Turismo

Não há vacina para o Turismo

Profissional aborda impactos do mercado de turismo diante da pandemia e retomada das atividades

31 de março de 2020 - 14:26

Diogo Dias Fernandes Lopes

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O Turismo é uma atividade relativamente nova se compararmos com outras na história da humanidade.

Por mais que os gestores do Turismo avaliem os riscos para o bom desenvolvimento dela existem ameaças que fogem da capacidade de previsão.

Ocorreu em 2001 com o atentado terrorista a Nova Iorque e, agora, com o avanço da COVID-19.

Sentimos as consequências do primeiro incidente até hoje, tanto na vida cotidiana das pessoas, como na atividade turística. Como exemplo, vivenciamos o enrijecimento das leis de segurança pelas mudanças das rotinas em aeroportos e portos.

A rápida disseminação dessa nova pandemia é o fator mais alarmante e o que inspira maiores cuidados.

Como profissional autônomo e microempresário na área de turismo receptivo desde 1998 nunca tinha vivido algo semelhante. Se em 2001 o Turismo internacional sofreu grandes baixas, mas sendo possível atuar no mercado nacional, em 2020 ele parou em todos os âmbitos.

Os impactos econômicos e sociais são preocupantes! No entanto, acredito que a maior prioridade é a de preservarmos vidas, e seguirmos as orientações da Organização Mundial da Saúde, a maior referência para o assunto.

O momento é de precaução, por tratar da saúde das pessoas (viajantes, profissionais de turismo e os habitantes da localidade turística) e de cautela quanto a realização de estimativas sobre quais serão os reais impactos para a nossa sociedade. Há de se ter em conta que se não mudássemos nossas atitudes tudo indica que as consequências seriam ainda piores.

O Turismo é uma atividade que só ocorre com o deslocamento de pessoas e é evidente que a retomada de suas atividades contribuiria para a disseminação da doença.

A volta do Turismo dependerá de um ambiente de confiança, para seja plena e sustentável, socialmente e economicamente. O pensamento a longo prazo é o melhor horizonte.

Já, a curto prazo, para minimizar os impactos, é de fundamental importância o trabalho que as instituições relacionadas ao turismo (conventions bureaus, sindicatos de guias de turismo, associações de agências de viagens e turismo, por exemplo) vêm fazendo ao reivindicarem junto ao governo federal os auxílios financeiros necessários aos trabalhadores e aos empresários do nosso setor.

Entendo que os destinos que adotarem as melhores medidas para conter a disseminação da doença e zelarem pela saúde da sua população serão aqueles que, primeiro estarão preparados para o retorno da normalidade e consequentemente, atrairão os turistas.

E essas localidades terão a retomada de maneira mais forte se aproveitarem este tempo de reclusão para estabelecerem novos rumos estratégicos em promoção e parcerias, por exemplo.

Todos esperamos que essa normalidade seja restabelecida o mais rápido possível, para voltarmos a receber, turistas nacionais e internacionais, felizes por praticarem essa engrandecedora atividade que é viajar.

Precisamos escolher os melhores remédios, já que não há vacinas que evitem os incidentes que impactam o Turismo.

*Diogo Dias Fernandes Lopes – Turismólogo, guia de turismo e microempresário