Lacres e tampas plásticas são recolhidas e se transformam em leite e achocolatado. Foto: Nando Santos

Solidariedade

02 DE JANEIRO DE 2019

Tampas e lacres fazem a diferença para 180 crianças e ao meio ambiente

Em nove meses de atuação, o projeto Tampa Amiga já tem uma rede de quase 200 colaboradores . Quase 4 toneladas de tampas já foram recolhidas.

Por: Fernando De Maria

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Há nove meses, uma pessoa próxima pediu ao médico santista Bruno Pompeu que recolhesse tampinhas na praia.

O nobre objetivo era para comprar uma cadeira de rodas.

Pompeu acolheu o pedido e se surpreendeu com a quantidade recolhida.

Viu que o volume deixado na areia era impressionante, além da quantidade de material que poderia ser reciclado ter outra finalidade.

Dessa forma, percebeu que era possível ir (muito) além da proposta.

Além de benefício social com o recolhimento das tampas plásticas, notou a importância ambiental da medida.

E assim, aos poucos, foi montando uma rede colaborativa usando a tecnologia.

Na verdade, o celular, via whatsapp.

O grupo conta com centenas de pessoas anônimas não só de Santos, no litoral paulista, mas de outras cidades da região, Capital e até do interior paulista.

Usando exclusivamente a rede social, o profissional começou em 27 de março de 2018 a recolher o material.

E não parou mais.

“A primeira coleta resultou em 20 quilos de tampinhas”, lembra o médico.

 

Quase 4 toneladas de tampas coloridas de embalagens, além de lacres, já foram recolhidas pela corrente da Tampa Amiga. Foto: Nando Santos

Rede do bem

Graças à rede de voluntários, que cresce a cada dia no whatsapp, a última coleta realizada no dia 15 de dezembro atingiu impressionantes 1,1 toneladas de tampas de plástico, tampinhas e lacres.

O montante rendeu R$ 1.100,00 na venda do material coletado.

O dinheiro ajuda na compra de alimentos e material de limpeza a duas entidades assistenciais de Santos, no litoral paulista.

São elas: Lar Veneranda, no Campo Grande, e ARS – Ação de Recuperação Social, no Chico de Paula.

Além de diminuir consideravelmente o volume de lixo que agride a natureza.

Não é à toa que é comum encontrar garrafas plásticas no lixo ou em contentores – ainda que misturadas erroneamente com o lixo comum -, mas várias delas sem as tampas (símbolo PP, de polipropileno).

O mais interessante é que em nove meses já foram coletadas 3 toneladas 820 quilos – média de quase 425 quilos por mês – ou pouco mais de 14 quilos por dia.

 

O médico se surpreendeu com a repercussão do projeto que atingiu a impressionante marca de quase 4 toneladas recolhidas em 9 meses de atuação da rede colaborativa. Foto: Divulgação

 

“É uma rede invisível e do bem. Não imaginava que chegaríamos a tanto em tão pouco tempo”, reconhece o médico, que ao lado da esposa Dulce, coordena o grupo no whatsapp, onde mensagens não atreladas às causas social e ambiental são vetadas.

 

Na garagem

A garagem de sua casa, na Ponta da Praia, em Santos, é o ponto central de concentração do material.

Após separação e carregamento, o material é levado ao comprador e também um entusiasta do projeto, que revende os objetos recolhidos às indústrias do segmento plástico.

Aliás, o próximo carregamento já tem data marcada: 19 de janeiro.

Assim, além de conviver com o carro cheio de tampas de todos os tamanhos, Pompeu conseguiu a ajuda de outros colaboradores que emprestam uma caminhonete para fazer o carregamento do material.

“Com espírito de união, obstinação e ajuda ao próximo, isentos de vaidades, seguiremos em frente”, enfatizou

“Em 2019, a luta continuará com a ajuda desta rede do bem”, escreveu no grupo Tampa Amiga, termo que representa a rede invisível de solidariedade.

O trabalho, aliás, já ganhou destaque em reportagem no Boqnews, além da TV Record Litoral e Rádio Santos FM (92,5 Mhz).

 

Ajuda bem-vinda

Além da questão ambiental, o trabalho silencioso, mas produtivo, tem ajudado na manutenção das duas entidades, que há meses não precisam comprar mantimentos nem produtos de limpeza em razão das vendas das tampas, tampinhas e lacres.

“Além do reaproveitamento deste material, o dinheiro arrecadado ajuda na compra da merenda e material de limpeza da entidade”, salienta a diretora da ARS, Evangelina de Andrade.

“Há alguns meses não temos feito compras em supermercados”, ressalta.

A entidade atende entre 60 a 80 crianças/mês oferecendo atividades sócio-educativas no contra-turno escolar.

Além disso, o trabalho ambiental ganhou destaque entre as próprias crianças.

Elas residem, em sua maioria, em áreas carentes.

Moram em bairros como Saboó, Chico de Paula, Alemoa e na Vila Pantanal, todos em Santos.

“De forma interna, as crianças estão tendo envolvimento com o assunto, arrecadando tampinhas, com apoio dos pais”, explica.

Não bastasse, as tampinhas também são usadas de forma lúdica, como cálculos matemáticos e trabalho com cores.

Ou seja, o que poderia para no lixo está tendo papel educacional – e, é claro, ambiental e social.

Em razão do aumento expressivo da coleta de tampas, outra necessidade ocorre.

Ou seja, a separação  por cores, facilitando na hora de entrega à reciclagem.

Assim, o novo desafio tem encontrado respaldo com os colaboradores.

Eles já se organizam para este novo objetivo.

Tudo via whatsapp.

 

Colaboradores ajudaram na criação da logomarca do projeto Tampa Amiga, que tem ganho cada vez mais adeptos. Foto: Divulgação

Locais de entrega

Assim, quem quiser colaborar com a entrega de tampas, tampinhas plásticas e lacres de alumínio (usados em latas de cervejas e refrigerantes), pode entregar o material nos seguintes locais:

 

  • Abor – Associação Beneficente Oswaldo de Rosis – Praça Primeiro de Maio, s/nº – Ponta da Praia  – Santos

 

  • ARS – Rua Manoel Barbosa da Silveira, 239 – Saboó – Santos

 

  • Centro Espírita Allan Kardec – Rua Rio de Janeiro, 31 – Vila Belmiro – Santos

 

  • Colégio do Carmo – Rua Egídio Martins, 181 – Ponta da Praia – Santos

 

  • Portaria do edifício Med Center – Rua Olintho Rodrigues Dantas, 343 – Encruzilhada – Santos

 

  • Portaria consultório médico dr. Bruno – Av. Afonso Pena, 170 – Boqueirão – Santos

 

  • Portaria prédio Rua Luís de Faria, 109 – Gonzaga – Santos

 

  • Rua Fumio Miyazi, 1117 – Jardim Guilhermina – Praia Grande

 

  • Rua Enzo Borghi, 58 – Jaguaré (perto do shopping Continental) – São Paulo (Capital)

 

Deve-se ressaltar que a rede é exclusiva pelo whatsapp, não tendo qualquer outra rede social.

 

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