Coronavírus

Com a queda nos números, praias lotadas dão sensação de fim da pandemia

No último final de semana, as praias santistas registraram constantes aglomerações devido a vinda de turistas à Baixada

13 de setembro de 2020 - 12:22

Da Redação

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“Mesmo que tenhamos uma diminuição de 15% dos casos de óbitos por coronavírus, nós ainda temos uma média de 900 mortes por dia, o que é um patamar muito alto”.

A frase da infectologista Karine Kalife, ex-participante da pesquisa Epicobs, faz um alerta à população a respeito das constantes aglomerações registradas em praias brasileiras.

Segundo ela, essas constantes aglomerações decorrem do longo período em que os moradores estão enfrentando a pandemia e também da queda, depois de 90 dias, no número de óbitos no Brasil.

“A gente pode ver com alguma esperança a diminuição da média móvel. Eu olharia para isso como cautela, pois voltou a aumentar o número de óbitos”, salienta.

Em Santos, por exemplo, se comparados os meses de julho e agosto, a Cidade registrou uma queda de 59,2% no número de casos da covid-19.

Junho foram registrados 4 235 casos, enquanto no mês de agosto, foram 1.727.

Já o número de óbitos por decorrência da doença, segundo a Prefeitura de Santos, passou de 114 no mês de julho para 75 em agosto, portanto, uma redução de 34,2%.

 

Sem pandemia?

A cada nova informação divulgada pelos meios de comunicação a respeito do novo coronavírus, munícipes acreditam que devem voltar a viver de forma normal e que a pandemia ‘acabou’. Mas isso preocupa a comunidade médica, aponta Karine.

De acordo com ela, a pandemia existirá ainda por um tempo, até que se tenha uma vacina segura e haja possibilidade de distribuição às pessoas.

Porém, ela ressalta: o que auxilia na ‘normalização’ da vida é o maior conhecimento dos médicos a respeito dos sintomas e dos tratamentos para combater o vírus.

“Hoje, nós sabemos um pouco mais do que sabíamos há 8 meses. Já sabemos como manejar os pacientes que estejam em estado grave e também os que estão no começo dos sintomas”.

Porém, ela relata que isso é insuficiente devido ao desenvolvimento da doença no organismo de cada pessoa.

Em relação aos restaurantes e bares lotados, a Prefeitura de Santos, por meio de nota, informa que as fiscalizações dos comércios e estabelecimentos da Cidade são realizadas periodicamente pelo Departamento de Fiscalização Empresarial (Defemp), Seção de Vigilância Sanitária (Sevisa) e Guarda Municipal.

Denúncias de irregularidades podem ser feitas por meio dos canais da Ouvidoria Municipal, entre eles o telefone 162.

“O trabalho de conscientização é feito permanentemente pela Prefeitura de Santos e ocorre desde o início da pandemia. Além disso, a Guarda Municipal realiza diariamente a fiscalização e a orientação dos munícipes e turistas sobre o cumprimento do decreto municipal que determina o uso de máscara nas vias públicas”, informa.

 

 

Cenas de aglomerações já eram costumeiras em Santos. Foto: João Pedro

Feriado nas praias

No último final de semana, devido ao feriado prolongado de 7 de setembro, muitos turistas vieram à Baixada Santista.

Estimam-se que mais de 215 mil veículos desceram rumo ao litoral. No Rio de Janeiro, imagens semelhantes com praias lotadas, ganharam o noticiário.

Em nota, a Prefeitura de Santos informa que, desde sábado (5) até às 19h de terça-feira (8), foram registradas 2.835 orientações sobre uso da faixa de areia, 1.621 orientações sobre uso obrigatório de máscaras, além de seis autuações referentes a presença de animal (cães) na faixa de areia.

Além disso, também foram aplicadas 53 multas pela não utilização de máscaras ou por resistência a não usá-la. “Não houve registro de problemas nas abordagens”, completa a nota.

 

Contrapontos

“Eu me sinto incomodada com o que vem acontecendo”, relata a empreendedora Deborah Braga, a respeito das aglomerações e da vinda de turistas à Baixada Santista.

Sem sair de casa desde o início da pandemia, ela crê que deveria haver uma regulamentação na entrada da Cidade para que haja um melhor controle da vinda de turistas.

Na visão dela, muitas pessoas que respeitavam o isolamento antes, “estão usando a justificativa dos ônibus lotados como se fossem uma motivo plausível para se aglomerar”, enfatiza.

Em contrapartida, a munícipe Sílvia Aparecida acredita que não é apenas a Covid-19 que pode causar mortes e transtornos à população.

Na visão dela, a saúde de mental implica muito nesse momento atual do mundo.

“Eu sou uma pessoa muito agitada e o fato de ficar sempre em casa vai me deixando triste, agoniada e nervosa”.

Ela salienta que, após consultas com a terapeuta, resolveu sair, mas tomando todos os cuidados para não se contaminar.

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