O Brasil está vivendo um processo de perda de identidade nacional.
Filhos de quem ocupa elevados cargos públicos preferirem viver no exterior, embora os recursos que os sustentam venham daqui, é um dos exemplos desse cenário.
Essa identidade está sendo perdida ou, no mínimo, adulterada por influências externas, cada vez mais arraigadas, e internas, progressivamente desagregadoras, na mesma medida em que pretendem ser dominantes.
A maneira como os símbolos nacionais vêm sendo tratados é outro exemplo.
Tempos atrás, numa loja de shopping center, na entrada havia um capacho com a imagem da bandeira do Brasil.
Disse à gerente da loja que aquilo era um absurdo.
Surpresa, ela disse que aquilo era “um dos itens mais vendidos da loja”.
Será? Só se for para imbecis.
Pouco tempo depois, a loja fechou e nunca mais ouvi falar dela.
A bandeira nacional representa o país e não pode ser aviltada, nem ter sua conformação alterada sem que um longo processo oficial ocorra.
De outra forma, só a implantação de uma ditadura pode promover alterações de forma geralmente impositiva e violenta.
É perceptível o desconhecimento da importância dos símbolos nacionais, incluindo seus significados, muito disso como resultado de formações acadêmicas deturpadas, que acabam contaminando a mídia e muitos dos que se propõem a fazer política.
Lembro de uma política, professora, afirmar que o lema “Ordem e Progresso” era “coisa do governo militar”, ignorando ser um lema positivista do século XIX, adotado na Primeira República.
É interessante notar que os responsáveis pela queda do regime monárquico brasileiro mantiveram a conformação externa da bandeira do império, apenas substituindo o brasão imperial pelo círculo azul, com suas estrelas e a faixa branca com os dizeres.
Uma jornalista, em programa nacional, afirmou que os dizeres da bandeira brasileira eram “Independência ou Morte”!
Ouvi uma pessoa dizer que qualquer criança no ensino fundamental sabe o correto. No entanto, considerando a quantidade de analfabetos funcionais que saem de algumas escolas, tenho minhas dúvidas.
Já vi manifestantes pisarem e queimarem impunemente bandeiras nacionais, “culpando-as” pelo que consideram erros de governos, ao mesmo tempo em que empunhavam bandeiras de países que praticam ditaduras e perseguições políticas, étnicas e religiosas, como se fossem exemplos de democracia e de liberdade de expressão.
E quanto ao Hino Nacional?
Há quem diga que sua letra é difícil e anacrônica. Em vez de explicar o significado, para ampliar o conhecimento, sugerem que a letra seja “simplificada”.
Há quem saiba hinos de nações e de ideologias hegemônicas de cor. Num nível menos dramático, mas igualmente fanatizado, há os que cantam os hinos de seus times como se as torcidas fossem “nações”.
Recentemente, num jogo de futebol, ouvi torcedores substituírem a letra do Hino Nacional por frases repetidas com o nome de seu clube!
Os símbolos nacionais estão acima de ideologias e interesses político-partidários e, como tal, devem ser ensinados e respeitados, nunca substituídos por preferências pessoais ou influências externas quaisquer que sejam!

Adilson Luiz Gonçalves é escritor, engenheiro, pesquisador universitário e membro da Academia Santista de Letras
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