Economia

Petrobras, em Santos uma ilusão

A Petrobras abandonou todas as atividades de pesquisa exploratória realizadas na Bacia de Santos com a consequente ruptura da estrutura física e funcional montada para atender a demanda de trabalhadores anunciada no início e no decorrer da movimentação

23 de fevereiro de 2021 - 15:08

Ademir Pestana (*)

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Recentemente, encaminhei à sessão plenária da Câmara de Santos requerimento questionando acerca da desativação do Edifício Administrativo da Petrobras, no Bairro do Valongo e a transferência de 937 funcionários para o Rio de Janeiro. Em maio do ano passado, apresentei Moção de Repúdio contra a decisão da Petrobras em transferir suas atividades da cidade de Santos para o Rio de Janeiro.

A Petrobras abandonou todas as atividades de pesquisa exploratória realizadas na Bacia de Santos com a consequente ruptura da estrutura física e funcional montada para atender a demanda de trabalhadores anunciada no início e no decorrer da movimentação.

Em 2019 a estatal já vinha desmobilizando todas as atividades no Estado de S. Paulo e em outros estados, o que nos leva a crer no esfacelamento desta que é a maior empresa brasileira. Desde então, vem fechando escritórios em vários estados e colocando refinarias à venda, o que significa que as cidades que se organizaram para adotar condições para receber e atender toda estrutura da empresa, já arcariam com o prejuízo desse desmonte.

É triste ver que a cidade de Santos através dos diversos e variados segmentos da economia se programou, se adaptou, investiu para corresponder às expectativas para sediar todo o aparato necessário à empresa para a realização de suas atividades.     

Nas últimas duas décadas só se falava na instalação de um polo de atividades da Petrobras em Santos, gerando muitos empregos e ocasionando pequenos, médios e grandes investimentos. Hotéis, restaurantes e outros tipos de comércio surgiram em função do sonho suscitado pela atuação da empresa, que ao que parece, diante do anúncio da estatal de encerrar as atividades na região, não passou do canto da sereia, atraindo investidores para algo que parecia bom.

Das 3 torres anunciadas para instalação no Valongo, para abrigar funcionários, apenas uma foi erguida, inaugurada em 2014. Em fevereiro de 2019 a Petrobras anunciou investimento de mais de 33 bilhões para os próximos cinco anos na Bacia de Santos. Consequentemente, mais royalties e a cidade de Santos e região teriam aumentado a arrecadação.

De repente, sem qualquer discussão, a Petrobras iniciou o processo para venda da totalidade de sua participação nos campos de Merluza e Lagosta (Merluza é a mais antiga em operação na Bacia de Santos, funcionando desde 1993 para produção de gás natural e condensado), localizados na Bacia de Santos.

Sempre que tenho oportunidade, expresso o meu repúdio à iniciativa e à forma como a Petrobras agiu para deixar a cidade que investiu para que ela pudesse explorar o pré-sal que fez nossa riqueza petrolífera mudar de patamar, o prejuízo. O sonho virou pesadelo.

(*) Ademir Pestana é vereador em Santos pelo PSDB e presidente da Sociedade Portuguesa de Beneficência