Em 2026, morar ganhou uma nova função. A casa deixou de ser apenas um espaço funcional. Passou a atuar como aliada no cuidado com o corpo, a mente e a rotina. Essa mudança de comportamento, impulsionada por um estilo de vida mais consciente, já influencia a forma como apartamentos, casas e reformas são planejados. O impacto é ainda mais visível em grandes centros urbanos e em regiões com forte valorização imobiliária, como a Baixada Santista.
O lar passou a ser visto como um espaço de regeneração. Um ambiente capaz de reduzir estímulos excessivos, favorecer o descanso e contribuir para a saúde emocional. Morar bem deixou de ser sinônimo apenas de metragem ou localização. Hoje, envolve sensações, conforto e qualidade de vida no dia a dia.
Uma mudança de comportamento que redefine a arquitetura
Segundo a arquiteta Tay Kruger, que desenvolve projetos residenciais na região, essa transformação vai além da estética. Ela reflete uma mudança profunda de hábitos.
“As pessoas querem viver melhor. Buscam mais tempo, mais silêncio e mais propósito. O imóvel passou a ser uma extensão desse novo estilo de vida”, afirma.
Antes associado a spas e academias, o conceito de bem-estar passou a orientar decisões de moradia. Hoje, ele influencia desde a escolha do imóvel até os detalhes de uma reforma.
“A casa virou um cenário de performance pessoal. É onde se treina, se descansa, se grava conteúdo e se constrói uma rotina equilibrada. Tudo isso passou a pesar no momento de comprar ou reformar”, explica Tay.
Como os projetos residenciais estão se transformando
Essa nova demanda tem provocado mudanças claras nos projetos residenciais. O foco está em criar ambientes mais saudáveis, funcionais e sensorialmente confortáveis.
Plantas mais abertas, integração entre sala, cozinha e varanda e maior entrada de luz natural se tornaram prioridades. A iluminação passou a ser pensada como elemento de bem-estar, e não apenas estético.
Silêncio, conforto térmico e acústico como prioridade
Quartos silenciosos, materiais que reduzem ruídos e soluções que equilibram temperatura ganham protagonismo. O conforto deixou de ser um detalhe e passou a ser premissa básica do projeto.
Ambientes destinados à prática de exercícios, momentos de pausa e organização da rotina já fazem parte do programa residencial. A casa passou a acompanhar o ritmo da vida contemporânea.
Minimalismo com emoção e o conceito wabi-sabi
A estética também acompanha esse movimento, mas com um novo olhar.
“O minimalismo ganhou uma camada emocional”, destaca a arquiteta. “É nesse contexto que o wabi-sabi se fortalece. Um conceito japonês que valoriza o simples, o imperfeito e o essencial.”
A influência das cores na sensação de bem viver
As cores também assumem papel estratégico na construção de ambientes mais leves e acolhedores. Elas influenciam o humor, a percepção do espaço e a sensação de calma.
A força dessa tendência influenciou até a escolha da cor do ano por institutos internacionais de design. O tom eleito foi o Cloud Dancer, um branco sutil e quase etéreo.
“É uma cor que dialoga diretamente com o desejo coletivo de desacelerar e se reconectar com o essencial”, completa Tay.
Com o bem-estar como eixo central, a arquitetura em 2026 se consolida como uma ferramenta de transformação pessoal. Mais do que criar espaços bonitos, o objetivo é oferecer ambientes que sustentem uma vida mais equilibrada.
O novo luxo não é ostentação. É silêncio. Conforto. Tempo de qualidade. É a sensação de chegar em casa e se sentir bem. Todos os dias.