.</p>
<p>R$ 574 mil  (Caio França) e R$ 470,7 mil (Paulo Correa Jr).</p>
<h2 style="text-align: center;"><span style="color: #800000;">Aposta</span></h2>
<p>O PSOL aposta na candidatura da vereadora Débora Camilo a estadual.</p>
<p>Afinal, sua candidatura já arrecadou R$ 857 mil, 98% vindos do fundo eleitoral.</p>
<h2 style="text-align: center;"><span style="color: #800000;">Bem na fita</span></h2>
<p>Outro com dinheiro em caixa é o vereador vicentino Thiago Peretto (Podemos), cuja campanha já arrecadou R$ 552 mil, 2,5 vezes a mais que seu colega do Legislativo, mas de Santos, Fabrício Cardoso.</p>
<p>Dessa maneira, ele recebeu R$ 195 mil apenas de doadores para sua campanha.</p>
<p>Portanto, nada do fundo eleitoral até agora.</p>
<h2 style="text-align: center;"><span style="color: #800000;">Outros nomes</span></h2>
<p>Por sua vez, entre os demais vereadores santistas candidatos, Carlos Teixeira Filho (estadual &#8211; PSDB) foi quem menos recebeu até o momento: R$ 59,5 mil.</p>
<p>Seu colega de legenda a federal, Raul Christiano, ficou com R$ 434,7 mil.</p>
<p>Já a campanha a federal de Benedito Furtado (PSB) arrecadou R$ 115 mil até agora.</p>
<h2 style="text-align: center;"><span style="color: #800000;">Igualdade</span></h2>
<p>O caso mais curioso ocorre no PT.</p>
<p>Afinal, o candidato a estadual, Chico Nogueira, recebeu R$ 192 mil para a campanha, 35% a mais que seu colega de partido, mas a federal, o médico Marcos Caseiro.</p>
<p>Assim, as candidaturas federais costumam receber mais que as estaduais.</p>
<p>Vale lembrar que os números, porém, não são definitivos.</p>
<h2 style="text-align: center;"><span style="color: #800000;">Depois das eleições</span></h2>
<p>Será depois da eleição quando a secretária de Comunicação e Economia Criativa, Selley Storino, responderá dúvidas dos edis a respeito de posts de páginas de outras cidades nas redes sociais, alguns com autopromoção de gestores, além de ataques a adversários, como destaca a oposição.</p>
<p>O pedido foi feito pelo vereador Rui de Rosis Jr (PL).</p>
<p>Em 9 processos, 7 páginas foram contratadas, sendo 6 de São Vicente e Cubatão, totalizando R$ 76.875 pagos.</p>
<p>A pasta nega irregularidades.</p>
<h2 style="text-align: center;"><span style="color: #ff6600;">Quem responde?</span></h2>
<p><strong>Quais&#8230;</strong></p>
<p>escândalos surgirão nesta reta final de campanhas?</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Uma nova ameaça à liberdade imprensa</title>
		<link>https://www.boqnews.com/colunas/liberdade-imprensa/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Autores Externos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 25 Sep 2026 17:00:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Marcelo Rech Em todo o mundo e em qualquer período da história, fazer jornalismo tem muito de missão, uma espécie de sacerdócio movido pela convicção de que informação livre e confiável tem o poder de transformar positivamente a sociedade, ou ao menos desacelerar os processos de degradação civilizatória. Na América Latina, desde sempre foi preciso [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong>Marcelo Rech</strong></p>
<p>Em todo o mundo e em qualquer período da história, fazer jornalismo tem muito de missão, uma espécie de sacerdócio movido pela convicção de que informação livre e confiável tem o poder de transformar positivamente a sociedade, ou ao menos desacelerar os processos de degradação civilizatória.</p>
<p>Na América Latina, desde sempre foi preciso muita perseverança, e até pitadas de heroísmo, para enfrentar ameaças e intimidações.</p>
<p>Agora, é preciso agregar a este caldo de desafios doses maciças de teimosia para assegurar a manutenção da própria imprensa como instituição fundamental para as sociedades democráticas.</p>
<p>Os balanços das entidades de defesa da liberdade de imprensa são sempre assustadores quando chegam ao capítulo da América Latina.</p>
<p>Há ditaduras que figuram nos piores índices em qualquer ranking de perseguição ao jornalismo livre, como Cuba e Nicarágua.</p>
<p>Há assassinatos recorrentes de jornalistas, como no México, onde este ano haviam sido mortos até 15 de agosto sete profissionais de imprensa.</p>
<p>E há ainda as intimidações constantes de governos de extrema direita e de esquerda.</p>
<p>Tais regimes, que se multiplicaram na região na esteira da polarização, muitas vezes elegem a imprensa como inimiga, como forma de tentar eliminar o intermediário das más notícias e da fiscalização sobre seus governos.</p>
<p>O mundo, de fato, nunca foi fácil para jornalistas na América Latina. Mas agora apenas a teimosia, traduzida pela resiliência neste sacerdócio, se mostra capaz de resistir à onda devastadora das mudanças de algoritmos e à apropriação desautorizada de conteúdos jornalísticos tão arduamente produzidos e que são usados para alimentar os modelos de Inteligência Artificial sem quase nenhum reconhecimento.</p>
<p>Todos defendem a liberdade de imprensa, mas ela precisa, além de liberdade, de uma imprensa robusta e economicamente saudável.</p>
<blockquote><p>É preciso agregar a este caldo de desafios doses maciças de teimosia para assegurar a manutenção da própria imprensa como instituição fundamental para as sociedades democráticas. Os balanços das entidades de defesa da liberdade de imprensa são sempre assustadores quando chegam ao capítulo da América Latina.</p></blockquote>
<p>O aniquilamento gradual do ecossistema jornalístico interessa a regimes autoritários, a governos e políticos corruptos e a todos aqueles que enxergam na imprensa profissional não um aliado contra a barbárie, e sim um inimigo a ser destroçado. Mas não deveria interessar às big techs e aos modelos de IA.</p>
<p>Informação verificada, equilibrada e plural, é um bem cada vez mais escasso neste mundo atordoado pelas manipulações e deep fakes.</p>
<p>Deveria, portanto, ser tratada como um bem precioso pelas bilionárias plataformas de IA, que pagam fortunas por talentos, softwares, chips, energia e datacenters, mas se recusam a remunerar devidamente os fornecedores de seu insumo mais relevante, exatamente a informação precisa e confiável ainda produzida pelas redações.</p>
<p>Sem jornalismo profissional, uma vasta camada de dados das plataformas de IA será um imenso lodaçal no qual as alucinações e aberrações desinformativas vão imperar.</p>
<p>Quem quiser ter uma ideia de como seria esse novo universo deve recordar o que ocorreu em Ceuta em julho passado.</p>
<p>Mais de 70 mil marroquinos, em sua maioria jovens, se lançaram ao mar porque acreditaram piamente em uma desinformação propagada em alta velocidade pelas redes sociais e grupos de mensagem, de que bastaria chegar pelo mar a Ceuta para ter a Europa sob seus pés.</p>
<p>Agora, segundo a última pesquisa do Reuters Institute for the Study of Journalism, da Universidade de Oxford, 52% dos jovens entre 18 e 24 anos se informam prioritariamente por redes sociais.</p>
<p>O resultado da tendência? Uma massa enganada e mais de 80 corpos retirados do mar.</p>
<p>Essa visão do inferno informativo é um aperitivo do que pode acontecer se prosseguir a erosão do ecossistema jornalístico.</p>
<blockquote><p>O aniquilamento gradual do ecossistema jornalístico interessa a regimes autoritários, a governos e políticos corruptos e a todos aqueles que enxergam na imprensa profissional não um aliado contra a barbárie, e sim um inimigo a ser destroçado. Mas não deveria interessar às big techs e aos modelos de IA.</p></blockquote>
<p>Sem reportagens investigativas, os corruptos, os devastadores do meio ambiente, os exterminadores de direitos humanos, os déspotas e uma vasta legião de malfeitores, muitas vezes fora do alcance das leis, terão mãos livres para agir.</p>
<p>Sem pluralidade, a sociedade perderá a noção dos pesos e contrapesos, essenciais nos processos de escolhas nas democracias, e se tornará cada vez mais refém de extremismos e da polarização. Sem jornalismo confiável, nossas sociedades retrocederão séculos de civilização.</p>
<p>Um extraordinário filme brasileiro, Ainda Estou Aqui, teve três indicações ao Oscar em 2025 e conquistou o de Melhor Filme Internacional.</p>
<p>Ele narra a resistência moral, ética e emocional de uma família diante da desfaçatez da ditadura militar depois do desaparecimento do pai, um deputado federal de tendência moderada mas ainda assim encarado como inimigo a ser eliminado.</p>
<p>O jornalismo na América Latina vive uma situação parecida. Sofre com violência, perseguições e injustiças e agora com a ameaça existencial de destruição pela inteligência artificial.</p>
<p>Mas ainda estamos aqui. E nunca custa lembrar o que apregoa uma tradição oral brasileira inspirada na resistência dos indígenas: enquanto houver bambu, haverá flecha.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>(*) Este artigo de opinião foi encomendado como parte da campanha &#8220;<a href="https://worldnewsday.org/">Dia Mundial do Jornalismo&#8221;</a> uma iniciativa que destaca o papel essencial do jornalismo na oferta de fatos e clareza.</em></p>
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		<item>
		<title>Os dividendos da integridade informacional: o valor de saber</title>
		<link>https://www.boqnews.com/colunas/liberdade-imprensa-2/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Autores Externos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 25 Sep 2026 10:00:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>David Walmsley &#124; Mariya Gabriel &#124; Liz Corbin  Não nos falta informação. Nunca tivemos tanta. No entanto, em todo o mundo, as pessoas lutam para responder às perguntas mais simples: O que realmente aconteceu? Quem decidiu o quê? É verdade? Este é o paradoxo da nossa era. As sociedades mais conectadas da história também estão [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong>David Walmsley | Mariya Gabriel | Liz Corbin </strong></p>
<p>Não nos falta informação. Nunca tivemos tanta. No entanto, em todo o mundo, as pessoas lutam para responder às perguntas mais simples: O que realmente aconteceu? Quem decidiu o quê? É verdade?</p>
<p>Este é o paradoxo da nossa era. As sociedades mais conectadas da história também estão entre as mais vulneráveis ​​à confusão, à manipulação e à desconfiança.</p>
<p>A informação circula mais rápido do que a responsabilidade. Os algoritmos recompensam a indignação em detrimento da precisão.</p>
<p>A inteligência artificial gera falsidades plausíveis em larga escala. Num ambiente como este, o direito de saber não é apenas uma questão de transparência; é a essência da liberdade.</p>
<p>Sem uma compreensão precisa do que está acontecendo e do que está sendo feito em seu nome, a névoa do engano se adensa e os malfeitores podem enganar impunemente.</p>
<p>A sociedade é mais vulnerável quando o acesso à informação é negado. A Access Now e a coalizão #KeepItOn documentaram 313 interrupções da internet em 52 países em 2025, o maior número já registrado.</p>
<p>As interrupções bloqueiam o jornalismo, silenciam comunidades e negam às pessoas informações potencialmente vitais.</p>
<blockquote><p>A inteligência artificial gera falsidades plausíveis em larga escala. Num ambiente como este, o direito de saber não é apenas uma questão de transparência; é a essência da liberdade.</p></blockquote>
<p>As leis de acesso à informação são um pilar da integridade da informação, e o monitoramento mais recente da UNESCO mostra progresso.</p>
<p>Sua pesquisa de 2025 mostrou que 141 países têm garantias legais para o acesso à informação.</p>
<p>Mas a adoção não é implementação, e muitos países ainda enfrentam lacunas práticas em supervisão, recursos, aplicação, manutenção de registros e gerenciamento de dados. Dos países pesquisados, 51 não conseguiram fornecer dados sobre gestão documental, apesar de relatarem ter sistemas ou procedimentos em vigor.</p>
<p>Os órgãos reguladores de acesso a informação e outros supervisores transformam as disposições legais em direitos exigíveis.</p>
<p>No entanto, muitos deles são prejudicados por mandatos fracos, nomeações atrasadas, cortes orçamentários, interferência política, limites em seus poderes e ataques à sua independência.</p>
<p>Para que o acesso à informação funcione, esses órgãos devem ser protegidos por lei, receber poderes e recursos adequados e estar protegidos de influências indevidas.</p>
<p>A lacuna foi ainda mais confirmada por um teste de leis de acesso à informação realizado em 2025, em conjunto pela UNESCO e pelo Centro para o Direito e a Democracia.</p>
<p>Em 146 pedidos idênticos em 76 países, 38% não receberam nenhuma resposta substancial, apenas 42% resultaram em divulgação completa e o tempo médio de resposta foi de 22 dias.</p>
<p>Um exercício semelhante será repetido este ano para medir qualquer mudança.</p>
<p>O acesso à informação precisa evoluir, mas exemplos das deficiências estão por toda parte, mesmo em países com legislação bem-intencionada.</p>
<p>E em um vácuo de informação, o jornalismo corajoso e independente é indispensável. O jornalismo destila a informação para o entendimento público.</p>
<p>Ele investiga, questiona, corrobora e contextualiza, mas também combate a desinformação. Ele faz perguntas que algumas partes preferem evitar. E dá aos cidadãos os meios para participar de forma significativa na vida pública.</p>
<p>Os danos causados ​​pela desinformação são reais. A UNESCO estima que casos individuais de desinformação podem acarretar custos econômicos e sociais de US$ 350 bilhões a US$ 510 bilhões anualmente, por meio de respostas de saúde pública enfraquecidas, eleições distorcidas, atraso em ações climáticas, perdas financeiras, danos à reputação e erosão da confiança nas instituições.</p>
<p>A desinformação, portanto, não é apenas um problema de comunicação. É um risco de governança, um passivo econômico e uma ameaça direta à capacidade das pessoas de tomar decisões informadas.</p>
<p>As emissoras de serviço público e as organizações de mídia independentes são um contrapeso fundamental para esse problema.</p>
<p>Seu mandato não é buscar engajamento a qualquer custo, mas informar e servir a todos os públicos.</p>
<blockquote><p>A informação fiável e de livre acesso é um benefício partilhado. Mas depende de autoridades que protejam o acesso à informação, de jornalistas que procurem a verdade acima de tudo e do direito dos cidadãos aos fatos.</p></blockquote>
<p>No entanto, elas enfrentam as pressões simultâneas de públicos fragmentados, declínio da confiança, interferência política, restrições financeiras, dependência de plataformas e conteúdo falso, sintético e manipulado desenfreado. Sua luta para continuar produzindo jornalismo de qualidade não é uma preocupação setorial, mas sim democrática.</p>
<p>A resposta deve incluir investimentos renovados em jornalismo de interesse público, independência editorial, checagem de fatos, verificação de fontes abertas, alfabetização midiática e informacional e colaboração transfronteiriça. Assim como as notícias falsas se espalham globalmente, os fornecedores de jornalismo confiável devem cooperar transnacionalmente.</p>
<p>O ecossistema da informação seria mais pobre e muito mais frágil sem a mídia de interesse público – mas ela não pode defendê-lo sozinha.</p>
<p>No Dia Mundial das Notícias e no Dia Internacional do Acesso Universal à Informação, o desafio é prático e apelamos a todos os atores no espaço da informação para que façam melhor:</p>
<p>• Os governos devem aplicar as leis de acesso à informação e proteger a supervisão independente.<br />
• As plataformas e as empresas de tecnologia devem assumir total responsabilidade pelos espaços de informação que criam, em total consonância com o direito internacional dos direitos humanos.<br />
• E as organizações de comunicação social de todos os tipos devem sempre optar pelo rigor em vez do alcance.</p>
<p>A informação fiável e de livre acesso é um benefício partilhado. Mas depende de autoridades que protejam o acesso à informação, de jornalistas que procurem a verdade acima de tudo e do direito dos cidadãos aos fatos.</p>
<p>O dividendo da integridade é real, mas só é alcançado quando todos nós fazemos a nossa parte.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-325735 size-large aligncenter" src="https://www.boqnews.com/wp-content/uploads/2026/09/AutoresW3-1024x532.jpg" alt="" width="1024" height="532" srcset="https://www.boqnews.com/wp-content/uploads/2026/09/AutoresW3-1024x532.jpg 1024w, https://www.boqnews.com/wp-content/uploads/2026/09/AutoresW3-300x156.jpg 300w, https://www.boqnews.com/wp-content/uploads/2026/09/AutoresW3-768x399.jpg 768w, https://www.boqnews.com/wp-content/uploads/2026/09/AutoresW3-1536x797.jpg 1536w, https://www.boqnews.com/wp-content/uploads/2026/09/AutoresW3.jpg 1753w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>(*) Este artigo de opinião foi encomendado como parte da campanha &#8220;<a href="https://worldnewsday.org/">Dia Mundial do Jornalismo&#8221;</a> , uma iniciativa que destaca o papel essencial do jornalismo na oferta de fatos e clareza.</em></p>
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		<title>A República no lodo: O colapso moral dos Três Poderes </title>
		<link>https://www.boqnews.com/colunas/moral-e-republica/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Autores Externos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Sep 2026 17:00:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Samuel Hanan É preciso dizer com todas as letras: os três poderes da República e suas mais importantes instituições sucumbiram. Não se trata de discurso eleitoral ou indignação seletiva, mas da grave realidade de uma nação à deriva e atolada na lama da corrupção. Honra, ética, respeito ao dinheiro público e à democracia foram abandonados. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong>Samuel Hanan</strong></p>
<p>É preciso dizer com todas as letras: os três poderes da República e suas mais importantes instituições sucumbiram.</p>
<p>Não se trata de discurso eleitoral ou indignação seletiva, mas da grave realidade de uma nação à deriva e atolada na lama da corrupção.</p>
<p>Honra, ética, respeito ao dinheiro público e à democracia foram abandonados.</p>
<p>A transparência foi sufocada pela blindagem das mais altas autoridades do país, investigadas pela Polícia Federal sob o comando do próprio Supremo Tribunal Federal (STF).</p>
<p>Os escândalos acumulam-se e revelam uma degradação moral sem precedentes, atingindo agora o Poder Judiciário.</p>
<p>Ninguém escapa: nem idosos, deficientes, pensionistas ou beneficiários do INSS que sobrevivem com um mísero salário-mínimo. A crueldade não encontra limites.</p>
<p>O mais recente escândalo, o do Banco Master, escancara o envolvimento da elite política e institucional em um rombo recorde de R$ 85 bilhões.</p>
<p>O esquema lesou fundos de pensão e bancos estaduais, articulado por um único banqueiro que cooptou governadores, ministros, membros do Banco Central, congressistas e o topo do Ministério Público Federal.</p>
<blockquote><p>A corrupção atingiu um nível insuportável de impunidade. É preciso estancar a sangria e punir todos os responsáveis com o rigor da lei, independentemente do cargo. Este não pode continuar sendo o país dos intocáveis.</p></blockquote>
<p>Uma rede regada a luxos e contratos milionários que lembra a célebre frase de Ulysses Guimarães: o cadáver foi aberto e está fedendo.</p>
<p>Diante disso, o que esperam as forças vivas da sociedade — OAB, entidades intelectuais, sindicatos, empresários e a imprensa?</p>
<p>A corrupção atingiu um nível insuportável de impunidade. É preciso estancar a sangria e punir todos os responsáveis com o rigor da lei, independentemente do cargo. Este não pode continuar sendo o país dos intocáveis.</p>
<p>É urgente enfrentar as causas desse colapso, a começar pelo instituto da reeleição no Executivo.</p>
<p>A reeleição mostrou-se desastrosa: o governante assume pensando no próximo mandato, substituindo o governo de coalizão por governos de cooptação, onde o &#8220;toma-lá-dá-cá&#8221; virou moeda corrente.</p>
<p>Enquanto isso, a conta é paga por mais de 100 milhões de brasileiros empobrecidos. São 60 milhões sofrendo com a corrosão inflacionária do Bolsa Família e a mudança na fórmula do salário-mínimo, sob o pretexto de uma austeridade fiscal fictícia diante de um déficit de R$ 1 trilhão ao ano.</p>
<p>O dinheiro da corrupção engorda o patrimônio dos corruptos enquanto a desigualdade social se aprofunda.</p>
<p>O Brasil não merece esse destino e ninguém pode se omitir. Ao cidadão comum cabe mais do que rezar: nas urnas, o poder de cada voto é rigorosamente igual ao dos intocáveis.</p>
<p>Os cidadãos de bem somam mais de 200 milhões — e a mudança está em suas mãos.</p>
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		<item>
		<title>A crise no STF entra na urna</title>
		<link>https://www.boqnews.com/colunas/crise-no-stf/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Autores Externos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Sep 2026 12:01:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gaudêncio Torquato O Supremo Tribunal Federal não disputa eleições, mas a crise que se instalou em seu interior já entrou na campanha. A sessão extraordinária do último dia 15 de setembro mostrou ministros divididos, acusações recíprocas e divergências sobre como examinar as suspeitas surgidas no caso Banco Master. O plenário terminou sem decidir se Alexandre [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong>Gaudêncio Torquato</strong></p>
<p>O Supremo Tribunal Federal não disputa eleições, mas a crise que se instalou em seu interior já entrou na campanha.</p>
<p>A sessão extraordinária do último dia 15 de setembro mostrou ministros divididos, acusações recíprocas e divergências sobre como examinar as suspeitas surgidas no caso Banco Master.</p>
<p>O plenário terminou sem decidir se Alexandre de Moraes será investigado. A poucos dias do primeiro turno, a imagem de uma Corte incapaz de resolver seu próprio impasse passa a acompanhar o eleitor.</p>
<p>O tribunal discutia um relatório da Polícia Federal com mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, supostamente dirigidas a Moraes. O ministro nega irregularidades e contesta a validade do documento.</p>
<p>A Procuradoria-Geral da República pediu sua anulação. Também há questionamentos à atuação de André Mendonça na investigação.</p>
<p>Suspeitas exigem apuração; não constituem prova de culpa. Essa distinção, essencial para a Justiça, tende a desaparecer no calor da campanha.</p>
<p>Antes de chegar ao mérito, os ministros se dividiram sobre o procedimento. Fachin, Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia defenderam a análise separada dos casos de Moraes e Mendonça. Gilmar Mendes, Moraes e Cristiano Zanin apoiaram o julgamento conjunto.</p>
<p>O placar provisório ficou em quatro a três. Flávio Dino pediu vista, interrompendo a votação. Dias Toffoli declarou-se suspeito, e Kassio Nunes Marques, impedido.</p>
<p>A discussão sobre Mendonça está prevista para 23 de setembro; a questão submetida à vista permanece sem decisão final.</p>
<blockquote><p>Pesquisa Datafolha realizada entre 8 e 10 de setembro mostrou que 71% consideram o STF essencial para a democracia, enquanto 76% atribuem poderes excessivos a seus ministros e 77% acreditam que a população confia menos na Corte hoje do que no passado.</p></blockquote>
<p>O plenário expôs, assim, dois conflitos: o das suspeitas e o das regras para examiná-las. Houve críticas à condução dos processos e acusações diretas entre colegas.</p>
<p>Carmen Lúcia pediu desculpas à população pela intranquilidade produzida pela crise. Sua manifestação reconhece um dano que não depende do desfecho das investigações: quem procura no Supremo uma referência de serenidade viu um tribunal em confronto público.</p>
<p>O primeiro impacto eleitoral é sobre a confiança nas instituições. Pesquisa Datafolha realizada entre 8 e 10 de setembro mostrou que 71% consideram o STF essencial para a democracia, enquanto 76% atribuem poderes excessivos a seus ministros e 77% acreditam que a população confia menos na Corte hoje do que no passado.</p>
<p>O eleitor parece formular uma exigência: preservar o Supremo como instituição e cobrar limites, transparência e responsabilidade de seus integrantes.</p>
<p>A repercussão direta sobre o voto presidencial, até agora, é restrita. No mesmo levantamento, 85% disseram que as revelações envolvendo Moraes não mudaram nem deverão mudar sua escolha; 7% passaram a ter dúvidas e 4% afirmaram ter trocado de candidato.</p>
<p>Quanto às suspeitas relativas a Mendonça, 86% não alteraram a preferência, 7% ficaram em dúvida e 2% disseram ter mudado o voto.</p>
<p>A pesquisa ouviu 2.002 eleitores em 125 municípios. Foi concluída antes da sessão do plenário e, portanto, não mede a reação ao que ocorreu em 15 de setembro.</p>
<p>Seria precipitado concluir que a crise não terá efeito eleitoral. A dúvida declarada por uma parcela dos entrevistados indica um espaço de disputa em uma eleição apertada.</p>
<p>E o voto raramente muda por um único episódio. Novos fatos podem reforçar percepções anteriores sobre favorecimento, abuso de poder e desigualdade perante a lei. A crise funciona como amplificador de sentimentos já existentes.</p>
<p>Pesquisa Quaest divulgada em 14 de setembro mostrou Flávio Bolsonaro com 42% e Lula com 40% numa simulação de segundo turno, empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos.</p>
<p>No primeiro turno, Lula aparecia com 36% e Flávio com 31%. O levantamento não permite atribuir esses números ao caso Master.</p>
<p>Permite afirmar que a turbulência no STF ocorre quando a disputa presidencial está sensível a pequenos deslocamentos.</p>
<p>A oposição tentará vincular o desgaste da Corte ao governo Lula e apresentar-se como defensora de uma limpeza institucional.</p>
<p>O governismo argumentará que as relações investigadas atravessam diferentes campos políticos e que parte da oposição pretende usar a crise para enfraquecer o Supremo.</p>
<p>O plenário forneceu imagens e falas para ambas as narrativas. A batalha eleitoral simplificará fatos que o processo judicial ainda precisa esclarecer.</p>
<p>O efeito mais visível poderá aparecer na disputa pelo Senado. Em 2026, serão renovadas 54 das 81 cadeiras da Casa.</p>
<p>Pelo artigo 52 da Constituição, compete aos senadores processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade.</p>
<p>Candidatos poderão defender investigações, mudanças nas regras da Corte ou o afastamento de ministros.</p>
<blockquote><p>A polarização tentará impor ao eleitor uma escolha entre a impunidade e o ataque ao Supremo, quando é possível defender a instituição e exigir apuração rigorosa da conduta de seus membros.</p></blockquote>
<p>O voto para senador, muitas vezes menos acompanhado que o presidencial, ganhará o peso de uma escolha sobre a fiscalização do Judiciário.</p>
<p>Há também um risco para a aceitação dos resultados eleitorais. O STF e o Tribunal Superior Eleitoral participam da solução dos conflitos que cercam uma eleição.</p>
<p>Se a confiança nos julgadores diminuir, decisões tomadas durante ou depois da votação poderão ser apresentadas como interferência política. Nas redes sociais, documentos autênticos, interpretações apressadas e falsidades circularão lado a lado.</p>
<p>A polarização tentará impor ao eleitor uma escolha entre a impunidade e o ataque ao Supremo, quando é possível defender a instituição e exigir apuração rigorosa da conduta de seus membros.</p>
<p>A resposta necessária começa pelo devido processo: acesso às informações juridicamente disponíveis, exame das provas, respeito à defesa e atenção aos conflitos de interesses.</p>
<p>A sessão de 15 de setembro mostrou a dificuldade de alcançar esse caminho, mas também sua urgência. O STF não preservará a própria autoridade deixando dúvidas sem resposta.</p>
<p>A crise talvez não mude imediatamente o voto da maioria. Já alterou, porém, o ambiente da eleição e valorizou a disputa pelo Senado.</p>
<p>O Supremo não estará impresso na urna eletrônica. Sua credibilidade, depois do que se viu no plenário, acompanhará o eleitor até a cabine de votação.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição</title>
		<link>https://www.boqnews.com/colunas/supremo-tribunal-federal-2/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Autores Externos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 23 Sep 2026 17:00:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Pedro Simon Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong>Pedro Simon</strong></p>
<p>Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira.</p>
<p>Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário.</p>
<p>Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado Federal, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.</p>
<p>Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.</p>
<p>Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.</p>
<blockquote><p>Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.</p></blockquote>
<p>Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.</p>
<p>Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República — mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.</p>
<p>As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal expuseram, em todo o país, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos três Poderes da República.</p>
<p>A recente deliberação do Supremo Tribunal Federal aprofunda essa crise de credibilidade institucional.</p>
<p>Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do Caso Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura.</p>
<p>O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.</p>
<p>Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia.</p>
<p>É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado Federal, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do Supremo Tribunal Federal por crimes de responsabilidade.</p>
<p>Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado.</p>
<blockquote><p>Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil.</p></blockquote>
<p>Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da Mesa Diretora, sem parecer e sem votação.</p>
<p>Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito.</p>
<p>O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional.</p>
<p>Um Poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.</p>
<p>O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o Supremo retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.</p>
<p>Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo.</p>
<p>Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só Poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil.</p>
<p>Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil.</p>
<p>A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei.</p>
<p>Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Um grito parado no ar</title>
		<link>https://www.boqnews.com/colunas/um-grito-parado-no-ar-2/</link>
					<comments>https://www.boqnews.com/colunas/um-grito-parado-no-ar-2/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Autores Externos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 23 Sep 2026 12:00:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Artur Marques &#8220;Um grito parado no ar&#8221;, título de peça do antológico dramaturgo e ator Gianfrancesco Guarnieri, foi um dos mais relevantes espetáculos do teatro de resistência à ditadura na década de 1970. A expressão inspira uma reflexão oportuna sobre o último dia 7 de setembro, quando o Brasil celebrou os 204 anos de sua [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong>Artur Marques</strong></p>
<p>&#8220;Um grito parado no ar&#8221;, título de peça do antológico dramaturgo e ator Gianfrancesco Guarnieri, foi um dos mais relevantes espetáculos do teatro de resistência à ditadura na década de 1970.</p>
<p>A expressão inspira uma reflexão oportuna sobre o último dia 7 de setembro, quando o Brasil celebrou os 204 anos de sua Independência.</p>
<p>O Grito do Ipiranga, com o qual D. Pedro I proclamou a emancipação política do País, garantiu-nos a soberania nacional.</p>
<p>Mas, de certo modo, permanece ecoando e preso aos gargalos que limitam o acesso efetivo de milhões de brasileiros aos direitos fundamentais da cidadania e, portanto, à plena autonomia como sociedade.</p>
<p>Acredito que a liberdade de um povo viabiliza-se inteiramente quando a cidadania, mais do que um princípio constitucional, torna-se fator tangível na vida de todas as pessoas.</p>
<p>Uma nação é verdadeiramente livre quando seus cidadãos não estão acorrentados pela pobreza, a insegurança alimentar, a ignorância, a violência ou a falta de oportunidades.</p>
<p>O Brasil percorreu um caminho importante desde a promulgação da Constituição Federal de 1988 e o fim do regime de exceção.</p>
<blockquote><p>O Brasil precisa, sim, modernizar a administração pública por meio da digitalização dos serviços, da incorporação da inteligência artificial e da melhoria contínua dos processos. Porém, essa transformação exige servidores cada vez mais valorizados, selecionados pelo mérito dos concursos e permanentemente capacitados pela educação continuada.</p></blockquote>
<p>O Estado Democrático de Direito consolidou-se, as instituições amadureceram e os direitos sociais foram ampliados.</p>
<p>Ainda assim, precisamos avançar muito na redução das desigualdades, na inclusão socioeconômica, na autonomia dos segmentos vulneráveis e na garantia de acesso universal e de qualidade à educação, à saúde, à moradia, ao saneamento básico e ao trabalho digno.</p>
<p>São esses os pilares que tornam uma sociedade menos dependente do exterior, mais desenvolvida e livre.</p>
<p>A construção cotidiana da cidadania depende muito de políticas públicas consistentes e dos profissionais que as transformam em realidade.</p>
<p>Por isso, considero um grave equívoco tratar o funcionalismo da União, dos Estados e dos Municípios apenas sob a ótica do custo, como se tem observado corriqueira e, muitas vezes, levianamente.</p>
<p>É preciso, em primeiro lugar, desfazer o mito de que o Brasil tem servidores em excesso.</p>
<p>O Anuário de Gestão de Pessoas no Serviço Público 2025, elaborado pela República.org, demonstra que o quadro do funcionalismo é correspondente à universalização de direitos promovida pela Constituição de 1988, especialmente nas áreas de saúde e educação. O País conta com 12.691.197 profissionais no Estado.</p>
<p>Eles representam apenas 12,3% da força de trabalho nacional, índice inferior ao registrado em diversos países latino-americanos e abaixo da média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).</p>
<p>Os dados tornam-se ainda mais eloquentes quando observamos onde esses profissionais atuam. Cerca de 60% exercem funções ligadas ao atendimento da população, especialmente na educação, na saúde e nos serviços administrativos, como a Previdência Social.</p>
<p>Trata-se de trabalhadores voltados às atividades essenciais do Estado, com forte presença feminina e crescente diversidade étnica.</p>
<p>Na prática, a presença desses profissionais sustenta serviços indispensáveis à cidadania: o Sistema Único de Saúde (SUS) é a principal porta de entrada para 75,3% da população brasileira.</p>
<blockquote><p>Ao reler o título da peça de Guarnieri, reforcei minha crença no sentido de que nosso maior desafio é fazer o Grito do Ipiranga converter-se em exercício pleno da cidadania e em uma conquista definitiva da autonomia de nosso povo.</p></blockquote>
<p>Na educação, quase 80% das crianças e adolescentes estudam em escolas públicas. Também não é por acaso que os municípios têm a maior parte desse contingente, ou 67,2% dos servidores do Executivo, e concentram 61,3% de todo o funcionalismo do País, seguidos pelos Estados, com 23,9%, e a União, com 7,8%.</p>
<p>Afinal, é nas cidades que a população encontra a escola, o posto de saúde, o hospital, o saneamento básico e a casa própria.</p>
<p>O Brasil precisa, sim, modernizar a administração pública por meio da digitalização dos serviços, da incorporação da inteligência artificial e da melhoria contínua dos processos.</p>
<p>Porém, essa transformação exige servidores cada vez mais valorizados, selecionados pelo mérito dos concursos e permanentemente capacitados pela educação continuada.</p>
<p>Não se fortalece o Estado precarizando os recursos humanos, como consta de vários projetos de lei de reforma administrativa e como se dissemina de modo equivocado na opinião pública.</p>
<p>Ao reler o título da peça de Guarnieri, reforcei minha crença no sentido de que nosso maior desafio é fazer o Grito do Ipiranga converter-se em exercício pleno da cidadania e em uma conquista definitiva da autonomia de nosso povo.</p>
<p>Para isso, precisamos muito de um Estado cada vez melhor e das pessoas que o fazem funcionar.</p>
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		<title>Reforma tributária: Duas incógnitas e uma eleição</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Autores Externos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Sep 2026 17:00:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ives Gandra da Silva Martins Não tenho visto, na campanha dos diversos candidatos, nenhuma menção à reforma tributária do consumo em andamento. Recentemente, os professores Marcos Cintra, Felipe Silva e eu coordenamos o livro “Equívocos, Riscos e Fragilidades da Reforma Tributária”, no qual renomados economistas, juristas e contadores mostraram, por meio de reflexões e estudos, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong>Ives Gandra da Silva Martins</strong></p>
<p>Não tenho visto, na campanha dos diversos candidatos, nenhuma menção à reforma tributária do consumo em andamento.</p>
<p>Recentemente, os professores Marcos Cintra, Felipe Silva e eu coordenamos o livro “Equívocos, Riscos e Fragilidades da Reforma Tributária”, no qual renomados economistas, juristas e contadores mostraram, por meio de reflexões e estudos, a complexa e difícil situação que a sociedade brasileira está vivenciando em relação a este tema.</p>
<p>Há um dado que me preocupa muito: embora a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) entre em vigor no dia 1º de janeiro de 2027 e tenhamos, portanto, poucos meses até a vigência da reforma tributária do consumo, o presidente Lula ainda não definiu a alíquota do tributo. Tampouco informou como os Estados serão compensados, algo que já deveria ter sido definido em lei complementar instrumentalizadora das compensações pelas perdas. Por que ainda não foi apresentado o anteprojeto?</p>
<p>Ora, há dois pontos essenciais da reforma que poucos conhecem. Primeiro, a alíquota. Tenho certeza de que ela vai ser elevadíssima, no mínimo de 28% para CBS e IBS, a maior do mundo. Atualmente, a maior é a da Hungria, de 27%.</p>
<p>Se o governo apresentar a alíquota agora, evidentemente, todos os candidatos atacarão o presidente Lula, porque ele disse que não haveria aumento de tributação, o que já ocorre. Todavia, não havendo definição da alíquota, permanece a promessa de que não haverá aumento da carga tributária, razão pela qual ele não a apresenta, mas todos que conhecem o assunto sabem que ela será muito elevada.</p>
<p>O segundo ponto, que também é importante, envolve os Estados e Municípios “exportadores líquidos” de mercadorias e serviços, isto é, aqueles médios e grandes que “exportam” mais para outros Estados do que recebem.</p>
<p>No diferencial entre saídas e entradas, os Estados vão perder dois terços do ICMS e os Municípios, a totalidade do ISS.</p>
<p>Deverão ser compensados por fundos que, teoricamente, devem vir da União e do Comitê Gestor, o qual efetivamente definirá de que maneira se farão todas as legislações necessárias para dar celeridade à compensação das perdas. Também não surgiu nada a respeito até agora.</p>
<blockquote><p>Ao adiar a definição de parâmetros cruciais para poupar dividendos políticos em ano eleitoral, o governo prefere manter os agentes econômicos no escuro a enfrentar o debate sobre o real custo do Estado, comprometendo o planejamento das empresas e empurrando para o contribuinte a fatura de um sistema tributário incerto e dispendioso.</p></blockquote>
<p>E não ocorreu por uma razão muito simples: se ficar evidente que Estados e Municípios médios e grandes perderão receita e que os mecanismos de compensação podem trazer uma dependência política ao governo central, evidentemente, haverá prejuízos à campanha do presidente Lula.</p>
<p>Ademais, a indefinição proposital sobre os fundos de compensação atenta diretamente contra o princípio do pacto federativo estabelecido na Constituição. Submeter estados e municípios a um cenário de dependência orçamentária perante o poder central transforma entes federados autônomos em reféns de negociações políticas em Brasília, desequilibrando as finanças subnacionais e enfraquecendo a autonomia administrativa local sob o pretexto de uma simplificação tributária centralizadora.</p>
<p>Estamos, portanto, com uma reforma instituída por uma Emenda Constitucional aprovada em 2023 e não temos ainda, faltando poucos meses de 2027, nem a alíquota, nem os instrumentos de compensação daqueles fundos indicados pela Emenda Constitucional nº 132/2023, em razão da falta de lei complementar referente ao projeto prometido.</p>
<p>Essa situação é inaceitável, incompreensível e leva a pensar que o governo não lançou nem uma definição tampouco outra para não prejudicar sua campanha eleitoral.</p>
<p>Essa postura de ocultação deliberada das variáveis mais sensíveis da reforma evidencia um lamentável descompromisso da atual gestão com a transparência pública e a responsabilidade fiscal.</p>
<p>Ao adiar a definição de parâmetros cruciais para poupar dividendos políticos em ano eleitoral, o governo prefere manter os agentes econômicos no escuro a enfrentar o debate sobre o real custo do Estado, comprometendo o planejamento das empresas e empurrando para o contribuinte a fatura de um sistema tributário incerto e dispendioso.</p>
<p>Volto, entretanto, a afirmar: haverá uma alíquota elevadíssima e muitas dificuldades, tornando tanto Estados &#8211; no momento em que também o IBS ganhar efetividade – quanto Municípios “exportadores líquidos” de mercadorias e serviços dependentes da União.</p>
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