Estação X
Diego Corumba

Jornalista especializado em games

A influência dos JRPGs

Um gênero que originou vários outros no mercado de games ainda insiste em se manter na linha de frente. Porém, a inovação está chegando. Você conhece o que faz dele uma das maiores raízes do que conhecemos?

21 de março de 2018 - 17:30

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“Olá amantes da décima arte”

Primeiramente, gostaria de pedir perdão para todos os leitores da coluna pela demora ao publicar um novo texto. Isso se deve ao tempo que passei vendo e experimentando novas formas de jogar e de enxergar o mercado de modo diferente do que estava habituado. Com o tempo, vamos acostumando a “vista” em certos modos e acredito que analisar mudanças seja a base de tudo que deseja crescer e evoluir.

Em segundo lugar, o assunto de hoje serão os JRPGs. Não se preocupe, explico o que eles são: JRPGs são jogos Role Playing Game japoneses. Identifica-los e confundir como são é extremamente comum para os jogadores. Quem curte o gênero RPG normalmente conhece jogos como Dragon Age, Dragon’s Dogma, The Witcher e a franquia The Elder Scrolls, que utilizam elementos naturais para o gênero como progressão de níveis, personalização, entre outros que são considerados RPGs, mas que diferem bastante da cultura japonesa nos jogos eletrônicos.

Um marco na história dos games, Final Fantasy (NES) revolucionou a indústria com sistemas que até hoje estão presentes no mercado.

Quando falamos de JRPGs, não digo apenas de personagens animados em estilo “anime”, com vozes nipônicas e expressões pulando pela tela. É todo um conceito que forma os games como reconhecemos por esse gênero. Isso reconta o fato da indústria de games ter o seu “lar” no Japão. Sony e Nintendo, as atuais maiores companhias do mercado oriental (Microsoft é americana), que trouxeram o estilo para estes lados do mundo. Para isso, montaram toda uma interface capaz de modelar jogos por gerações, cujos elementos lembro abaixo:

  • Progressão por nível: quando passa uma missão ou elimina monstros, seus personagens ganham pontos de experiência que permite subir de nível. Assim, aumenta atributos como ataque, defesa, pontos de vida e pode estar apto a usar equipamentos e armas melhores.
  • Batalhas por turnos: cada personagem tem seu “turno de ação”. Já jogou Pokémon ou Final Fantasy antigamente? O oponente surge, tanto ele quanto seu personagem estão “parados”. Você tem de escolher atacar, usar magia, defender, utilizar itens, fugir, trocar de personagem, o que o jogo lhe permitir. O inimigo também tomará uma ação e quem tiver a maior velocidade (um dos atributos que formam os personagens) o realizará primeiro. O outro faz o que foi programado a realizar e você estará novamente no menu para escolher as ações até um dos dois (ou mais) for derrotado.

Persona 5, eleito o melhor RPG de 2017, ainda utiliza confrontos em turnos ignorando totalmente a “evolução natural” do gênero.

  • Tático: uma variante famosa do gênero, muito propagada na época do primeiro PlayStation (quem lembra de Final Fantasy Tactics?) e que permanece mais tímida atualmente, mas muito aclamada. Nela você possui um esquadrão ou exército em seu poder, todo o mapa disponível e tem de mover suas tropas para enfrentar a dos inimigos. Ainda temos níveis e turnos, porém não apenas um, dois ou três personagens, mas de dez a mais. O quanto mais você tiver visão estratégica e compreender as missões, mais personagens se unem às suas forças e mais objetivos alcançará, progredindo no game.

Bleach: The Third Phantom é um RPG tático para Nintendo DS que reconta toda história do mangá/anime com um enredo inédito.

Com a evolução dos videogames, esse gênero foi suprimido. Não por culpa das desenvolvedoras, mas com gráficos mais próximos da realidade e a tecnologia superior, ele “deixou de fazer sentido”. Final Fantasy, grande precursor do gênero, hoje utiliza o “action” como os americanos. O “action” se aproxima bem mais dos jogos de aventura, onde avistando os oponentes você luta em tempo real, com cada botão representando um golpe e não lhe dando tempo para analisar o confronto estrategicamente, dando prioridade para riscos mais dependentes dos seus reflexos e percepção. Não estão errados, as proporções que o jogo alcançou com o tempo tem de tornar ele mais acessível e menos tedioso para certos públicos. A Pokémon Company até hoje é cobrada a fazer um jogo da franquia principal em “action” para a nova geração.

Algumas outras empresas insistem no gênero, contrariando o “fluxo natural” que ditaram. Estive jogando atualmente Xenoblade Chronicles 2, para o Nintendo Switch, e apesar de ter uma roupagem JRPGs, conseguiu acoplar os elementos de turnos com “action” dando certa simetria e agilidade aos combates, sem perder a sua principal função de você conseguir desenvolver algo com mais “calma”. A série ”Tales of”, muito aclamada no Japão, também usou deste elemento em Tales of Berseria (PS3, PS4) para não acabar ficando para trás no mercado. Ambos são ótimos jogos e valem a pena dar uma olhada caso queira conhecer mais o gênero.

Xenoblade Chronicles 2 foi lançado para Nintendo Switch em dezembro de 2017, sendo o mais recente do gênero na plataforma.

Persona 5 (vencedor do prêmio de Melhor RPG de 2017 pela Game Awards), Digimon Story: Cybersleuth (tendo dois jogos exclusivos para PlayStation 4) e até mesmo os últimos jogos de Pokémon (Ultra Sun e Ultra Moon) insistem em permanecer como JRPG de turno e também conseguiram espaço no coração dos fãs, alcançando grandes prêmios, milhões de peças vendidas e notas altas pelas críticas ao redor do mundo. Isso demonstra que o estilo não será esquecido com o tempo e ainda mantém forças com quem aprendeu a jogar com estes no passado.

Porém, o “tático” foi o que mais sofreu com o tempo e é o mais difícil de se encontrar atualmente. Atualmente tivemos os famosos Disgaea 5 (PlayStation 4, Nintendo Switch) e os games da linha Fire Emblem (Nintendo 3DS) que tentam manter a linha viva entre os fãs, mas não com a mesma força que antigamente. É difícil conseguir novo público para um mercado atual acostumado à ação desenfreada como em Call of Duty, GTA, God of War, entre outros. Mas espero que não sumam, pois são excelentes exercícios de lógica e raciocínio estratégico.

Fire Emblem é uma das franquias mais conhecidas atualmente do gênero tático, exclusiva da Nintendo.

Como o JRPG é a “raiz” do que conhecemos de videogame hoje, utilizado no conceito dos maiores blockbusters atuais como Horizon Zero Dawn, seria bom ver ele também se desenvolvendo com o tempo e sobrevivendo a esta evolução natural. Como dizem, é bom ter os olhos no futuro para não se perder do que almeja, mas nunca tirar as raízes que o mantém de pé. Tem algum JRPG bom para indicar? Deseja alguma indicação? Basta entrar em contato com os caminhos abaixo!

Como me encontrar na rede:

PlayStation: CorumbaDS
Xbox One: PlumpDIEGODS
Nintendo Switch: SW-3514-0697-9012
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